Governador da Bahia proíbe festas juninas nos 417 municípios

Rui Costa também irá suspender o transporte intermunicipal no período para evitar o contágio da Covid-19

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Legenda: Em 2020 as festividades juninas também foram suspensas no Estado
Foto: Rosilda Cruz / Bahiatursa

Pelo segundo ano seguido, o Estado da Bahia não terá festas juninas. O cancelamento da programação nos 417 municípios foi anunciado na manhã desta segunda-feira (17) pelo governador Rui Costa (PT). A medida visa conter um novo avanço da pandemia de Covid-19.

"Não permitiremos a realização de festas de São João em nenhuma cidade, nenhuma região da Bahia. Temos que ter responsabilidade neste momento. Fazer festa agora é desrespeitar a vida humana", justificou o governador baiano em uma rede social.

Além de emitir um decreto proibindo a realização de festas públicas e privadas no período, o governo da Bahia também vai suspender o transporte intermunicipal de passageiros durante as datas festivas. A ideia do gestor é limitar ao máximo a circulação de pessoas no estado para evitar o contágio da doença.

A suspensão das festas deve gerar um novo baque financeiro na economia das cidades do interior. O governo estima que o São João movimente cerca de R$ 550 milhões na economia do estado.

Em 2019, apenas as prefeituras baianas investiram cerca de R$ 190 milhões em serviços relacionados às festas, como a montagem de estruturas, atividades culturais e contratação de artistas.

Boletim epidemiológico

No ano passado, a Bahia viveu uma explosão de novos casos da Covid-19 em cidades do interior após o período junino. O governo do estado chegou a emitir um decreto proibindo as festas. Mesmo assim, muitas famílias mantiveram a tradição do reencontro: acenderam suas fogueiras e reuniram-se em comunidades rurais, sítios e casas nas cidades do interior do estado.

Dados da secretaria de Saúde da Bahia apontam que pelo menos 14 cidades tiveram um crescimento acima de 1.000% dos casos do novo coronavírus entre os dias 23 de junho e 07 de julho do ano passado.

Outros 178 municípios tiveram avanço de novos casos entre 100% e 1.000% no mesmo período, quando a média de crescimento total foi de 87,3% na Bahia e de 45,6% no Brasil.

As cidades que à época registraram forte crescimento nos casos de Covid-19 eram na maioria pequenas e não tinham infraestrutura para atendimento de pacientes graves da doença.

Lucros

Já as 60 maiores festas privadas de São João, São Pedro e Santo Antônio arrecadaram cerca de R$ 110 milhões e atraíram cerca de 500 mil pessoas.

Além da perda na arrecadação, o cancelamento das festas também representará baixas do ponto de vista cultural, turístico e de geração de empregos.

As cidades baianas costumam gerar entre 40 mil e 50 mil postos de trabalho temporários no mês de junho.