Torre é erguida como marco da morte do sacerdote

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Redação producaodiario@svm.com.br
Legenda: A torre está sendo construída na Praça do Socorro e terá 18 metros de altura
Foto: Antônio Vicelmo
Crato (Sucursal) — Uma torre, de 18 metros de altura, com um relógio eletrônico, que vai tocar o hino do Padre Cícero de hora em hora, está sendo construída na Praça da Socorro. A iniciativa é do padre João Bosco Lima, reitor da Capela de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, onde o Padre Cícero foi enterrado.

O objetivo da obra é marcar os 70 anos de morte do Padre Cícero, que morreu no dia 20 de julho de 1934. O investimento total é de R$ 80 mil. A reitoria espera a colaboração dos devotos para que a obra seja inaugurada no dia 20 de julho. Uma foto da torre foi exposta na capela no altar da capela do Socorro.

Com o tema “Quem é ele? Uma vida de serviço a Deus e aos irmãos”, foi aberto no último sábado, o Tríduo de Estudos Sobre o Padre Cícero que, nesta quarta-feira, 24, estaria comemorando 160 anos de idade. A abertura do Tríduo foi feita, no auditório do Círculo Católico São José, pelo escritor Geraldo Menezes Barbosa, autor do livro “O Padre Cícero ao Alcance de Todos”.

Ontem, o jornalista e escritor Daniel Walker aborda o tema “Padre Cícero, o Conselheiro do Sertão”. Hoje, a professora Maria do Carmo Pagan Forti falará sobre o processo de reabilitação do Padre Cícero. O Tríduo termina amanhã, quando as irmãs Annette e Ana Teresa apresentarão as correspondências dos bispos sobre as questões de Juazeiro do Norte.

Na quarta-feira, dia 24, aniversário do Padre Cícero, a programação será aberta, à zero hora, com uma seresta e corte do bolo de aniversário na praça do Socorro, em frente à igreja do mesmo nome, onde o Padre Cícero foi enterrado.

A programação terá prosseguimento, às 6 horas, com um concelebração solene. No começo da noite, às 18h30min, depois da apresentação dos grupos folclóricos, os devotos sairão em caminhada, da praça Padre Cícero para a Praça do Socorro, onde ocorrerá o encerramento com cânticos e parabéns.

Toda a programação está sendo coordenada pelo monsenhor Murilo de Sá Barreto, vigário da Basílica de Nossa Senhora das Dores.

IMPORTÂNCIA - Padre Cícero é o maior benfeitor de Juazeiro e a figura mais importante de sua história. Foi ele quem trouxe para Juazeiro as Ordens dos Salesianos e dos Capuchinhos; doou os terrenos para construção do primeiro campo de futebol e do aeroporto; construiu as capelas do Socorro, de São Vicente, de São Miguel e a Igreja de Nossa Senhora das Dores; incentivou a fundação do primeiro jornal local (O Rebate); fundou a Associação dos Empregados do Comércio e o Apostolado da Oração.

Entre outros feitos, o sacerdote realizou a primeira exposição da arte juazeirense no Rio de Janeiro; incentivou e dinamizou o artesanato artístico e utilitário, como fonte de renda; incentivou a instalação do ramo de ourivesaria; estimulou a expansão da agricultura, introduzindo o plantio de novas culturas; contribuiu para instalação de muitas escolas, inclusive a famosa Escola Normal Rural e o Orfanato Jesus Maria José.

Ele socorreu a população durante as secas e epidemias, prestando-lhe toda assistência e, finalmente, projetou Juazeiro no cenário político nacional, transformando um pequeno lugarejo na maior e mais importante cidade do interior cearense.

Os bens que recebeu por doação, durante sua quase secular existência, foram doados à Igreja, sendo os Salesianos seus maiores herdeiros. Ao morrer, no dia 20 de julho de 1934, aos 90 anos, seus inimigos gratuitos apregoaram que, morto o ídolo, a cidade que ele fundou e a devoção à sua pessoa acabariam logo. Enganaram-se. A cidade prosperou e a devoção aumentou. Até hoje, todo ano, religiosamente, no Dia de Finados, uma grande multidão de romeiros, vindos dos mais distantes locais do Nordeste, chega a Juazeiro para uma visita ao seu túmulo, na Capela do Socorro.

Padre Cícero é uma das figuras mais biografadas do mundo. Sobre ele, existem mais de duzentos livros, sem falar nos artigos que são publicados freqüentemente na imprensa. Ultimamente sua vida vem sendo estudada por cientistas sociais do Brasil e do exterior. Não foi canonizado pela Igreja, porém é tido como santo por sua imensa legião de fiéis espalhados pelo Brasil. O binômio oração e trabalho era o seu lema. E Juazeiro é o seu grande e incontestável milagre.