Tijuquinha é o quinto açude a sangrar neste ano no Ceará, mas chuvas seguem abaixo da média

O reservatório começou a transbordar na manhã desta quinta-feira. Outros quatro açudes estão com volume superior a 90%

Açude Tijuquinha
Legenda: Localizado em Baturité, o açude Tijuquinha pertence à bacia metropolitana, segundo a Cogerh
Foto: Reprodução

O açude Tijuquinha, que fica em Baturité e pertence à bacia metropolitana, é o quinto reservatório a sangrar no Ceará em 2021. O transbordamento foi registrado na manhã desta quinta-feira (25).

Antes dele, o açude São Vicente, em Santana do Acaraú, foi o quarto reservatório dentre os 155 monitorados pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) a sangrar neste ano, na noite de segunda-feira (22).

O equipamento reforça o abastecimento de comunidades rurais que ficam próximas do reservatório e auxilia na liberação de água para usuários de irrigação do vale do Acaraú.

Além dos cinco sangrando, outros quatro estão com volume acima de 90%.

Apesar da boa notícia, a quantidade ainda é pequena, conforme especialistas. O mês de março, o segundo quadra chuvosa, que vai de fevereiro a maio, deve terminar com um registro de chuvas abaixo da média histórica, que é de 203,4 milímetros no período. Nesta quinta-feira (25), o déficit ´de 27%.

Açudes sangrando

O primeiro a transbordar foi o açude Caldeirões, em Saboeiro; depois o Batalhão, em Crateús; e o terceiro foi o Germinal, em Palmácia.

O volume hídrico total acumulado no Ceará, hoje, é de 25,10%. Há um ano, a reserva era de 18%, mas havia 32 açudes sangrando e mais cinco acima de 90%.

Preocupação

O secretário Executivo da Secretaria de Recursos Hídricos (SRH), Aderilo Alcântara, mostrou preocupação com o quadro atual. “Já podemos afirmar que neste ano, a recarga será muito reduzida”, pontuou.

“Esse cenário, traz impacto para o setor agropecuário porque reduz a capacidade de oferta de água para irrigação e, infelizmente, já estamos preocupados com o próximo ano porque até lá as reservas vão cair mais ainda”.

O meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Flaviano Fernandes, mostrou que a temperatura das águas superficiais do Oceano Atlântico Sul Tropical, permaneceu desfavorável, não se aqueceu como era esperado para o período e, por isso, a Zona de Convergência Intertropical (larga banda de nuvens de chuva) não se aproxima o suficiente e por muito tempo próximo à costa Norte do Nordeste brasileiro.

Flaviano Fernandes lembrou que “o cenário atual de chuvas localizadas e abaixo da média confirma as previsões dos institutos de meteorologias para a atual quadra chuvosa”.

A incidência dos raios solares a partir deste mês sofre diminuição sobre o Hemisfério Sul e segue em direção ao Hemisfério Norte desfavorecendo o aquecimento da porção do Atlântico Sul Tropical abaixo da linha do Equador.

Poucas chuvas

Aderilo Alcântara mostrou que as chuvas “tem sido poucas e localizadas, sem beneficiar as áreas onde estão as nascentes e afluentes dos açudes estratégicos para abastecimento de centros urbanos e de projetos de irrigação”.

O agrônomo e economista do escritório regional da Empresa de Assistência Técnica Extensão Rural do Ceará (Ematerce) em Iguatu, Antônio de Souza, mostrou que as chuvas foram muito reduzidas em janeiro deste ano e que em fevereiro só ocorreram no final do mês. “Agora em março houve uma maior concentração somente a partir do último dia 20”, lembrou. “A primeira quinzena deste mês foi muito desfavorável”, completou.

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