Pesquisa inédita da Uece resulta na 1ª gestação de caprino em ovário artificial do mundo

Agora, o próximo objetivo dos pesquisadores é alcançar o desenvolvimento dos embriões

Nos últimos anos as pesquisas científicas realizadas no Ceará têm demonstrado importantes avanços e ocupado lugar de destaque. A mais recente delas, inédita em todo o mundo, possibilitou a primeira gestação em caprino com ovário artificial. O estudo foi realizado pela Faculdade de Veterinária da Universidade Estadual do Ceará (Favet/Uece) e publicado na revista científica internacional ‘Molecular Reproduction and Development’.  

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A técnica, conforme explica o coordenador da pesquisa, José Ricardo Figueiredo, visa a preservação da sobrevivência e crescimento ‘in vitro’ de óvulos fora do organismo materno.

“Em um ovário natural o aproveitamento de óvulos é muito baixo, uma eficiência de 0,1%, e o ambiente artificial tem o propósito de melhorar essa eficiência”, acrescenta o professor e pesquisador.  

Apesar de os testes terem sido feitos em caprino, o objetivo futuro é expandir para outros animais e, também, “no tratamento de infertilidade em humanos - mulheres com câncer, por exemplo”, anseia Figueiredo. No entanto, os pesquisadores ainda não conseguiram realizar o desenvolvimento dos embriões.

“Já testamos centenas de meios de cultivo dos óvulos, mas precisamos colocar os ingredientes na proporção certa – hormônios, insulina, minerais – tudo balanceado. Sou muito otimista com o avanço da pesquisa, temos de galgar uma etapa de cada vez até produzir o embrião que após transferência para o útero de uma fêmea receptora possa progredir na gestação e gerar uma cria saudável”, detalhou o professor.  

O avanço da pesquisa, já considerada importante no meio científico internacional por obter, ainda segundo Ricardo, “gestação a partir de óvulos que sobreviveram, cresceram, maturaram e produziram embriões in vitro”, pode esbarrar na falta de recursos.  

O estudo tem o financiamento do Pronex CNPq/Funcap, mas nos últimos dois anos a verba destinada declinou. De R$ 120 mil por ano, o recurso caiu para R$ 12 mil. A equipe de pesquisadores foi reduzida de 46 para 20.

“É torcer para que nenhum equipamento quebre”, critica o docente. Para vencer o desafio de fazer pesquisa científica de ponta com reduzido recurso, o professor busca parceria público-privada. Apesar dos desafios, a equipe se mantém otimista. “Vamos seguir tentando avançar com a pesquisa até levar uma gestação a termo e portanto produzir crias saudáveis utilizando a tecnologia do ovário artificial”.

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