Caso Jamile: empresária concedeu poderes ao namorado em procuração 10 dias antes de morrer

O advogado representava a namorada no processo do inventário do ex-marido dela, que morreu em um acidente em 2017

Legenda: Jamile e Aldemir namoravam há 5 meses e moravam juntos, no apartamento da mulher
Foto: Foto: Reprodução

A empresária Jamile de Oliveira Correia assinou uma procuração, no dia 21 de agosto deste ano, em que dava direitos ao namorado, o advogado Aldemir Pessoa Júnior, para representá-la na Justiça. Dez dias depois, a mulher morreu. O caso antes tratado como suicídio teve uma reviravolta, e Aldemir passou a ser o suspeito de cometer um feminicídio.

O advogado representava a namorada no processo do inventário do ex-marido dela, José Aluísio Correia Neto, que morreu aos 54 anos em um acidente na Avenida Engenheiro Santana Júnior, em Fortaleza, no dia 3 de agosto de 2017.

Na procuração, obtida pelo Sistema Verdes Mares, Jamile concedeu poderes a Aldemir para representá-la em qualquer tribunal, "podendo, inclusive, requerer o que se fizer preciso, propondo as ações necessárias, contestar, replicar, interpor recursos, assinar termos, fazer acordo, desistir, retificar, ratificar, dar quitação e passar recibo".

Uma pessoa ligada à família de Jamile afirmou à reportagem que o advogado tinha interesses financeiros sobre a mulher: "A única coisa que ele queria dela era o patrimônio. Quando o marido dela faleceu, ele deixou um patrimônio alto. Ela dizia que saía com ele e estava se divertindo, mas que não podia se envolver com uma pessoa que não conhecia. Ele tinha uma folha onde dizia para ela passar todo o patrimônio dela para ele. Ela disse que ele podia matar ela e ela não passava".

Jamile e Aldemir namoravam há 5 meses e moravam juntos, no apartamento da mulher, localizado em um condomínio de luxo, na Rua Joaquim Nabuco, bairro Meireles, em Fortaleza. A residência foi palco de uma briga do casal, que terminou com a mulher baleada no peito, na noite de 29 de agosto último.

Ferida, a mulher foi levada pelo advogado ao Instituto Doutor José Frota (IJF), no início da madrugada do dia 30, e o caso foi tratado como uma tentativa de suicídio. A família de Jamile soube que ela estava no hospital apenas naquela noite. Na manhã do dia 31, a empresária morreu com uma hemorragia.

A reviravolta começou quando o 2º DP (Aldeota), da Polícia Civil, começou a investigar o caso. Aldemir passou a ser considerado o suspeito de cometer um feminicídio. Os investigadores colhem depoimentos e imagens para concluir o Inquérito Policial. A defesa de Aldemir mantém a tese de suicídio e afirma que o cliente tentou evitar o tiro disparado por ela, mas não conseguiu.

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