Equipamentos tecnológicos vão definir índices de assoreamento de açudes no Ceará

O processo de perda de armazenamento de água traz preocupação com o decorrer dos anos

Legenda: Devido ao assoreamento, o Açude Orós, segundo maior do Estado, já reduziu em 10% sua capacidade de armazenamento de água
Foto: Honório Barbosa

O Ceará tem 155 açudes estratégicos - médios e grandes – para o abastecimento de centros urbanos. Estes açudes são monitorados pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh). Mas qual a capacidade real de acúmulo de água de cada açude? Saber o volume correto é necessário para o planejamento das operações de liberação de água adotadas pelos Comitês de Bacias Hidrográficas. 

Com o objetivo de ampliar e melhorar o serviço de batimetria (cálculo de profundidade e volume da água), a Cogerh adquiriu cinco equipamentos modernos. Com o passar dos anos, ocorre o assoreamento (acúmulo de terra na bacia dos açudes levada pelos rios e riachos durante as enxurradas), que traz como consequência a diminuição da capacidade de acúmulo de recurso hídrico dos reservatórios. 

Como funciona

Os kits dispõem de ecobatímetros (medidores), GPS e barco de controle remoto, que permite o acesso a áreas muito rasas ou de difícil acesso de forma tradicional na bacia dos açudes. O técnico da Gerência de Desenvolvimento Operacional da Cogerh, Rodrigo Vasconcelos, pontuou que a companhia dispõe de três equipamentos mais antigos e que agora os novos kits são modernos e mais precisos.

“Vamos obter resultados mais próximos do real para melhorar o nosso trabalho”, explicou. 

De acordo com o técnico da gerência Metropolitana da Cogerh, Alísson Pontes, os servidores estão aptos para manusear os equipamentos e ir a campo visando coletar e processar os dados. “O levantamento é feito com regularidade”, disse.

A cada ano, ocorrem nos meses de julho e dezembro, reuniões dos Comitês de Bacias Hidrográficas para definição de vazão (liberação de água) dos principais reservatórios para consumo humano, dessedentação de animais e irrigação.

“Essas operações têm como base o volume dos açudes, daí a importância de se conhecer o dado correto para definir a quantidade de água a ser liberada”, explicou o secretário Executivo de Recursos Hídricos (SRH), Aderilo Alcântara. 

Açudes 

Alcântara pontuou que o assoreamento reduz a capacidade de acúmulo de água e traz preocupação para a política pública de gerenciamento. “Com o avançar dos anos, as reservas acumuladas ficam menores e precisamos ter sempre um dado mais próximo do real”, pontuou.

O Departamento de Engenharia Hidráulica e Ambiental da Universidade Federal do Ceará (UFC) estima que o nível médio de assoreamento é de 2%, a cada década. O Açude Orós, o segundo maior do Ceará, quando foi construído, em 1961, tinha capacidade para acumular 2 bilhões de metros cúbicos. Com o decorrer dos anos, sofreu processo de assoreamento. Hoje o volume total é menor cerca de 10% do estimado inicialmente. 

O Açude Quixeramobim é um dos reservatórios que ficaram muito aterrados com o passar dos anos, e recentemente foi feito um serviço de retirada de terra de sua bacia. Construído em 1960, no Sertão Central, com capacidade para 54 milhões de metros cúbicos, o assoreamento é estimado em 30%

O Açude Roberto Costa (Trussu) em Iguatu quando foi construído, em 1996, constava no projeto original capacidade de acumular 300 milhões de m3, mas, após serviço de batimetria, verificou-se uma redução para 268.8 milhões de m3. Já o Açude Jaburu I, nos municípios de Tianguá e Ubajara, na Serra da Ibiapaba, tem índice estimado de assoreamento de 18%. 

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