Projeto vai investir até R$ 4,5 milhões para jovens de 18 e 29 anos permenecerem no campo

O programa São José Jovem investirá na ampliação de atividades de produção orgânica

GEILZA BENTO E RAIMUNDO DO MONTE
Legenda: O projeto São José Jovem vai apoiar 300 iniciativas inovadoras com financiamento de até R$ 15 mil
Foto: Fábio Oliveira/Arquivo pessoal

A jovem produtora rural de base familiar Maria Geílza Bento, 26, trabalha ao lado do marido, Raimundo do Monte, 29, no sítio Mameluco, zona rural de Várzea Alegre, produzindo verduras e frutas. O casal sonha em construir uma barragem subterrânea para assegurar o plantio no período de estiagem de água (agosto a dezembro) e implantar sistemas de irrigação, mas faltam-lhes recursos financeiros.

No Ceará, centenas de jovens produtores rurais escolheram permanecer no campo, vivendo da atividade herdada de pais e avós, mas precisam de apoio financeiro e de orientação técnica.

Neste ano, surgiu uma oportunidade: o projeto São José Jovem, que vai investir até R$ 4,5 milhões em um total de 300 iniciativas inovadoras com financiamento de até R$ 15 mil para quem tem entre 18 e 29 anos.

No sítio Graiado, zona rural de Várzea Alegre, o jovem agricultor José Edmilson da Silva, 24, concluiu o ensino médio e permanece no campo produzindo verdura, frutas, mel de abelha e polpa de cajá, goiaba, acerola, manga e maracujá, em uma área de quase um hectare.

Com apoio da secretaria de Desenvolvimento Agrário do município, Edmilson elaborou um projeto para reformar uma mandala que foi implantada em 2014 e ampliar área de cultivo irrigado.

José Edmilson da Silva
Legenda: O jovem agricultor José Edmilson da Silva, 24, produz verdura, frutas, mel de abelha e polpa de frutas em uma área de quase um hectare
Foto: Fábio Oliveira/Arquivo pessoal

“Aqui produzimos tudo orgânico e, por isso, tem muita procura, mas a produção ainda é pouca”, pontuou. Em média, com apoio do pai, consegue uma renda mensal de R$ 1.500,00.

Agricultura orgânica

Geilza Bento e Edmilson da Silva têm em comum o sonho de viver da atividade agrícola orgânica e irrigada. Ambos mantêm o desafio de continuar e ampliar um modelo de negócio agrícola moderno e sustentável, de característica familiar. Precisam de apoio financeiro e orientação técnica.

Não nos interessa usar veneno na lavoura, produzir de qualquer jeito. Quem compra nossas verduras e frutas sabe que tudo é orgânico, tem confiança no produto que oferecemos”
Geilza Bento
Agricultora

É um desafio produzir de forma orgânica por causa do ataque de pragas na lavoura. “Por isso a gente precisa de apoio financeiro e de orientação para ampliar a nossa produção e atender uma demanda sempre crescente”, observou Edmilson da Silva.

Ataque de pragas

O biólogo e produtor rural de produtos orgânicos em Iguatu Dauízio Silva observa as dificuldades de manter uma safra mesmo em área reduzida com regularidade. “Muitos desistem porque há queda na colheita, ataque de pragas”, frisou.

“A nossa esperança são os mais jovens porque aqueles de mais idade têm mais dificuldades de deixar o cultivo convencional e se adequar a um sistema sem uso de inseticidas, pesticidas e agrotóxicos”.

Geilza Bento e Edmilson da Silva
Legenda: Geilza Bento e Edmilson da Silva têm em comum o sonho de viver da atividade agrícola orgânica e irrigada
Foto: Fábio Oliveira/Arquivo pessoal

Para o agrônomo Vandeilton Sucupira, “o plantio nas modalidades agroecológico e orgânico tende a ter uma demanda sempre crescente a partir da conscientização dos consumidores que querem evitar frutos e verduras com traças de veneno na mesa e na cozinha”.

Sucupira mostra uma preocupação: “São poucos os jovens que querem permanecer no campo, produzindo ao lado da família, casar e viver no campo, ante os atrativos da cidade”.

José Edmilson da Silva
Legenda: "A gente precisa de apoio financeiro e de orientação para ampliar a nossa produção e atender uma demanda sempre crescente”, diz Edmilson da Silva
Foto: Fábio Oliveira/Arquivo pessoal

O secretário de Desenvolvimento Agrário e Econômico de Várzea Alegre, Matias Alves, disse que a pasta oferece apoio aos jovens interessados em aderir ao projeto São José Jovem. “Temos aqui no município oito jovens interessados”, indicou. “Não há números no Ceará, mas a maioria dos agricultores é de adultos”.

A inserção de jovens na atividade primária ainda é tímida. “Os jovens não têm bons exemplos da vida cheia de dificuldades dos pais e avós e isso é uma barreira”, pontua Sucupira. “Por outro lado, a cidade não acolhe todos de forma digna e já se percebe uma inserção, mesmo pequena, de jovens com projetos de exploração agropecuária, em particular aqueles que não deram continuidade aos estudos”.

 

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