BBB 26 marcou retorno do jogo raiz? Entenda sucesso da edição
O programa chegou ao fim nesta terça-feira (21), com a vitória de Ana Paula Renault.
Quando anunciou o Big Brother Brasil 26, ainda no ano passado, a Rede Globo garantiu que o público teria poder total sobre a narrativa: os anônimos seriam escolhidos pela preferência popular, o voto único teria peso maior nos paredões, as "plantas" seriam trocadas por outros participantes se não quisessem se entregar ao jogo. Nem todos os planos foram concretizados, mas o objetivo de devolver aos espectadores o comando dos rumos do reality show foi cumprido com sucesso. BBB 26 já é figurinha lendária. Dourada.
Mas, ainda que tenha sido uma edição de colecionador, é possível dizer que a temporada marcou o retorno do "jogo raiz"? Sim, e não.
O público de reality considera "raiz" tudo aquilo que mais se aproxima da vida real. Neste contexto, não cabem tanto camarotes, veteranos e patrocinadores em excesso. São valorizadas discussões genuínas e causadas pelo desgaste da convivência, quer seja uma lavagem de louça mal feita, quer seja falta de comida.
No BBB 26, tivemos Samira e Juliano Floss protagonizando uma das brigas mais intensas da temporada porque o dançarino não cumpriu com suas responsabilidades na cozinha, Babu Santana rompendo com Jonas Sulzbach porque o influenciador atrapalhou o "processo" de preparo do almoço, Jordana comendo de propósito o frango que Milena havia preparado para Ana Paula Renault, Sol Vega brigando com Milena por ter sido acordada pela recreadora infantil. Treta por "besteira" não faltou. Ainda bem.
Mas, o excesso de provas patrocinadas e de ações publicitárias continua cansando o público. Tanto que a prova mais elogiada da edição e que mais causou intriga foi justamente a mais simples e que não teve anunciante: o "Círculo de Fogo", no qual os brothers eliminaram uns aos outros para escolher o Anjo da vez. Quem assistiu, sabe.
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Vale a pena tretar
Um dos maiores méritos desta temporada, especialmente com a vitória de Ana Paula e Milena, foi mostrar que ninguém tem a conduta totalmente ilibada e que vale a pena se expor e arrumar confusão no BBB. Jogo morno e fácil não rende para ninguém: nem para os competidores, nem para a emissora e muito menos para o público.
Contanto que não sejam feridos direitos humanos ou que não sejam cometidos crimes — as duas coisas já aconteceram antes no reality —, está tudo certo. Vale combinar voto, mentir, esconder informação, espezinhar adversário, construir e romper alianças, expor a estratégia do coleguinha. Quem vai decidir se esse jogo é bom ou ruim é o público.
Claro que o BBB é visto, hoje, como uma porta de entrada para o trabalho com entretenimento na televisão. Mas, nenhum competidor que se eximiu de participar do game caiu nas graças da Globo. Dos recentes, os que mais têm destaque na emissora atualmente tiveram passagens icônicas pelo programa: Ana Clara, Gil do Vigor, Thelminha, Beatriz Reis.
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Menos camarotes, mais veteranos
Para que o programa volte mesmo às raízes dos anos 2000, além de reduzir as provas patrocinadas e de estimular as intrigas por convivência, é urgente abrir mão dos famosos. Muitos têm uma carreira a zelar e não estão dispostos a arriscar tudo em nome do entretenimento — o que não é errado.
Talvez, a estratégia de trazer veteranos do próprio reality seja mais inteligente, desde que os nomes sejam bem escolhidos. Foram eles que deram o tom da temporada este ano.