Palhano aposta em certificação para expandir produção de frutas

O município no Vale do Jaguaribe pode triplicar o cultivo de melão e melancia com certificação para exportação aos Estados Unidos. Especialistas realizam esforço conjunto de monitoramento da 'mosca da fruta' para viabilizar a venda

Palhano, no Vale do Jaguaribe, pode triplicar a produção no campo cearense e expandir a exportação de melões e melancias para os Estados Unidos, conforme resultado da auditoria feita pelo Departamento de Agricultura norte americano no fim de setembro. Essa visita dos agentes do Serviço de Inspeção de Saúde Animal e Vegetal estrangeiro objetiva constatar a ausência de insetos conhecidos como "moscas das frutas", Anastrepha grandis. Com isso, o Município receberá certificação americana e poderá exportar as frutas aos EUA. O resultado deve ser positivo e recebido ainda neste ano, como estima a Agência de Defesa Agropecuária do Estado (Adagri). O órgão brasileiro já realizou testes em que não foram encontrados os insetos capazes de causar doenças e estragar os frutos.

Com mais terra regulamentada para produção, a estimativa de expansão salta para 37.500 toneladas de frutas, com geração de 1.500 empregos já no primeiro ano de atividades, de acordo com a Lide Agronegócios no Estado.

"Não há a presença (da mosca) aqui. Ela tem de permanecer fora para que consigamos manter a área que chamamos de livre e os países aceitem comprar essas frutas. É um trabalho de vários anos", detalha a coordenadora do bacharelado em Agronomia do IFCE de Limoeiro do Norte, Ana Raquel de Oliveira Mano.

No esforço conjunto, reflete a professora, busca-se o desenvolvimento regional com mais investimentos nas plantações. "Na parceria do IFCE, como uma instituição de âmbito federal, da Adagri e da iniciativa privada, todos estão trabalhando com o único objetivo de manutenção dessa área livre para favorecer a exportação e a agricultura local".

Já existe reconhecimento de Palhano como área livre do inseto pelo Ministério da Agricultura, mas se garantir aprovação pelo departamento norte americano, o município entra para o grupo autorizado a enviar os frutos para outros países. Na lista já estão Aracati, Icapuí, Itaiçaba, Jaguaruana, Russas, Quixeré e Limoeiro do Norte.

"Com a vinda de novos mercados, como o da China, que é o mais recente, traz a necessidade de ampliação da área livre. E a nossa expectativa é de que, com disponibilidade de água e ampliação do mercado de exportação, a gente vai praticamente triplicar a produção no campo", ressalta Neiliane Borges, diretora de Prevenção pela Adagri. Dia 26 deste mês, os chineses devem receber a primeira carga de melão cearense, com 3.400 caixas.

No último ano, como destaca a diretora, foram exportados 41 milhões de dólares em frutas para países como Holanda, Reino Unido, Espanha, Itália e Emirados Árabes. "Então, a expectativa é da gente manter esse mercado e abrir novos com a ampliação dessa área livre", acrescenta.

Desafio na expansão

O Estado teve queda no espaço destinado à produção de frutos, pela falta de um fator essencial: o abastecimento de água. "A escassez de água tem sido um fator limitante para a produção, porque são culturas exigentes com relação a água. Palhano foi um dos municípios que já produziu bastante melão e melancia, mas uma empresa saiu de lá para produzir na Bahia e no Piauí por falta de água", comenta Neiliane Borges.

Conforme a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, entre 2012 e 2019, o Rio Grande do Norte, que assumiu o primeiro lugar na exportação de melão, até então ocupado pelo Ceará; teve sua área de cultivo aumentada em 53%, passando de 9.062 hectares para 16.993 ha. Enquanto isso, o espaço cearense teve redução de 73% da área plantada, com queda de 7.794 para 2.071 ha em igual período.

Cenário que pode mudar com a chegada das águas do Rio São Francisco ao Açude Castanhão, em que produtores já manifestam a retomada da produção aos municípios cearenses, como observa a representante da Adagri.

Tom Prado, diretor do Lide Agronegócios no Ceará, destaca que não basta a licença norte americana, mas a oferta do recurso natural. "Mesmo que seja via transferência do Canal da Integração, aí sim será possível o plantio e a exportação de melão e melancia".

O diretor explica que o abastecimento pelo Rio Jaguaribe é dificultado pela perda de água, e o Açude Castanhão está com baixa reserva, hoje de 13,37%. "Sem falar em usos não autorizados, sem outorga. Já pelo canal da Integração e pelo Canal do Trabalhador, os usos são mais fiscalizados, tem de ter outorga e tem menor percolação e infiltração", acrescenta Tom Prado.

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