Estrutiocultores questionam preço do casal de ave
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José Leomar
O Programa Avestruz do Ceará quer incentivar a criação de avestruz por agricultores familiares em municípios cearenses
Fortaleza. O Programa Avestruz do Ceará, lançado no último dia 9, está causando polêmica entre os criadores das aves, já atuantes no Estado. Através do programa, a Secretaria do Desenvolvimento Agrário (SDA) do Ceará quer incentivar os pequenos produtores a incrementarem a renda mensal investindo na criação de avestruzes em suas propriedades.
O programa conta com o investimento total de R$ 2,76 milhões, oriundos do Fundo Estadual de Combate à Pobreza (Fecop), e R$ 2,55 milhões do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). O casal de aves adultas está sendo cotado a R$ 6 mil, pelo financiamento ofertado pelo programa.
Após reportagens publicadas pelo Diário do Nordeste, datadas do último dia 8, e intituladas “Avestruz para Agricultores” e “Experiências anteriores servem de alerta”, o assessor técnico do programa, Tadeu Lavor, da SDA, recebeu várias ligações de produtores interessados em participar, como fornecedores das aves.
Porém, os criadores questionam o valor do financiamento de R$ 6 mil, para o casal de avestruzes, destinados aos pequenos produtores. “Esse preço não existe no mercado. Nós, criadores, venderíamos um casal a partir de mil reais”, afirma Kátia Gonçalves, há 4 anos como criadora no Estado.
Animais adultos
Kátia Gonçalves, juntamente com os criadores Antônio Josimir Holanda Ramos, Fabrício de Pontes Goes e Pedro Colaço, após conheceram o programa pelas reportagens do Diário do Nordeste, entraram em contato com a Secretaria de Desenvolvimento Agrário (SDA), propondo a venda de casais por preços que variam de R$ 1 mil a R$ 2,5 mil, mas a SDA não aceitou as propostas apresentadas.
O assessor técnico do Programa, Tadeu Lavor, explica que o preço de R$ 6 mil foi definido porque os animais a serem comprados deverão ter 36 meses de idade. “Um animal de 3 anos está pronto para a reprodução e é mais caro do que um animal de, por exemplo, 1 ano de idade”, defende Lavor. Os criadores concordam com o preço maior, a partir da idade do animal mas, mesmo assim, dizem vender mais barato. O estrutiocultor, Antônio Josimir Holanda Ramos, por exemplo, garante que vende um casal de aves de 3 anos de idade por apenas R$ 2,5 mil.
Além da idade da ave, a SDA exige outros requisitos que justificam a cotação maior. “Além disso, os requisitos às quais a empresa vendedora das aves deve responder são vários. Assim, ela precisa estar registrada no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), e ter uma certificação sanitária, expedida pelo órgão, comprovando que o criatório se encontra livre de doenças como Newcastle, salmonela, micoplasma e influenza aviária”, afirma Tadeu Lavor. O assessor ainda acrescenta mais exigências do programa. A empresa precisa ter abatedouro, encubadora e frigorífico próprios.
Requisitos atendidos
“Ainda não foi definida a empresa integradora do projeto, mas é provável que seja a Aravestruz, com sede em Sobral, por ela corresponder a todos esses requisitos determinados pelo programa”, ressalta. “Porém, qualquer empresa que também corresponda a esses requisitos pode vender avestruzes para o programa, e nós pagaremos os R$ 6 mil”, garante Tadeu Lavor.
Porém, de acordo com ele, no Ceará existem apenas três produtores cearenses de avestruz que cumprem as primeiras duas exigências: a Aravestruz, de Sobral, a Cocecal, de Beberibe, e a Fazenda Canhotinho, em Quixeramobim. Mas nos últimos dois casos, os outros requisitos não são cumpridos.
“Nos últimos três anos, participei de várias reuniões de cooperativas do setor, alertando os produtores para a falta de registro no Ministério da Agricultura. Infelizmente muitos desses criadores ainda não solicitaram ou conseguiram o documento”, explica Lavor. “Sem isso não podemos incluí-los no programa”, conclui.
Porém, de acordo com o criador Antônio Josimir, é difícil conseguir o registro do Mapa. “Nós, criadores, já solicitamos uma visita na nossa propriedade para que ela possa ser avaliada para o registro mas, até o momento, ainda não aconteceu a vistoria. Precisamos esperar muito para nos adequar a todos esses critérios que a SDA propõe”, conclui.
AN COPPENS
Repórter
Mais informações:
Secretaria do Desenvolvimento Agrário do Estado
Av. Bezerra de Menezes, 1820
Fortaleza (CE)
(85) 31018129
DIFICULDADES NA VENDA
Criadores reclamam da falta de mercado
Fortaleza. “Não há mercado para avestruz”. É o que afirma o estrutiocultor Antônio Josimir Holanda Ramos, na criação da ave desde 2003, no município de Caridade. O criador, que quer vender um casal de aves para o programa Avestruz do Ceará por apenas R$ 2,5, acredita que não há mercado para os novos criadores da ave. “Nós estamos passando por grandes dificuldades no setor”, explica. “Eu já tive um prejuízo de mais de R$ 200 mil e estou tentando vender as aves, mas não consigo”, completa Josimir Ramos.
