Construtora de casas de luxo é suspeita de não entregar obras e gerar prejuízo de R$ 5 milhões no CE

Há a denúncia de que o proprietário da empresa e a esposa tenham viajado para fora do Brasil. Advogado da construtora nega golpe e culpa a crise financeira pelo atraso das obras

Escrito por Messias Borges, Lígia Costa e Patrícia Silva, messias.borges@svm.com.br

Segurança
Vítimas registraram Boletim de Ocorrência na Delegacia de Defraudações e Falsificações (DDF), nesta quinta-feira (13)
Legenda: Vítimas registraram Boletim de Ocorrência na Delegacia de Defraudações e Falsificações (DDF), nesta quinta-feira (13)
Foto: Saulo Roberto

Uma construtora é investigada pela Polícia Civil do Ceará (PCCE) por deixar de entregar casas de alto padrão, em Fortaleza e na Região Metropolitana, e por causar um prejuízo de mais de R$ 5 milhões aos clientes. Há a suspeita de que o proprietário da empresa e a esposa tenham viajado para fora do Brasil nesta semana.

Ontem nós tomamos conhecimento do fato, já reunimos parte das vítimas e já instauramos o inquérito para apurar. É fato que temos informações extraoficiais que o casal proprietário da construtora não se encontra mais no País. A gente vai pedir informações à Polícia Federal (PF), pois possivelmente tenham se evadido para os Estados Unidos."
Andrade Júnior
Delegado da Polícia Civil

A Produção Engenharia, sediada no Eusébio, deixou de cumprir contratos a partir de 2020, atrasando a entrega de casas (principalmente de alto padrão), na Capital e na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). Cerca de 40 pessoas afirmam ter sodrido um golpe da empresa.

O titular da Delegacia de Defraudações e Falsificações (DDF), Andrade Júnior, afirma que os empresários serão investigados pelo crime de estelionato - que tem pena máxima de cinco anos de reclusão.

"Existem algumas situações de financiamentos que (também) devem ser investigados. A facilidade como os financiamentos se deram. Porque, quando você consegue um financiamento, a instituição financeira só repassa os valores para a construtora na medida em que as medições da obra estão em dia. Então, não é natural que tenham sido repassados valores para a construtora acima das medições", revela o delegado.

O advogado Lucas da Escóssia, que representa os proprietários da Produção Engenharia, nega que a empresa tenha cometido um golpe contra os clientes. Sobre a suspeita de que os empresários saíram do País, o advogado ressalta que "eles não estão fugidos, não há perseguição que tenha gerado uma 'fuga'. Não há nenhuma ordem judicial impedindo a locomoção deles".

Não há golpe sendo aplicado. Mas, sim, uma crise financeira que foi agravada pela pandemia. Crise essa que já está sendo contornada. O afastamento do proprietário se deu em razão do estado de saúde delicado da esposa, a qual se encontra grávida de sete meses, necessitando de cuidados e tratamento específico. A empresa continua a inteira disposição dos seus clientes, fornecedores e autoridades para prestar os devidos esclarecimentos."
Lucas da Escóssia
Advogado da Construtora

Empresários deixaram de responder clientes

Uma das vítimas é um homem que concedeu entrevista sob a condição de anonimato. Ele contratou a Produção Engenharia em fevereiro de 2020 para construir uma casa no valor de R$ 650 mil no Município do Eusébio. A obra começou em setembro daquele ano e tinha a previsão de ser concluída em junho de 2021.

Minha casa era para ter sido entregue em junho. Depois, ele (Leonardo Madruga) prometeu para julho, setembro, novembro, dezembro (de 2021) e, agora, ele (proprietário) 'fugiu' no sábado passado."
Vítima
Não quis se identificar

Desde o último sábado (8), a vítima não consegue falar com o responsável pela empresa. Por isso, decidiu levar o caso à Polícia Civil. Ele afirma que já teve um prejuízo superior a R$ 300 mil, somando o valor que foi investido na obra e que não será recuperado (cerca de R$ 250 mil), com o dinheiro que precisou gastar com aluguel por oito meses e com pedras de granito que ele comprou para serem utilizadas na casa e que sumiram - as quais teriam sido utilizadas pela construtora em outra residência, segundo a vítima.

Uma mulher - que também não será identificada - esperava que a casa ficasse pronta em setembro do ano passado, também no Eusébio. Ela afirma que, além do prejuízo financeira (cerca de R$ 20 mil), teve o "prejuízo psicológico".

Eu ia morar lá com minha filha e minha cachorra e agora sem previsão. O Natal (de 2021) com minhas amigas, tudo ia ser lá em casa, tinham várias programações que foram canceladas devido o ocorrido. Eu quero terminar minha casa. Eu tinha um sonho de ser no ano passado. Mas eu vou conseguir."
Segunda vítima
Não quis se identificar