Sobral e cidade do interior de São Paulo ganham Selo Excelência por escolas de ensino fundamental

Estrutura educacional e bom desempenho dos estudantes em português e matemática foram analisados para o selo mais criterioso do Instituto Rui Barbosa

Foto mostra estudante
Legenda: Ensino de educação financeira em escola pública de Sobral em 2019
Foto: Divulgação

Sobral, na região no Norte, e a cidade de Jales, no interior paulista, receberam o Selo Excelência pelo Instituto Rui Barbosa (IRB) e organização Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede) pela rede de educação fundamental. Os dois municípios tiveram a melhor avaliação entre as escolas avaliadas no Estudo “Educação que faz diferença”, divulgado nesta quinta-feira (25).

Para a seleção das escolas são analisados fatores como habilidade dos alunos nas disciplinas de português e matemática, classificadas em níveis básicos e adequados de conhecimento, que devem variar entre 90% e 50%. As metodologias de ensino e os esforços para redução das desigualdades entre os estudantes e a evasão escolar também são considerados.

O estudo observa os avanços no ensino das instituições nos últimos anos e verifica o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) como um dos critérios. As análises estruturais são feitas com base Plano Nacional de Educação (PNE) que estabelece o acesso à pré-escola para crianças de 4 a 5 anos como meta a ter sido cumprida em 2016. O documento também sugere a oferta de vagas em creches com, no mínimo, 50% das crianças de até 3 anos até o fim da vigência do plano em 2024.

Outro parâmetro avaliado está na quantidade de estudantes por sala, como detalha o relatório. “O estudo baseou-se ainda no Projeto de Lei 597/07, que determina que as salas de aula de pré-escola devem ter, no máximo, 25 alunos. Ainda que o projeto esteja em tramitação e não seja lei”, pontua.

Herbert Lima, secretário da Educação de Sobral, comenta que o selo está relacionado com a formação continuada dos professores e a criação de materiais de ensino. “Sobral tem uma política educacional bem consolidada com alguns princípios como fortalecimento da gestão escolar, na formação de diretores e na autonomia financeira das escolas”, ressalta. Currículos e parâmetros internacionais de ensino de países como Canadá, Finlândia e Cingapura são observados pela gestão, como detalha.

Foram visitadas 116 escolas de 69 redes de ensino municipais do País pelos auditores dos tribunais de contas em que foram feitas entrevistas com os secretários de educação, equipe técnica, professores, diretores, coordenadores pedagógicos e estudantes, além da observações de aulas. O Instituto Rui Barbosa é uma associação civil dos tribunais de contas dos estados e desenvolve ações educativas pelo País.

Rede de educação

A rede sobralense atende 35 mil estudantes na educação infantil e no ensino fundamental I e II com a disponibilização de tempo integral nas instituições urbanas e rurais, como especifica Herbert Lima. “Sobral é a 1º cidade do Brasil a criar o cargo de psicólogo dentro das escolas, fizemos concurso, e todas as escolas de ensino fundamental II, com pré-adolescentes, nós temos um psicólogo efetivo para trabalhar a formação socioemocional. Estamos expandindo, após a pandemia, também para o ensino fundamental I e infantil”.

As aulas presenciais foram interrompidas em Sobral por causa da pandemia do novo coronavírus que já registra 6.215 casos confirmados e 211 mortes pela doença até a manhã desta sexta-feira (26), de acordo com o IntegraSUS. Os estudantes, uma parcela considerável sem internet, devem repor a carga horária com a volta as escolas, conforme o secretário.

Na cidade cearense, os avaliadores destacam o fortalecimento da gestão escolar e o monitoramento da aprendizagem, além da descentralização financeira das escolas e da boa qualificação dos professores. “A Educação de Sobral já foi amplamente estudada e segue sendo referência no País. Com Ideb 9,1 nos anos iniciais do Ensino Fundamental e 7,2 nos anos finais, o Município destaca-se não apenas pelos bons resultados, mas também por tê-los obtido em um contexto desfavorável, estando em uma região pobre do semiárido nordestino”, observa o estudo.