Seca não impede que nove famílias vivam em ´oásis´
Escrito por
Redação
producaodiario@svm.com.br
No sertão de Crateús, uma experiência de irrigação assistida mudou o perfil da economia local
Crateús. Existe muito verde na paisagem sertaneja deste Município. A afirmação não parece condizer com o período de estiagem que assola o sertão nordestino, mas reflete a verdade, pelo menos, em um pequeno recorte da paisagem. Trata-se de um projeto de irrigação desenvolvido no Distrito de Realejo, há quase 40 quilômetros da cidade de Crateús. Ali, numa pequena área de 75 hectares, uma concreta demonstração de que é possível produzir no sertão o ano inteiro.
A agricultura irrigada em Realejo contou com o apoio dos técnicos da SDA Fotos: Silvania Claudino
Mesmo em um período como esse, sem chuva e com água bem reduzida. Nove famílias estão produzindo milho e feijão. E, exageros à parte, vivendo muito bem financeiramente.
O projeto de irrigação do Perímetro Realejo estava parado desde 1995 e foi recuperado. O Governo do Estado, por meio da Secretaria do Desenvolvimento Agrário (SDA), investiu mais de R$ 150 mil (plantio) no projeto, através de convênio firmado com a Associação Comunitária Rio Verde.
Outros R$ 192 mil foram usados para consertar o sistema de irrigação, cuja água vem do açude Realejo, com capacidade para 31 milhões de metros cúbicos. Atualmente, está com 23,9% da sua capacidade, segundo o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs). Os associados plantam e comercializam milho para alimentar animal.
Safra
A primeira safra foi de milho, colhida em maio e vendida para produtores da região. Foi vendida em forma de silagem para os produtores locais para a alimentação do rebanho bovino em toda a região do Sertão dos Inhamuns e, particularmente, em Crateús. A produção chegou a 1,6 mil quilos de milho. A colheita da segunda safra, desta vez milho e feijão iniciou no último sábado (8), e as perspectivas são as melhores possíveis, principalmente, com relação ao milho.
"Com o investimento da SDA na recuperação do perímetro, eles estão com capacidade para colher 40 toneladas de milho por hectare, apesar do quadro de estiagem", informou Wânia Braga, agrônoma da SDA.
Os técnicos acompanham os agricultores durante todo o plantio fornecendo orientações técnicas. Vão duas vezes por mês ao local. Os agricultores apuraram cerca de R$ 250 mil, valor que após as despesas com energia, manutenção, insumos e preparo para o replantio foi dividido para as nove famílias. Eles preferiram não revelar em que empregaram o que ganharam nesta primeira safra - cerca de R$ 19 mil cada - mas o sorriso de satisfação de João de Deus Ferreira, vice-presidente da associação, diz tudo.
Ele conta que tudo começou com a vinda dos técnicos da SDA ao perímetro no início deste ano. Em reunião com 15 famílias que, à época, pertenciam à associação e estavam interessadas no reparo do pivô do projeto de irrigação, informaram sobre a possibilidade do investimento.
Havia contrapartida por parte dos agricultores, que toparam de imediato. Ficaram nove famílias. Cada família investiu, segundo ele, em torno de R$ 5 mil.
"Existiam peças e materiais que tinham que ser comprados com esse dinheiro da nossa contrapartida, e decidimos investir e acreditar no projeto. E o resultado está aí, valeu o investimento, já recuperamos o que empregamos e ganhamos mais", revela.
João de Deus é o responsável por ligar o equipamento todas as noites e monitorar o funcionamento. Além disso, durante o dia trabalha no local, no plantio e nas atividades necessárias ao bom andamento da lavoura. Com a ajuda da esposa realiza essas atividades diariamente.
Mudança
O agricultor João de Deus Vieira, secretário da associação, conta que o investimento mudou a sua vida. Também não revela em que investiu. Sorriu quando indagado sobre a compra da casa própria e veículos. "Fez uma diferença grande para mim e minha família. O dinheiro que ganhamos deu para comprar algumas coisas que a gente precisava muito". Ele também revela que já está com as "mangas arregaçadas" para a nova colheita.
Modernização
O orientador da Célula de Áreas Irrigadas da SDA, Wanderley Guimarães, ressalta que essa recuperação modernizou o sistema, saindo da irrigação de superfície para sistema localizado. Conforme Guimarães, a revitalização do Perímetro Irrigado do Realejo reativa a produção e gera renda para aqueles produtores. "Nós estamos recuperando a infraestrutura hidráulica dos perímetros irrigados que têm recursos do Estado", disse.
Mais informações:
Secretaria do Desenvolvimento Agrário (SDA)
Avenida Bezerra de Menezes,1820
São Gerardo - Fortaleza
Telefone: (85) 3101.8002.
