Venda de carne “de moita” prolifera nos municípios

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Redação producaodiario@svm.com.br
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Foto: Antônio Vicelmo
A comercialização e abate clandestino de carne de bovinos, caprinos, ovinos e suínos, nos municípios do Interior, são observados nas esquinas, feiras-livres e calçadas das cidades a qualquer dia da semana. As unidades de Vigilância Sanitária, muitas sem estruturas física e de pessoal, não conseguem ampliar o trabalho de fiscalização, apesar de estarem reforçando as ações na sede municipal e zona rural. No Cariri, a carne de “moita” é exposta à venda em balcões e nas grades de ferro dos portões dos mercados. Na Zona Norte e Sertão Central, a falta de condições de higiene também é constatada. Em Iguatu, apesar de maior rigor na fiscalização, o transporte muitas vezes é realizado em reboques puxados por motos, sem refrigeração

Crato (Sucursal) — A maior parte da carne vendida nos açougues do Cariri é de “ moita”, ou seja os animais são abatidos de forma clandestina sem nenhuma fiscalização. As administrações municipais dispõem de equipes de vigilância sanitária, mas é impossível fiscalizar os pontos de venda, principalmente nas pequenas cidades, admite o chefe do Departamento de Vigilância Sanitária da Prefeitura do Crato, médico veterinário Valdízio Rocha. A carne é exposta à venda em balcões e nas grades de ferro dos portões dos mercados.

A fiscalização é feita, geralmente, no final de semana, quando aumenta o abate. Valdízio ressalta que a carne procedente do Matadouro Industrial de Juazeiro do Norte é inspecionada. A melhor alternativa para o consumidor, segundo os veterinários, é procurar os frigoríficos. Esta semana, foram apreendidos 137 quilos de carne podre no mercado do Crato.

Na zona rural do Cariri, o problema é mais grave. Os animais, principalmente, ovinos, caprinos e suínos, são abatidos debaixo de árvores, sem as mínimas condições de higiene, além de ser comercializada nos balcões da bodegas, sem nenhum controle. Não existe acompanhamento de preços. Funciona a lei da oferta e da procura.

Os próprios marchantes reclamam da ausência da fiscalização. O ex-presidente da Associação dos Marchantes do Crato, Francisco Valdetário Vieira, diz se houvesse uma fiscalização mais rigorosa, era melhor para todos, vendedor e consumidor. Vieira lamenta também a falta de união da classe. A associação que congregava os marchantes, foi desativada por falta de interesse dos associados.

O magarefe Carlos Lopes, que nasceu e cresceu dentro de um açougue, sugere a construção de um matadouro em Crato, o que evitaria, segundo defende, o grande número de animais abatidos na clandestinidade. A mesma reivindicação é endossa pelo veterano marchante José Rodrigues do Nascimento, que trabalha no Açougue do Crato há mais de 50 anos.