Juazeiro do Norte reduz capacidade de igrejas e proíbe entrada de ônibus com romeiros devido à Covid

A medida ocorre devido à celebração da morte de Padre Cícero, entre 17 e 20 de julho, e também impede montagem de barracas, sob pena de multa que varia de R$ 200 a R$ 75 mil

Ônibus com romeiros foram proibidos em Juazeiro do Norte
Legenda: Novo decreto proíbe a entrada de caminhões e ônibus em Juazeiro do Norte entre os dias 17 e 20 de Julho
Foto: Antonio Rodrigues

Diante da preocupação com a Covid-19, o prefeito de Juazeiro do Norte, Glêdson Bezerra, proibiu a entrada de caminhões e ônibus com romeiros, entre os dias 17 e 20 de julho, período da tradicional romaria que celebra a morte do Padre Cícero. Além disso, o Município reduziu a capacidade de acolhimento dos templos, passando de 50% para 30%.  

A decisão foi publicada na quarta-feira (14), por meio do decreto nº 668. Com isso, ficou definido que, para o próximo fim de semana, além das igrejas, bares, restaurantes e os chamados “ranchos” — pousadas populares que recebem os fiéis — funcionarão com 30% da capacidade.

O acesso à colina do Horto, onde está erguida a estátua do Padre Cícero, também foi suspenso, assim como os funcionamentos da Fundação Memorial Padre Cícero e dos Museus.  

No caso dos dois templos que terão missas presenciais, a quantidade de fiéis comportada será a seguinte:

  • Basílica de Nossa Senhora das Dores, que pode abrigar até 350 pessoas sentadas, terá capacidade para 105 pessoas;
  • Capela do Perpétuo Socorro, que acolhe até 100 fiéis, com o decreto municipal se limitará à 30 fiéis.  

A medida também proíbe a fixação de bancas, barracas, entre outros instrumentos de comércio, sejam de pessoas da própria cidade ou de forasteiros. Apenas camelôs de Juazeiro do Norte com pontos já instalados poderão trabalhar neste período.  

Desobediência pode gerar multa 

Em caso de descumprimento, será  aplicada multa no valor de R$ 200 por pessoa. No caso de pessoa jurídica, a pena de multa será afixada em R$ 1mil, podendo ser elevada até R$10 mil e, no caso de reincidência, a até R$ 75 mil. Pode,  ainda, haver interdição no funcionamento por sete dias. Em caso de reincidência, será ampliado para 30 dias.

Romeiros não podem entrar em Juazeiro do Norte devido à pandemia
Legenda: Os romeiros também não poderão te acesso à colina do Horto, onde está erguida a estátua do Padre Cícero
Foto: Antonio Rodrigues

De acordo com o gestor, a decisão foi motivada pelos dados epidemiológicos e, também, pelo ritmo atual de vacinação, que ainda não é o ideal. “Embora o Ceará seja um dos estados que mais vacine, obviamente ainda não oferece a segurança. E se estamos entre os que mais vacinam, imagine como está por aí (em outros estados). Não temos condições de selecionar quem está vacinado para vir ao município”, salientou. 

Segundo os dados da Secretaria de Saúde de Juazeiro do Norte, publicados na última terça-feira (13), 48,4% da população acima de 18 anos já tomou a 1ª dose ou dose única da vacina, porcentagem que representa um total de 97.188 pessoas.

Já na segunda dose, foram aplicadas em 31.670 habitantes. No total, a maior cidade do interior do Estado tem um público adulto de 200.772 pessoas. 

Além da vacinação do próprio município, a Prefeitura de Juazeiro do Norte preocupa-se com o andamento da imunização nas diversas cidades que visitam a terra do Padre Cícero.

“Poderia acontecer um ‘bum’ da doença e Juazeiro poderia amargar, em 15 dias, o fechamento de comércio e medidas mais duras, além dos próprios romeiros levarem o vírus para suas cidades e trazer prejuízos”, completa. 

Na quarta-feira (14), o prefeito conversou com representantes da Igreja e solicitou que a romaria seja realizada em formato virtual, como vem sendo nas últimas edições.

Secretaria orienta paróquias 

Paralelo a isso, a Secretaria de Turismo e Romaria de Juazeiro do Norte (Setur) está em contato com as diversas paróquias, prefeituras e lideranças que costumam vir à terra do Padre Cícero com a orientação que cancelem suas idas. “Tinham cidades que informaram que viriam com caravana de 60 ônibus para nosso município”, preocupou-se Glêdson. 

Apesar do decreto, o prefeito ressalta que os romeiros “serão sempre bem-vindos". “Os nossos visitantes são imprescindíveis para o nosso desenvolvimento”, reforça. 

Porém, por apelo de “preservação da vida”, como coloca Glêdson, pede que acompanhem a programação em formato virtual. “Quem sabe, em breve, uma vez com a população vacinada, possamos nos reencontrar. São apenas quatro dias, mas que podem significar muito para o futuro”, acrescenta o chefe do executivo.  

Já o padre Cícero José da Silva, reitor da Basílica de Nossa Senhora das Dores, disse que “embora dura”, essa foi a única forma encontrada pelo poder público de diminuir a disseminação da doença.

“É grave o perigo de contaminação. E é maior ainda em se tratando de aglomeração de pessoas”, alertou.   

Aos romeiros, o sacerdote reforçou: “permaneçam, então, em suas casas, rezando em sintonia conosco e pedindo a Deus para que a vacinação seja agilizada. Com mais pessoas imunizadas, poderemos retomar as romarias presenciais”, completou.  

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