SILVANIA CLAUDINO
REPÓRTER
Crateús. Existe muito verde na paisagem sertaneja deste Município. A afirmação não parece condizer com o período de estiagem que assola o sertão nordestino, mas reflete a verdade, pelo menos, em um pequeno recorte da paisagem. Trata-se de um projeto de irrigação desenvolvido no Distrito de Realejo, há quase 40 quilômetros da cidade de Crateús. Ali, numa pequena área de 75 hectares, uma concreta demonstração de que é possível produzir no sertão o ano inteiro.
A agricultura irrigada em Realejo contou com o apoio dos técnicos da SDA Fotos: Silvania ClaudinoMesmo em um período como esse, sem chuva e com água bem reduzida. Nove famílias estão produzindo milho e feijão. E, exageros à parte, vivendo muito bem financeiramente.
O projeto de irrigação do Perímetro Realejo estava parado desde 1995 e foi recuperado. O Governo do Estado, por meio da Secretaria do Desenvolvimento Agrário (SDA), investiu mais de R$ 150 mil (plantio) no projeto, através de convênio firmado com a Associação Comunitária Rio Verde.
Outros R$ 192 mil foram usados para consertar o sistema de irrigação, cuja água vem do açude Realejo, com capacidade para 31 milhões de metros cúbicos. Atualmente, está com 23,9% da sua capacidade, segundo o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs). Os associados plantam e comercializam milho para alimentar animal.
Safra
A primeira safra foi de milho, colhida em maio e vendida para produtores da região. Foi vendida em forma de silagem para os produtores locais para a alimentação do rebanho bovino em toda a região do Sertão dos Inhamuns e, particularmente, em Crateús. A produção chegou a 1,6 mil quilos de milho. A colheita da segunda safra, desta vez milho e feijão iniciou no último sábado (8), e as perspectivas são as melhores possíveis, principalmente, com relação ao milho.
"Com o investimento da SDA na recuperação do perímetro, eles estão com capacidade para colher 40 toneladas de milho por hectare, apesar do quadro de estiagem", informou Wânia Braga, agrônoma da SDA.
Os técnicos acompanham os agricultores durante todo o plantio fornecendo orientações técnicas. Vão duas vezes por mês ao local. Os agricultores apuraram cerca de R$ 250 mil, valor que após as despesas com energia, manutenção, insumos e preparo para o replantio foi dividido para as nove famílias. Eles preferiram não revelar em que empregaram o que ganharam nesta primeira safra - cerca de R$ 19 mil cada - mas o sorriso de satisfação de João de Deus Ferreira, vice-presidente da associação, diz tudo.
Ele conta que tudo começou com a vinda dos técnicos da SDA ao perímetro no início deste ano. Em reunião com 15 famílias que, à época, pertenciam à associação e estavam interessadas no reparo do pivô do projeto de irrigação, informaram sobre a possibilidade do investimento.
Havia contrapartida por parte dos agricultores, que toparam de imediato. Ficaram nove famílias. Cada família investiu, segundo ele, em torno de R$ 5 mil.
"Existiam peças e materiais que tinham que ser comprados com esse dinheiro da nossa contrapartida, e decidimos investir e acreditar no projeto. E o resultado está aí, valeu o investimento, já recuperamos o que empregamos e ganhamos mais", revela.
João de Deus é o responsável por ligar o equipamento todas as noites e monitorar o funcionamento. Além disso, durante o dia trabalha no local, no plantio e nas atividades necessárias ao bom andamento da lavoura. Com a ajuda da esposa realiza essas atividades diariamente.
Mudança
O agricultor João de Deus Vieira, secretário da associação, conta que o investimento mudou a sua vida. Também não revela em que investiu. Sorriu quando indagado sobre a compra da casa própria e veículos. "Fez uma diferença grande para mim e minha família. O dinheiro que ganhamos deu para comprar algumas coisas que a gente precisava muito". Ele também revela que já está com as "mangas arregaçadas" para a nova colheita.
Modernização
O orientador da Célula de Áreas Irrigadas da SDA, Wanderley Guimarães, ressalta que essa recuperação modernizou o sistema, saindo da irrigação de superfície para sistema localizado. Conforme Guimarães, a revitalização do Perímetro Irrigado do Realejo reativa a produção e gera renda para aqueles produtores. "Nós estamos recuperando a infraestrutura hidráulica dos perímetros irrigados que têm recursos do Estado", disse.
Mais informações:
Secretaria do Desenvolvimento Agrário (SDA)
Avenida Bezerra de Menezes,1820
São Gerardo - Fortaleza
Telefone: (85) 3101.8002.
SILVANIA CLAUDINO
REPÓRTER