Volume hídrico dos açudes cearenses em julho é o melhor desde 2013 para o período

O Portal Hidrológico da Cogerh aponta 10 açudes sangrando, 46 com volume acima de 90% e ainda 49 com reserva hídrica inferior a 30%

Açude Castanhão ainda tem volume bem longe do máximo, mas as reservas foram bem superiores a anos anteriores em 2020
Legenda: Açude Castanhão ainda tem volume bem longe do máximo, mas as reservas foram bem superiores a anos anteriores em 2020

O Ceará acumula volume médio de 34,4% nos 155 açudes monitorados pela Companhia de Gestão de Recursos Hídricos (Cogerh). Esse é o melhor índice - para igual período, isto é, 8 de julho - desde 2013, quando as reservas hídricas estaduais estavam em 40,7%.  

O Portal Hidrológico da Cogerh aponta 10 açudes sangrando, 46 com volume acima de 90% e ainda 49 com reserva hídrica inferior a 30%. De um total de 12, as cinco bacias hidrológicas que registram maior volume estão localizadas na região Norte e faixa litorânea: Litoral (97,9%), Coreaú (97,0%), Acaraú (90,2%), Ibiapaba (84,7%) e Metropolitana (73,9%).

As três bacias que apresentam menor volume são Banabuiú (14,5%), Médio Jaguaribe (15,3%) e Curu (30,5%). O gestor executivo da Secretaria de Recursos Hídricos (SRH), Aderilo Alcântara, observou que em 2018 e 2019 as chuvas beneficiaram a área Norte do Estado, mas neste ano, foram mais abrangentes.

“Todo o Estado foi favorecido e assim saímos daquele quadro de estiagem que começou em 2012”, explicou.

Os dados da Cogerh mostram que entre 2010 e 2020, o ano que registrou maior reserva hídrica nos açudes monitorados pelo órgão foi 2011, com 84,2% da capacidade de armazenamento do Estado. Entre 2014 (29,2%) e 2017 (15,0%) houve queda seguida. Entretanto, a partir de 2018, o cenário começou a tornar-se mais favorável – aumentando de 16,2% para os atuais 34,4%.

“Nós esperamos que tenhamos boas recargas nos reservatórios durante a próxima quadra chuvosa de 2021”, frisou Aderilo Alcântara. “O sertanejo sempre vive de esperança e essa é a nossa expectativa”. Alcântara observou que os dados históricos mostram que no semiárido nordestino há registro de mais anos com reduzida pluviometria do que períodos favoráveis.

O Ceará enfrentou um dos maiores períodos de estiagem dos últimos cem anos entre 2012 e 2018, mas regiões como o Sertões de Crateús e Inhamuns a seca foi mais prolongada, porque iniciou dois anos antes.

Volume

Os três maiores açudes do Ceará acumulam os seguintes volumes: Castanhão (15,8%), Orós (27,4%) e Banabuiú (14,3%).

Em 8 de maio de 2009, o Castanhão registrou 97,8%, o maior volume acumulado desde a sua construção. O menor acúmulo foi em fevereiro de 2018, quando chegou a apenas 2,08%.

O Castanhão será favorecido neste ano com a chegada das águas da transposição do Rio São Francisco ao Ceará. O titular da Secretaria de Recursos Hídricos, Francisco Teixeira, estima que em setembro próximo a água comece a reabastecer o gigante cearense, ampliando a segurança hídrica do Estado.

O Orós também enfrentou período crítico na atual década, após transbordar em maio de 2011. A partir daquele ano, o reservatório entrou em curva decrescente e chegou ao volume mínimo de 4,73% em 24 de fevereiro passado.

Já o Açude Banabuiú teve volume morto – menos de 1% - entre agosto de 2015 a abril de 2018. Neste ano subiu para 14,2%. O reservatório é responsável pelo abastecimento de várias localidades e oferta de água para o Perímetro Irrigado Tabuleiro de Russas.

O diretor de Operações para o Interior da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece), Hélder Cortez, disse que o cenário atual a partir das recargas que os reservatórios cearenses obtiveram no primeiro semestre deste ano favoreceu o abastecimento das cidades do interior.

“Não temos nenhum centro urbano em regime de contingência e a única preocupação é com Monsenhor Tabosa. A situação melhorou bastante em relação ao ano passado”.  

Há um ano, seis cidades enfrentavam crise na distribuição de água à população: Itapiúna, Mombaça, Monsenhor Tabosa, Parambu, Pereiro e Piquet Carneiro.