Policiais militares são investigados pela CGD suspeitos de cobrar R$ 150 mil para não matar homem

Agentes foram afastados preventivamente e são réus na Justiça Estadual. Um deles é suspeito de queimar carro na época do motim da PM

Três policiais militares do Ceará estão sendo investigados por conselho disciplinar da Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Sistema Penitenciário (CGD). O conselho, publicado em portaria nessa quarta-feira (10), verifica se os suspeitos teriam cobrado R$ 150 mil de um homem para não matá-lo.

O sargento Valdery Barros Ricarte Júnior, o cabo Wellington Freire Souza Júnior e o soldado José Horlândio Dantas Moreira são suspeitos pelo crime de extorsão e já são réus na Justiça Estadual. Os três foram afastados preventivamente de suas funções.

A denúncia, apresentada pelo Ministério Público do Ceará em 18 de fevereiro, foi aceita pelo juiz Antonio Vandemberg Francelino Freitas, da 2ª Vara Criminal da Comarca de Crato.

Como foi o crime

O crime ocorreu no dia 28 de janeiro deste ano. A vítima teria sido abordada por quatro agentes militares e levada a um loteamento no bairro Vila São Bento, no Crato. Os PMs exigiram, no local, que o homem entregasse R$ 150 mil para que não fosse morto.

Segundo a portaria da CGD, o controlador Rodrigo Bona Carneiro indica que "a documentação acostada aos autos consolida de forma clara e cristalina, os indícios de autoria e materialidade". A defesa dos agentes não foi localizada.

Outras ocorrências

O cabo Wellington Freire de Souza Júnior teve uma pistola e uma balaclava apreendidas em Juazeiro do Norte em fevereiro de 2020. Conforme a Polícia Civil, o policial, na Corporação desde 2009, estava com uma pistola .40 carregada com 16 munições sem registro. O PM, à época, respondia por porte ilegal de arma de fogo e homicídio doloso.

Já o soldado José Horlândio Dantas Moreira foi preso em fevereiro de 2020 depois de atear fogo em um veículo particular no Crato. O carro teria sido queimado após a vítima fazer críticas contra o motim da Polícia Militar, recém-iniciado no Estado, nas redes sociais.

As imagens do crime foram registradas em câmeras de segurança, e o suspeito, solto em audiência de custódia no mesmo dia, apesar do flagrante. Também no ano passado, Horlândio foi afastado pela CGD por integrar o movimento criminoso.

O sargento Valdery Barros estava lotado na Célula Integrada de Operações Aéreas (Ciopaer), de Juazeiro do Norte, quando foi retirado da atividade no último dia 16 de fevereiro. Ele atuou nas atividades de aviação da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) por quase cinco anos.

Apesar da ficha criminal e do afastamento das funções, os três militares seguem recebendo salários do Governo do Estado. Os vencimentos de fevereiro contam, inclusive, com gratificações por  "defesa social e cidadania" e "qualificação profissional", segundo o Portal da Transparência.

A SSPDS e a Polícia Militar do Ceará (PMCE) disseram, por meio de notas, que qualquer posicionamento sobre o caso seria feito pela CGD. A Controladoria, também em nota, afirmou que o processo "encontra-se na fase de instrução processual. Os policiais militares encontram-se afastados". Nem um dos órgãos se manifestou sobre os vencimentos dos agentes.

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