Rio Granjeiro transborda e inunda o Crato

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Chuva de 162mm provocou cheia no canal do Rio Granjeiro destruiu asfalto, bombas de combustível

Crato. Tragédia anunciada. Uma chuva de 162mm fez o canal do Rio Granjeiro transbordar, inundando ruas e avenidas. O risco iminente foi antecipado pelo Diário do Nordeste em edição do dia 5 passado. Uma enxurrada arrastou veículos e destruiu cerca de 500 metros de asfalto na Avenida José Alves de Figueiredo, que margeia o canal.

Duas pontes de ferro foram arrastadas pela força das águas. As outras duas pontes de concreto estão comprometidas e interditadas. Cerca de 200 metros de canal foram destruídos. O prefeito Samuel Araripe decretou situação de emergência.

O vice-governador, Domingos Filho, e o secretário de Segurança Pública, Francisco Bezerra, no início da tarde de ontem, seguiram para o Crato para checar os prejuízos. As bombas de combustível dos postos na avenida foram arrastadas. Os postos ficaram totalmente comprometidos. Veículos em estacionamento desses locais foram arrastados pelas águas.

Mais de 300 estabelecimentos comerciais foram inundados e postos de eletricidade arrancados. Cinco casas caíram e dezenas sofreram avarias. As ruas foram cobertas de lama. Máquinas e operários da Prefeitura amanheceram o dia retirando a lama que cobriu as ruas atingidas pela enchente. A água do canal foi represada no Bairro Palmeiral e se espalhou em cinco mil metros quadrados.

A força das águas levou toneladas de alimentos dos armazéns ao longo do canal. Os alimentos ficaram represados próximo à ponte da Avenida Thomas Osterne, no Palmeiral, e moradores aproveitaram para recolher os gêneros. Porém, todos os itens estavam contaminados pela água poluída, que recebe a rede de esgotamento.

No sopé da serra do Crato, os pluviômetros, com capacidade para 160mm, transbordaram. Foram seis horas de chuva, relâmpagos, trovões, medo e prejuízos. A destruição começou na Igreja Nossa Senhora de Fátima, no Bairro Pimenta.

A água do canal invadiu o templo e as casas, derrubando muros e destruindo carros dentro das garagens. O muro do escritório da Semace caiu e o prédio foi inundado. Prejuízo também no escritório do DER. A enxurrada destruiu birôs, estantes, computadores e documentos. O engenheiro Luiz Salviano amanheceu o dia no local, sem condições de trabalho. As agências do Bradesco e da Caixa Econômica, na Rua Almirante Alexandrino, foram inundadas.

Tábua de chuvas

Crato163mm
Juazeiro do Norte 85mm
Pacoti 73mm
Icó 68,3mm
Cariús 66mm
Ipaumirim 65,6mm
Orós 61mm
Guaramiranga 59mm
Tauá 52mm

Fonte: Funceme

MAIS INFORMAÇÕES

Prefeitura do Município do Crato: (88) 3523.2055
Prefeitura do Município de Juazeiro do Norte: (88) 3566.1044

DESABRIGADOS

Defesa Civil mapeia perdas

Crato. O Corpo de Bombeiros e dez equipes da Prefeitura do Crato e Defesa Civil percorrem a cidade contabilizando as perdas. Segundo o prefeito Samuel Araripe são incalculáveis. Até o fechamento desta edição, ainda estava indefinido o total de prejuízos.

O prefeito, que se encontrava em Fortaleza, participando de uma reunião da Associação dos Prefeitos do Ceará (Aprece), fretou um avião para acompanhar o drama. Depois de sobrevoar a área atingida e se reunir com assessores, mobilizou os representantes do Crato na Câmara Federal e na Assembleia com a finalidade de alocar recursos para reconstruir a cidade que ficou parcialmente destruída. Ele também pede apoio ao governador Cid Gomes.

Segundo o secretário de Meio Ambiente do Crato, Nivaldo Soares, os moradores desabrigados serão encaminhados para residências a serem locadas pela Prefeitura. Ele afirma que ainda está sendo realizado levantamento do número de pessoas. A Defesa Civil informou que, até a manhã de ontem, cinco casas ficaram totalmente destruídas, mas o número deve aumentar.

Em Juazeiro do Norte, o Rio Salgado aumentou ao receber a enxurrada que vinha do canal do Rio Granjeiro. Foram 85mm de chuvas que também provocaram inundação de casas. No Lagoa Seca, a falta de drenagem agravou o quadro.

ANTÔNIO VICELMO/ ELIZÂNGELA SANTOS
REPÓRTERES