Psicólogos dão dicas de como atenuar os efeitos da pandemia na saúde mental dos estudantes

Pesquisas realizadas em três instituições de ensino superior no Ceará (IFCE, UFC e Unilab), apontam que mais de 4,5 mil alunos relatam ter sentido efeitos na saúde mental durante o isolamento social.

Legenda: Em março, o governo estadual decretou estado de emergência na saúde pública, com paralisação das atividades em 728 escolas da rede estadual, segundo a Seduc. As instituições de ensino superior também tiveram que suspender as atividades presenciais.
Foto: Natinho Rodrigues

A pandemia alterou rotinas e padrões comportamentais aos quais estávamos habituados. Tais mudanças transformam e podem abalar psicologiamente, conforme advertem especialistas. Entre universitários, esse impacto pode ser mensurado. Segundo pesquisas inéditas realizadas em três instituições de ensino no Ceará (UFC, IFCE e Unilab), mais de 4,5 mil estudantes apontam episódios de ansiedade ou depressão durante a pandemia.

O Sistema Verdes Mares conversou com psicólogos, que dão dicas do que se pode fazer para atenuar os impactos na saúde mental durante este momento.

Antony Rodrigues, psicólogo clínico formado pela UFC, explica que existem atividades do dia a dia que podem nos ajudar a manter a saúde mental no isolamento. "O maior desconforto psicológico que a pandemia trouxe é o de lidar com um ócio, que não estávamos acostumados". O especialista pondera, no entanto, que é preciso consultar os interesses pessoais de cada pessoa para "melhor compreendê-los e saber quais têm valor terapêutico em cada caso".

  1. Praticar atividades físicas, que não necessitam de equipamentos, dentro de casa. Pode-se usar o peso do próprio corpo;
  2. Se o estudante gostar de ler e não quiser perder o foco nos estudos, existem várias empresas com plataformas de cursos onlines, como a Fundação Bradesco;
  3. Meditação e outras práticas que melhorem o controle da respiração são atividades muito boas, principalmente para quem é ansioso; 
  4. Manter o contato, mesmo que virtual, com pessoas queridas. Sabemos que o isolamento social em seres humanos tem consequências danosas. Por isso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) optou, recentemente, por chamar de 'afastamento social'. Esse contato é indispensável para manter uma boa saúde mental durante este momento;

"Quando o sujeito se sente imobilizado pelo medo, ansiedade ou tem o agravamento de outros aspectos do adoecimento psíquico, o recomendado é procurar um psicólogo ou outro profissional da saúde mental que possa auxiliá-lo a retomar seu bem estar mental", acrescenta Rodrigues.

Passos para manter a saúde mental

O especialista em psicologia social, Lindemberg André Saldanha de Sousa, que atua na Divisão de Atenção ao Estudante (DAE), da UFC, também coloca a rotina como uma das principais ferramentas para atenuar os efeitos da pandemia. "A pessoa precisa se organizar, não trocar o dia pela noite, ter hora para comer, realizar as atividades. Além disso, o sono é uma das principais coisas para manter nossa saúde física e mental", avalia.

Ele pondera, no entanto, que é preciso ter cuidado: "Não é pensar que não está acontecendo nada!".

"É fundamental manter uma interação social, na medida do seguro. As pessoas, às vezes, pensam que estão sofrendo sozinhas e, quando conversam sobre isso, descobrem que não. Manter os vínculos é essencial".

Veja outras dicas:

  • Rede de solidariedade: Conseguir ajudar outras pessoas com ações simples, como fazer compras para alguém do grupo de risco, doar mantimentos, etc, é um fator importante para manter sua saúde mental. Quando você ajuda alguém, aquilo também te faz bem;
  • Se informar com qualidade: O modo como você se informa sobre as coisas interfere na sua saúde. Se você só acessa coisas sobre a pandemia, só pensa nisso, também parece que só existe isso no mundo. É importante escolher um horário do dia para se informar com confiança. O indicado é ter um canal de comunicação confiável e acessá-lo em uma frequência moderada, que te dê tempo de fazer outras coisas ao longo do dia. 

Veja série de dicas do psicólogo com recomendações da OMS. 

Rede de apoio

A psicóloga escolar e educacional do IFCE campus Jaguaribe, Raquel Campos Nepomuceno de Oliveira, aponta que os estudantes, têm, também, uma rede de apoio preparada para atender e contribuir com sua saúde mental durante o período de isolamento social. O serviço está funcionando desde o dia 21 de maio exclusivamente para alunos do Instituto Federal.

"Até agora, foram 175 solicitações. Apenas três ainda não atendidas. Das solicitações atendidas, 24 não se relacionavam ao tipo de atendimento ofertado. Todas as restantes (148) foram encaminhadas através de orientação em psicoeducação e/ou de escuta breve e encaminhamentos para a rede de atenção psicossocial". 

A partir do preenchimento de um formulário virtual, o estudante receberá o contato de um dos psicólogos ou psicólogas do IFCE, por telefone ou e-mail. O serviço consiste em uma escuta qualificada e orientação psicológica breve a estudantes da instituição.

A especialista ressalta, ainda, que é natural ter um aumento das manifestações psicológicas em situações de exceção, como em uma pandemia. Essa variações vão desde sentimentos de tristeza, mudanças de humor a quadros mais graves. Isso não significa, porém, que a população esteja necessariamente doente.

Na UFC, os serviços estão disponíveis desde o início do processo. Em nota, a Universidade reforçou que a Divisão de Apoio ao Estudante esteve à disposição durante toda a quarentena, "trabalhando com uma equipe de plantão com psicólogo, psicopedagogo e assistente social". A via de atendimento tem sido digital, por e-mail, mensagem, chamada de voz e de vídeo, e deve permanecer com o retorno às atividades letivas na modalidade remota, a partir de hoje (20)

Veja dicas de como manter uma rotina durante a pandemia.

Canais de atendimento

UFC:

IFCE

Unilab

 

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