Poluição compromete Rio Canindé
Antônio Carlos Alves
especial para o Regional
Os sinais de degradação ambiental são cada vez mais freqüentes na área urbana de Canindé. O Rio que nomeia a cidade, por exemplo, está sucumbindo diante do lixo, esgotos jogados em seu leito, ocupação indiscriminada das áreas de encosta e destruição da mata ciliar. Embora todas as agressões aconteçam a olhos vistos, falta compromisso por parte das autoridades ambientais que assegure a defesa do manancial que faz parte da história da cidade de Canindé.
Constantemente, moradores que residem na área de encosta jogam lixo no leito do Rio. Além disso, grande parte da rede de esgoto das residências localizadas às margens do manancial correm para dentro do leito. Já os agricultores, antecipando o plantio da quadra chuvosa, promovem queimadas na área.
As agressões ambientais contra o Rio Canindé tiveram início no ano de 1975, com a ocupação desornada da margem direita. As primeiras casas foram sendo construídas e a Prefeitura Municipal nada fez para conter a invasão. Depois disso, centenas de pessoas passaram a ocupar a área. Hoje, famílias permanecem no local, e as autoridades públicas continuam sem nada fazer em defesa do Rio.
O Rio foi a fonte de alimentação para os nativos — índios Kanindé — que tiravam de suas águas a sobrevivência. Nos últimos anos, embora padecendo, ainda serviu de atração turística para a cidade e foi fonte de alimentação e renda para as famílias ribeirinhas.
A história do Rio Canindé é de muitas agressões. A poluição já começa no seu nascedouro, na Serra da Mariana, em Itatira. Os crimes ambientais contra o manancial se multiplicam ao logo de sua extensão. Ao chegar em Canindé, a seqüência de crimes contra a natureza aumenta, deixando o manancial em estágio terminal.
Já agonizando, segue do município de Canindé para Caridade, onde a situação não é diferente. O leito sofre com a retirada de areia, plantio de capim e uso indiscriminado de agrotóxico, contaminando o lençol freático. Ao chegar em Paramoti, ele recebe o seu “tiro de misericórdia”: carradas de areia são retiradas de seu leito indiscriminadamente, desestabilizando o ecossistema. “A situação é tão crítica que, além da flora, a fauna desapareceu por completo. Os animais que tinham o Rio como habitat natural desapareceram”, conta o vereador Darlano Pinheiro Coelho, ressaltando que o rio é o maior em extensão do Sertão Central. Nasce em Itatira e corta Canindé, Caridade, Paramoti e deságua no açude Pereira de Miranda, em Pentecoste.