Primeiro dia de reabertura gradual do comércio gera aglomerações no Centro de Iguatu

Após pressão do setor empresarial e dez dias de 'lockdown', a gestão municipal decidiu colocar a cidade em fase de transição. Empresários revelam incertezas.

Iguatu
Legenda: Galeria Gustavo Correia, no Centro de Iguatu, na manhã desta segunda-feira (6).
Foto: Wandenberg Belém

No primeiro dia de reabertura gradual de empresas dos setores do varejo, indústria e de serviços, o Centro de Iguatu, na região Centro-Sul do Ceará, registrou forte movimentação de moradores na manhã desta segunda-feira (6). Na segunda quinzena de junho, o Município chegou a registrar 100% de ocupação de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), o que fez com que a cidade entrasse em regime de lockdow por determinação municipal e do governo do Estado. 

Neste sábado (4), o governor Camilo Santana renovou o decreto de isolamento social rígido em sete cidades do Interior - dentre elas, Iguatu, medida que passa a valer hoje (6). A justificativa apresentada pelo governo estadual é o aumento do número de casos ao longo das duas últimas semanas. Outras cidades que permanecem em isolamento social rígido são: Sobral, Juazeiro do Norte, Crato, Barbalha, Brejo Santo e Tianguá.

Mesmo com o decreto estadual, o prefeito de Iguatu, Ednaldo Lavor, decidiu colocar o Município de volta à fase de transição para retomada econômica. Uma das justificativas é a redução na taxa de ocupação de leitos na cidade, hoje, mais confortável: 40% de ocupação, sendo 20% de moradores de Iguatu e outros 20% de pacientes oriundos de outras cidades da região, segundo informado pela Prefeitura.

Antônio Filho, secretário de Trânsito e Cidadania, que participou de reunião com lojistas e construtores na última sexta-feira (3), que reivindicaram a reabertura dos serviços essenciais, ressalta que a redução na ocupação dos leitos foi essencial para decisão de avançar na reabertura. “Reduzimos a ocupação de leitos de UTI e de enfermarias. Diante dessa situação, o prefeito decidiu retornar à fase de transição”, justificou. 

“Intensificamos a fiscalização e estamos orientando os consumidores e empresários”.

Apesar disso, o secretário de Saúde de Iguatu, George Xavier, pede que a população colabore para que o Município possa avançar e reabrir outros empreendimentos. “Não há necessidade de aglomerações ou filas porque os estabelecimentos voltaram a funcionar em horário normal. Nós pedimos que as pessoas usem máscaras e mantenham o distanciamento recomendado”, ressalta. 

Legenda: O Município concentra uma taxa de transmissão de 1,13, o que significa que 10 pessoas consegue transmitir a doença para outras 11, segunda a Sesa.
Foto: Wandenberg Belém

Segundo o último boletim da Prefeitura, deste domingo (5), o Município registra 1.070 casos confirmados da doenças e 35 óbitos. Um total de 741 pessoas se recuperaram da Covid-19. Outras 16 seguem internadadas. Conforme a Plataforma IntegraSUS, da Secretaria da Saúde (Sesa) do Ceará, o Município concentra uma taxa de transmissão de 1,13, o que significa que 10 pessoas podem transmitir a doença para outras 11.

Segundo a Sesa, índices acima de 1 indicam uma "alta transmissão" da doença e que mais casos seguem sendo gerados.

Lockdown

Nos últimos 10 dias, Iguatu viveu regime de lockdown por determinações municipal e estadual. A decisão de fechar, em dias alternados, até mesmo os serviços essenciais (padarias, supermercados, mercearias, bancos, casas lotéricas e de reduzir horário de funcionamento de postos de gasolina), no entanto, também provocou aglomerações.

O cabelereiro Cícero Gomes reclama da situação atual. “Acho que se não fosse o fechamento, morreriam mais pessoas”, disse, mesmo estando "sem trabalhar" durante este período.

Legenda: No primeiro dia de abertura de alguns setores, agentes do Município verificam a temperatura corporal de alguns moradores.
Foto: Wandenberg Belém

A comerciária Marcia Rocha vive situação semelhante. Ela ficou desempregada por causa da pandemia. “Era vendedora e estou atrás de emprego novamente. Está tudo muito incerto e difícil”, lamenta. Na outra ponto, o lojista Marcos Lima afirma que se o comércio mantiver a reabertura vai ser preciso contratar vendedores, mas ressalta o quadro de incertezas diante do atual cenário. 

“O problema é a dúvida, abre essa semana, contrata trabalhadores, mas na próxima semana muda tudo e tem que fechar novamente. A gente fica sem saber o que fazer”, ressalta Lima.

Para o empresário Tiago Alves, a reabertura traz dúvidas. “A gente fica com medo e não sabe se pode abrir ou não, mas a orientação hoje foi para que não deixasse formar aglomeração”, frisou. “A gente atende também por delivery, exige uso de máscara e oferta álcool em gel, mas é preciso a colaboração dos moradores”.

Acerto

O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Iguatu, José Mota Luciano (Dedé Duquesa) comemorou a decisão do prefeito em colocar a cidade na fase de transição, novamente. “O comércio já não aguenta mais de 110 dias fechado. Antes mesmo da pandemia não havia número elevado de consumidores na maioria das lojas, era só pinga-pinga”, argumentou. “Sou a favor da retomada da economia, com empresários seguindo todos os protocolos de segurança”.

A queda no varejo de Iguatu foi em torno de 80% no quadrimestre - março, abril, maio e junho, segundo a CDL. “A situação ficou insustentável, com empresários com depressão e lojas fechando definitivamente”, lamenta Mota. 

“Esperamos que empresários e consumidores façam cada um a sua parte, seguindo os protocolos de segurança e prevenção”.

Medidas

Mesmo com o decreto estadual determinando o isolamento mais rígido, o prefeito de Iguatu, Ednaldo Lavor, colocou o Município na fase de transição. Com isso, houve autorização de funcionamento para atividades industriais com mão-de-obra variando entre 20% e 60%; serviços gráficos, médicos, odontológicos, fisioterapêuticos e oficinas com ocupação de trabalhadores entre 30% e 100%.

Já o setor comercial tem o seguinte esquema: podem funcionar integralmente estabelecimentos de produtos ortopédicos, artigos óticos, produtos farmacêuticos, fitoterápicos e naturais, gêneros alimentícios; hortifrutigranjeiros e produtos veterinários; para a construção civil, a taxa é de 30%. Já a realização de feiras livres segue proibida.