Temporada de ventos fortes: Ceará registra velocidade máxima de 58,3 km/h em agosto

Fenômeno pode afetar prática de esportes náuticos à vela e aumentar o risco dos pescadores no mar, conforme Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme)

Legenda: A falta de obstáculos, como montanhas e serras, faz com que as áreas oceânicas registrem maiores velocidades do vento do que no continente, aponta especialista da Funceme
Foto: Kid Júnior

O aumento da velocidades dos ventos é típico do segundo semestre do ano no Ceará. Segundo a gerente de Meteorologia da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), Meiry Sakamoto, o Estado está localizado entre o caminho de alta pressão do Atlântico Sul e a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), causando ventos mais intensos e constantes. Em agosto deste ano, o Ceará registrou máxima de 58,3 km/h em Tauá, enquanto a Capital cearense contabilizou 52,2 km/h, conforme dados do órgão.

Durante esta semana, os ventos de sudeste/leste deverão estar mais intensos próximos da faixa norte do Ceará, podendo atingir valores de aproximadamente 55 até 74 km/h, de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). A falta de obstáculos, como montanhas e serras, faz com que as áreas oceânicas registrem maiores velocidades do vento do que no continente, explica Meiry.

“Bom para quem pratica esportes náuticos à vela e um risco maior para os pescadores, que podem ter dificuldade de retornar do mar, pois os ventos sopram em uma direção predominante do continente para o oceano”, acrescenta. Também é um período de aumento de risco de quedas de árvores e destelhamentos, por conta das fortes rajadas.

Impactos

Para o coordenador de políticas públicas do Sindicato dos Pescadores de Lagosta de Icapuí, Tobias Soares da Silva, 40 anos, no segundo semestre do ano, principalmente entre agosto até novembro, a precaução e o medo se tornam mais presentes no cotidiano do trabalho. Pescador artesanal desde os 14 anos da cidade localizada há cerca de 350 km de Fortaleza, aprendeu a ser mais cauteloso neste período do ano

“A gente trabalha com vento muito forte, com rajadas de 61 km/h e ondas de até 3 metros. A dificuldade é porque quando está nessas condições, o barco fica arriscado de naufragar, de virar. Já aconteceu acidente por conta disso, o barco virou e o pescador ficou à deriva”, declara. 

No segundo semestre de 2019, em Icapuí, Tobias acompanhou quatro casos de barcos virando por conta dos ventos fortes e das altas ondas. Somente neste ano, desde julho, já tiveram outros dois casos. “Neste ano, os alertas da marinha estão sendo mais constantes”, percebe.

Para além desse risco, o coordenador de políticas públicas também aponta para a redução na renda dos profissionais da área. “Há uma queda muito grande, porque os barcos deixam de sair para pescar por conta do vento, principalmente aqueles menores. Se ele não sai para pescar, não tem produção”, finaliza. 

Velocidade média

O Ceará registra velocidade média anual de 11,52 km/h, concentrando os maiores registros no segundo semestre do ano, conforme dados do INMET. Enquanto de janeiro até junho, os números médios mensais variam de 8,28 para 10,8 km/h, o segundo semestre, de julho à dezembro, já registra uma variação na média por mês entre 11,16 até 14,4 km/h. 

Os meses de agosto, setembro, outubro e novembro apresentam as maiores velocidades médias do vento, com respectivamente 13,33 km/h; 14,4 km/h; 14,4 km/h e 14,04 km/h. Segundo o INMET, o mês de março concentra a menor média mensal, com 8,28 km/h.

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