A opinião do produtor é confirmada pela também estrutiocultora, Kátia Gonçalves, que trabalha com avestruz há 4 anos em Maranguape. “Investi pesado no meu negócio e hoje tenho mais de 300 animais, mas não tenho lucratividade”, reclama ela, que diz estar pessimista em relação ao programa estadual lançado recentemente. “Além de superfaturar a compra do animal reprodutor, o governo está investindo num setor que está indo mau”, diz a agricultora.
Kátia explica que o prejuízo que está tendo, tem origem nos gastos altos com a manutenção das aves, como ração, incubação, abatedouro, entre outros gastos. Acrescenta ainda que o preço de venda do animal para consumo, que seria apenas R$ 400,00, não compensa os custos altos de manutenção das aves em seu criatório.
Outra dificuldade que a produtora aponta é a tecnologia requisitada para a incubação dos ovos. “O ovo requer muitos cuidados, é fácil de contaminar e muito vulnerável para ser transportado para uma incubadora distante”, ressalta. “Além de tudo isso, não é fácil exportar os animais, porque o Ceará se encontra dentro de uma área de risco sanitário desconhecido”, completa Kátia.
O criador Ariston Lopes de Almeida, há 4 anos e meio no ramo, em Maranguape, divide a opinião dos dois outros produtores. “Acho arriscado o governo investir no setor, ainda mais fechar um convênio com uma empresa que já teve problemas nos Estados de São Paulo e de Bahia”, lembra Ariston. O agricultor ainda reclama das dificuldades, que diz encontrar, para cumprir os requisitos que o programa exige do fornecedor das aves para o projeto. “Entrei em contato com uma nova associação de criadores em Itapajé, querendo lhes fornecer casais de avestruz por apenas R$ 3 mil cada, mas me responderam que o projeto irá comprar as aves somente da Aravestruz”, lamenta.
Saiba mais
Infra-estrutura
A empresa integradora do projeto precisa possuir um criatório completo, com instalações para filhotes, um central de incubação, uma fábrica de ração, um frigorífico e um abatedouro.
Registro
É preciso ainda, que a empresa possua um Registro Definitivo de Multiplicador Animal no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), além de uma Certificação Sanitária do Rebanho, expedida pelo órgão.
Produção
A empresa também precisa garantir a compra da produção de cada produtor beneficiado pelo programa, através de um Contrato de Compra, registrado em Cartório do município.
Fortaleza. O Programa Avestruz do Ceará, lançado no último dia 9, está causando polêmica entre os criadores das aves, já atuantes no Estado. Através do programa, a Secretaria do Desenvolvimento Agrário (SDA) do Ceará quer incentivar os pequenos produtores a incrementarem a renda mensal investindo na criação de avestruzes em suas propriedades.
O programa conta com o investimento total de R$ 2,76 milhões, oriundos do Fundo Estadual de Combate à Pobreza (Fecop), e R$ 2,55 milhões do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). O casal de aves adultas está sendo cotado a R$ 6 mil, pelo financiamento ofertado pelo programa.
Após reportagens publicadas pelo Diário do Nordeste, datadas do último dia 8, e intituladas “Avestruz para Agricultores” e “Experiências anteriores servem de alerta”, o assessor técnico do programa, Tadeu Lavor, da SDA, recebeu várias ligações de produtores interessados em participar, como fornecedores das aves.
Porém, os criadores questionam o valor do financiamento de R$ 6 mil, para o casal de avestruzes, destinados aos pequenos produtores. “Esse preço não existe no mercado. Nós, criadores, venderíamos um casal a partir de mil reais”, afirma Kátia Gonçalves, há 4 anos como criadora no Estado.
Animais adultos
Kátia Gonçalves, juntamente com os criadores Antônio Josimir Holanda Ramos, Fabrício de Pontes Goes e Pedro Colaço, após conheceram o programa pelas reportagens do Diário do Nordeste, entraram em contato com a Secretaria de Desenvolvimento Agrário (SDA), propondo a venda de casais por preços que variam de R$ 1 mil a R$ 2,5 mil, mas a SDA não aceitou as propostas apresentadas.
O assessor técnico do Programa, Tadeu Lavor, explica que o preço de R$ 6 mil foi definido porque os animais a serem comprados deverão ter 36 meses de idade. “Um animal de 3 anos está pronto para a reprodução e é mais caro do que um animal de, por exemplo, 1 ano de idade”, defende Lavor. Os criadores concordam com o preço maior, a partir da idade do animal mas, mesmo assim, dizem vender mais barato. O estrutiocultor, Antônio Josimir Holanda Ramos, por exemplo, garante que vende um casal de aves de 3 anos de idade por apenas R$ 2,5 mil.
