Livro homenageia professor José do Vale
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Redação
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Será lançado às 19 horas de hoje, no Salão Arcos, da Universidade Regional do Cariri (Urca), o livro ‘‘Janela para o infinito’’, que reúne depoimentos sobre a vida do professor José do Vale Arraes Feitosa. A obra, editada pela Urca, tem coordenação de Maria do Carmo Feitosa e mostra a trajetória do homem simples, que saiu dos sertões dos Inhamuns ainda menino para fixar-se no Crato, onde, por 42 anos, foi professor de muitas gerações.
Além dos depoimentos de filhos, amigos e autoridades da região do Cariri, o livro traz ainda textos do próprio José do Vale, desde os tempos de Seminário São José, onde chegou meninote, até a homenagem da Câmara Municipal, que lhe conferiu o título de cidadão cratense. José do Vale faleceu em 1997.
Mestre devotado - ‘‘meu ordenado de professor sempre foi compensado pelo sucesso de meus alunos’’, afirmava - José do Vale conservou sempre a ética e a correção sertanejas. Talvez daí advenha seu amor pelas coisas da terra e sua ciosa atenção aos amigos. Ele era um conselheiro.
Mesmo tendo se embrenhado no mundo das ciências, nunca esqueceu a singeleza da roça: ‘‘Lá eu nasci e comecei a crescer, cresci e comecei a viver, vivi e comecei a brincar, brinquei e comecei a gozar a beleza da infância. Infelizmente, não pude continuar a viver neste recanto bucólico dos confins dos Inhamuns’’.
Com coerente militância partidária, soube posicionar-se diante das conturbações políticas que permearam a história recente do País. Quando Castello Branco visitou o Crato pela primeira vez na condição de presidente, foi indicado para saudá-lo, em discurso, pelo então prefeito Pedro Felício Cavalcanti, de quem era amigo, admirador e correligionário. Não aceitou. ‘‘Solidarizava-me com dona Benigna e sua família respeitável, em face às perseguições políticas e aos perjúrios injustamente assacados a Miguel Arraes que, como governador de Pernambuco, se propugnara por uma mudança administrativa a atingir os anseios do povo pernambucano e atender às pretensões inadiáveis de uma geração que buscava, ansiosa, uma resposta firme e decidida para o Nordeste vilipendiado” — Benigna Arraes era a mãe do ex-governador de Pernambuco, Miguel Arraes e, na ocasião, morava no Crato.
O professor era também homem simples, que se abateu e superou a si mesmo para vencer a dor das perdas que marcaram sua vida: seu pai, ainda na primeira infância; o sertão natal; sua primeira esposa, Gislélia; monsenhor Rubens Lóssio; seu irmão-companheiro Fernando; amigos... Mas também um apaixonado: ‘‘Lá no meu sertão respira-se um clima de confiança, de respeito à pessoa humana, de honestidade familiar, de hospitalidade e de bondade. (...) Foi neste sertão que me encantei com você, Maria... alegre, radiante e meiga. Filha dos Inhamuns, educada em colégio da cidade, de formação cristã sólida. Amiga e companheira de todas as horas. Como é bom ter você! Sertão, meu sertão, como é bom ter uma sertaneja!’’
Além dos depoimentos de filhos, amigos e autoridades da região do Cariri, o livro traz ainda textos do próprio José do Vale, desde os tempos de Seminário São José, onde chegou meninote, até a homenagem da Câmara Municipal, que lhe conferiu o título de cidadão cratense. José do Vale faleceu em 1997.
Mestre devotado - ‘‘meu ordenado de professor sempre foi compensado pelo sucesso de meus alunos’’, afirmava - José do Vale conservou sempre a ética e a correção sertanejas. Talvez daí advenha seu amor pelas coisas da terra e sua ciosa atenção aos amigos. Ele era um conselheiro.
Mesmo tendo se embrenhado no mundo das ciências, nunca esqueceu a singeleza da roça: ‘‘Lá eu nasci e comecei a crescer, cresci e comecei a viver, vivi e comecei a brincar, brinquei e comecei a gozar a beleza da infância. Infelizmente, não pude continuar a viver neste recanto bucólico dos confins dos Inhamuns’’.
Com coerente militância partidária, soube posicionar-se diante das conturbações políticas que permearam a história recente do País. Quando Castello Branco visitou o Crato pela primeira vez na condição de presidente, foi indicado para saudá-lo, em discurso, pelo então prefeito Pedro Felício Cavalcanti, de quem era amigo, admirador e correligionário. Não aceitou. ‘‘Solidarizava-me com dona Benigna e sua família respeitável, em face às perseguições políticas e aos perjúrios injustamente assacados a Miguel Arraes que, como governador de Pernambuco, se propugnara por uma mudança administrativa a atingir os anseios do povo pernambucano e atender às pretensões inadiáveis de uma geração que buscava, ansiosa, uma resposta firme e decidida para o Nordeste vilipendiado” — Benigna Arraes era a mãe do ex-governador de Pernambuco, Miguel Arraes e, na ocasião, morava no Crato.
O professor era também homem simples, que se abateu e superou a si mesmo para vencer a dor das perdas que marcaram sua vida: seu pai, ainda na primeira infância; o sertão natal; sua primeira esposa, Gislélia; monsenhor Rubens Lóssio; seu irmão-companheiro Fernando; amigos... Mas também um apaixonado: ‘‘Lá no meu sertão respira-se um clima de confiança, de respeito à pessoa humana, de honestidade familiar, de hospitalidade e de bondade. (...) Foi neste sertão que me encantei com você, Maria... alegre, radiante e meiga. Filha dos Inhamuns, educada em colégio da cidade, de formação cristã sólida. Amiga e companheira de todas as horas. Como é bom ter você! Sertão, meu sertão, como é bom ter uma sertaneja!’’