Encontro virtual marca início da “Semana Estadual de Proteção aos Manguezais” no Ceará

Os encontros acontecem de 9h às 12h, em formato virtual.

Legenda: O Brasil é o país com a terceira maior área de manguezais do mundo.
Foto: Divulgação/Sema

Berçário de várias espécies e ecossistema considerado essencial na captação e retenção de carbono, os manguezais ocupam quase 17 mil hectares do território cearense. Para debater sobre sua importância e efetivação de políticas no Estado, uma rede de pesquisadores, entidades e personagens ligados à preservação ambiental realizam, nesta sexta-feira (24), o Seminário Semana Estadual de Proteção aos Manguezais, e, amanhã (25), o Workshop Rede Nacional dos Manguezais

Os encontros acontecem de 9h às 12h, em formato virtual, e são promovidos pelo Ecomuseu Natural do Mangue, com apoio da Secretaria do Meio Ambiente (Sema)

O secretário do Meio Ambiente, Arthur Bruno, que participará do encontro nesta sexta, destaca a importância dos manguezais. “O Brasil é o País do mundo onde mais se percebe a presença desses ecossistemas. No Ceará, estão presentes principalmente nos estuários. É o caso do rio Cocó, onde temos o Parque Estatual; e do rio Ceará, onde temos a Bacia do Ceará. Também vemos a presença de mangues nos rios Curu, Mundaú e Pacoti".

Conforme Bruno, todos estes estuários estão localizados em Áreas de Proteção Ambiental (UCs) "para evitar que os empreendimentos prejudiquem tais ecossistemas”.

“A nossa estratégia é criar e fazer a gestão das UCs, protegendo os manguezais. Agora, também estamos criando um viveiro no Parque Estadual do Cocó, em parceira com a Prefeitura de Fortaleza, para também ser um viveiro de mudas de mangue, que tem árvores altas e robustas, que precisam ser replantadas. Esse viveiro fará o reflorestamento dos manguezais no Ceará”, ressalta. 

Preservação

Leonardo Borralho, articulador das Unidades de Conservação Estaduais no Ceará, explica que a Sema realiza a gestão de cinco UCs diretamente relacionadas aos manguezais: o Parque Estadual do Cocó; APA do Rio Pacoti; APA do Estuário do Rio Ceará - Rio Maranguapinho; APA do Estuário do Rio Curu; e APA do Estuário do Rio Mundaú.

Segundo Borralho, "os manguezais cumprem um papel fundamental na filtragem de poluentes que vêm dos rios e mares, diminuem o processo de erosão costeira, trazem uma qualidade do ar melhor e, em eventos extremos, como tempestades, diminuem os impactos”. 

“É um berçário de diversas espécies que usam o manguezal nos processos de reprodução e criação de filhotes. Isso ajuda muito, inclusive, na produtividade nas zonas de pesca do nosso litoral. Sem eles, não teríamos nem produtividade e muito menos essa riqueza da biodiversidade da zona costeira”.

Legenda: Estuário do Rio Pacoti, na Região Metropolitana de Fortaleza, recebe plantio de espécies nativas do ecossistema manguezal
Foto: Divulgação/Labomar

Associados ao bioma Mata Atlântica, os manguezais estão sujeitos à aplicação  da Lei da Mata Atlântica. Segundo Borralho, os ecossistemas são, também, protegidos pelo Código Florestal (Lei 12.651, de 2012), que determina que as áreas de sua extensão sejam consideradas Áreas de Proteção Permanente (APP). São regiões protegidas por conta de sua capacidade de estabilização do solo.

Os mangues também contam a proteção natural realizada pela mata ciliar e outras vegetações presentes. 

Proteção

Conforme o Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio), os manguezais são ecossistemas de transição entre ambientes de terra e mar. São considerados raros. Por conta de um histórico de degradação, estima-se que um quarto de todos os manguezais presentes no Brasil tenham sido destruídos, principalmente a partir do século 20. Segundo o ICMBio, as regiões que mais preocupam são a Nordeste e Sudeste, onde a estimativa indica que cerca de 40% do que já foi extensão contínua dos mangues acabou desaparecendo.

De olho nessa importância e na preservação desse berçário, foi criada no Ceará, em 2019, a lei estadual que institui a Semana Estadual de Proteção aos Manguezais, acontecendo sempre a partir do dia 26 de julho de cada ano. A data, comemorada neste domingo, marca o dia internacional de proteção aos manguezais.

O presidente da Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa do Ceará e autor da lei estadual, deputado Acrísio Sena, destaca que defender esses ecossistemas é ajudar a preservar boa parte da biodiversidade presente no Estado.

“Entre os principais desafios, em especial, em Fortaleza, foi a regulamentação do Parque Estadual do Cocó, que é o maior parque em áreas urbanas da América Latina, e tem boa parte dos seus 1800 hectares formados por manguezais. O governo do Estado vem investindo numa intensa política de florestamento e reflorestamento em boa parte do entorno dos rios”.

Os palestrantes convidados para o Seminário Semana Estadual de Proteção aos Manguezais são a professora Rafaela Maia, do Ecomangue; Pedro Belga, do Projeto UÇA; e Rusty Sá Barreto, do Museu do Mangue. Já o Workshop Rede Nacional dos Manguezais, marcado para amanhã (25), terá palestras do Professor Clemente Júnior, do Instituto Bioma Brasil, e da Professora Erminda Couto, da Universidade Estadual de Santa Catarina.

Os participantes terão direito a certificados.

“Semana Estadual de Proteção aos Manguezais”

Dia: 24 de julho de 2020
Horário: de 9h às 12h
Transmissão: TV Assembleia (canal 31.1); Rádio FM (96.7) e Site da AL.

Saiba mais detalhes no site oficial do Ecomuseu Natural do Mangue.

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