Principal alvo da Chacina da Sapiranga era integrante do grupo da ‘Majestade’

Israel da Silva Andrade é uma das vítimas da chacina. Ele tinha extensa ficha criminal, incluindo participação nas mortes dos internos retirados do Centro de Semiliberdade Mártir Francisca

Escrito por Emanoela Campelo de Melo, emanoela.campelo@svm.com.br

Segurança
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Legenda: Seis pessoas foram mortas na Chacina da Sapiranga, na madrugada desse sábado (25)
Foto: Fabiane de Paula

Quando homens armados chegaram ao Campo do Alecrim, na madrugada desse Natal, eles tinham um alvo preferencial. Israel da Silva Andrade foi uma das vítimas da Chacina da Sapiranga. A reportagem apurou que 'Rael', como era conhecido na comunidade, era membro de uma facção criminosa carioca há alguns anos e pertencia atualmente ao subgrupo da 'Majestade' que coordenava as finanças do tráfico dessa organização.

Israel foi executado pelos rivais a sangue frio. Peritos encontraram pelo menos 14 perfurações no corpo do jovem de 24 anos, incluindo disparos na cabeça e no pescoço. Além dele, outras cinco pessoas morreram na chacina e seis ficaram feridas.

No histórico do principal alvo da matança também consta que há quase quatro anos ele esteve na condição de suspeito de uma outra chacina, no mesmo bairro. Segundo a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), no início de 2018, Israel da Silva Andrade foi preso devido à participação nas mortes de quatro adolescentes que foram retirados do Centro de Semiliberdade Mártir Francisca.


Em 13 de novembro de 2018, as vítimas foram arrebatadas de dentro do equipamento e levadas a uma rua próxima, onde foram executadas. Naquela época, a disputa entre grupos criminosos já se instalava na Sapiranga e motivava crimes brutais.


INFLUÊNCIA NA FACÇÃO

A relação de Israel e  Francisca Valeska Pereira Monteiro, conhecida como ‘Majestade’, foi descoberta pela Polícia Civil do Ceará já neste ano. 'Majestade' foi presa enquanto passava férias em Gramado e no celular apreendido com a suspeita foram encontradas 1.700 mensagens com conteúdo relacionado ao tráfico de drogas e demais crimes.

Francisca Valeska Pereira Monteiro
Legenda: Os agentes cearenses percorreram mais de 4 mil quilômetros para capturar a mulher, que estava no Rio Grande do Sul
Foto: reprodução/redes sociais

A Polícia identificou grupos de WhatsApp com contatos de nomes de donos de "biqueiras", como são identificados os pontos para compra e vendas de drogas. Dentre os indícios de mais de 350 participantes da facção estava o nome de Israel como pessoa influente na Sapiranga.

"Resta claro que há uma verdadeira cadeia de comando e a formatação de boa parte da estrutura criminosa do Comando Vermelho, na medida em que conseguiu-se realizar o mapeamento do principal pilar desta ORCRIM, qual seja, o alto escalão dos faccionados que detém o controle de vários locais de pontos de venda de entorpecentes do Estado", apontou relatório da PCCE.

A prisão preventiva de 'Rael' chegou a ser decretada em outubro deste ano para "garantir a ordem pública", mas ele permaneceu foragido. Outras centenas de mandados expedidos a partir do conteúdo encontrado no celular de 'Majestade' foram cumpridos em uma megaoperação no mês de novembro.

'RASGOU A CAMISA'

A reportagem do Diário do Nordeste teve acesso a documentos que apontam um homem conhecido como 'Etim' membro de uma facção de origem carioca. Ele teria ordenado a morte de Israel. 'Etim' teria "rasgado a camisa", como os faccionados chamam o ato de traição ao grupo, e decidido tomar o território do Campo do Alecrim.

Conforme testemunhas, 'Rael' precisou ser retirado do caminho por aqueles que estavam prestes a aderir a 'Massa' e formar outro grupo conhecido como 'Tropa da Fronteira' para traficar drogas no território. Até esta segunda-feira (27), 10 suspeitos pela chacina foram detidos.