Além da idade da ave, a SDA exige outros requisitos que justificam a cotação maior. “Além disso, os requisitos às quais a empresa vendedora das aves deve responder são vários. Assim, ela precisa estar registrada no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), e ter uma certificação sanitária, expedida pelo órgão, comprovando que o criatório se encontra livre de doenças como Newcastle, salmonela, micoplasma e influenza aviária”, afirma Tadeu Lavor. O assessor ainda acrescenta mais exigências do programa. A empresa precisa ter abatedouro, encubadora e frigorífico próprios.
Requisitos atendidos
“Ainda não foi definida a empresa integradora do projeto, mas é provável que seja a Aravestruz, com sede em Sobral, por ela corresponder a todos esses requisitos determinados pelo programa”, ressalta. “Porém, qualquer empresa que também corresponda a esses requisitos pode vender avestruzes para o programa, e nós pagaremos os R$ 6 mil”, garante Tadeu Lavor.
Porém, de acordo com ele, no Ceará existem apenas três produtores cearenses de avestruz que cumprem as primeiras duas exigências: a Aravestruz, de Sobral, a Cocecal, de Beberibe, e a Fazenda Canhotinho, em Quixeramobim. Mas nos últimos dois casos, os outros requisitos não são cumpridos.
“Nos últimos três anos, participei de várias reuniões de cooperativas do setor, alertando os produtores para a falta de registro no Ministério da Agricultura. Infelizmente muitos desses criadores ainda não solicitaram ou conseguiram o documento”, explica Lavor. “Sem isso não podemos incluí-los no programa”, conclui.
Porém, de acordo com o criador Antônio Josimir, é difícil conseguir o registro do Mapa. “Nós, criadores, já solicitamos uma visita na nossa propriedade para que ela possa ser avaliada para o registro mas, até o momento, ainda não aconteceu a vistoria. Precisamos esperar muito para nos adequar a todos esses critérios que a SDA propõe”, conclui.
AN COPPENS
Repórter
Mais informações:
Secretaria do Desenvolvimento Agrário do Estado
Av. Bezerra de Menezes, 1820
Fortaleza (CE)
(85) 31018129
DIFICULDADES NA VENDA
Criadores reclamam da falta de mercado
Fortaleza. “Não há mercado para avestruz”. É o que afirma o estrutiocultor Antônio Josimir Holanda Ramos, na criação da ave desde 2003, no município de Caridade. O criador, que quer vender um casal de aves para o programa Avestruz do Ceará por apenas R$ 2,5, acredita que não há mercado para os novos criadores da ave. “Nós estamos passando por grandes dificuldades no setor”, explica. “Eu já tive um prejuízo de mais de R$ 200 mil e estou tentando vender as aves, mas não consigo”, completa Josimir Ramos.
A opinião do produtor é confirmada pela também estrutiocultora, Kátia Gonçalves, que trabalha com avestruz há 4 anos em Maranguape. “Investi pesado no meu negócio e hoje tenho mais de 300 animais, mas não tenho lucratividade”, reclama ela, que diz estar pessimista em relação ao programa estadual lançado recentemente. “Além de superfaturar a compra do animal reprodutor, o governo está investindo num setor que está indo mau”, diz a agricultora.
Kátia explica que o prejuízo que está tendo, tem origem nos gastos altos com a manutenção das aves, como ração, incubação, abatedouro, entre outros gastos. Acrescenta ainda que o preço de venda do animal para consumo, que seria apenas R$ 400,00, não compensa os custos altos de manutenção das aves em seu criatório.
Outra dificuldade que a produtora aponta é a tecnologia requisitada para a incubação dos ovos. “O ovo requer muitos cuidados, é fácil de contaminar e muito vulnerável para ser transportado para uma incubadora distante”, ressalta. “Além de tudo isso, não é fácil exportar os animais, porque o Ceará se encontra dentro de uma área de risco sanitário desconhecido”, completa Kátia.
O criador Ariston Lopes de Almeida, há 4 anos e meio no ramo, em Maranguape, divide a opinião dos dois outros produtores. “Acho arriscado o governo investir no setor, ainda mais fechar um convênio com uma empresa que já teve problemas nos Estados de São Paulo e de Bahia”, lembra Ariston. O agricultor ainda reclama das dificuldades, que diz encontrar, para cumprir os requisitos que o programa exige do fornecedor das aves para o projeto. “Entrei em contato com uma nova associação de criadores em Itapajé, querendo lhes fornecer casais de avestruz por apenas R$ 3 mil cada, mas me responderam que o projeto irá comprar as aves somente da Aravestruz”, lamenta.
Saiba mais
Infra-estrutura
A empresa integradora do projeto precisa possuir um criatório completo, com instalações para filhotes, um central de incubação, uma fábrica de ração, um frigorífico e um abatedouro.
Registro
É preciso ainda, que a empresa possua um Registro Definitivo de Multiplicador Animal no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), além de uma Certificação Sanitária do Rebanho, expedida pelo órgão.
Produção
A empresa também precisa garantir a compra da produção de cada produtor beneficiado pelo programa, através de um Contrato de Compra, registrado em Cartório do município.