Dificuldade não compromete Baixo Acaraú
A Associação dos Produtores do Perímetro Irrigado Baixo Acaraú (APA) vêm enfrentando sérias dificuldades com a cultura do melão, no que se refere ao plantio e comercialização. O gerente administrativo Marconi Siqueira enfatiza que na safra 2003/2004 foram exportadas 71.725 caixas de melão, o que corresponde a 215.775,00 euros. A entidade, que representa 43 associados, recebeu deste total a quantia de 90.046,00 euros. “Temos para receber 125.129,00 euros da multinacional Dole Benelux, da Holanda. Estamos brigando na Justiça. Já existe uma negociação, mas devido a este problema o plantio de melão está parado”, destaca Marconi, enfatizando que a multinacional também tem dívidas com empresários. Mesmo com este quadro, a região desponta com grande potencial para a fruticultura irrigada com a geração de emprego e renda.
O projeto Baixo Acaraú está localizado nos municípios de Marco, Bela Cruz e Acaraú, na Zona Norte do Ceará. A área total é de 12.335 hectares. A primeira etapa tem 8.335 ha. Até 25 de junho, foram licitados 6.877 ha. Os lotes ocupados equivalem a 16%, ou seja, 1.100 ha. O sistema de irrigação atende atualmente a 749 ha onde trabalham empresários, técnicos agrícolas e pequenos produtores.
A fonte hídrica do Perímetro é o Rio Acaraú, perenizado pelos açudes Paulo Sarasate, mais conhecido como Araras (Varjota) e o Edson Queiroz, de Santa Quitéria.
Dados estatísticos de junho mostram o plantio de 110,6 ha de banana; 64,5 ha de melancia; 54,62 ha de mamão; 47,5 ha de abacaxi; 37,5 ha de mandioca; 25,5 ha de feijão; 20,0 ha de coco; e 19,0 ha de milho. Outras culturas estão sendo cultivadas, em menor escala, como é o caso da graviola, manga, maracujá, sapoti, abóbora e melão. No que se refere à colheita durante o mês, os destaques ficam por conta de 131.460 kg de mamão formosa e hawai em 26 ha, com rendimento de R$ 66.402,00. A cultura de melão, que é considerada o carro-chefe de exportação está com três hectares. O técnico agrícola João Carlos da Cunha explica que o melão no Baixo-Acaraú é produzido de junho a dezembro. Neste ano, todavia, a cultura enfrenta dois problemas: a ocorrência de chuvas, que provoca uma queda de até 50%; e a falta de recursos para o investimento.
O gerente da APA, Marconi Siqueira, relata que as dificuldades vêm desde 2001, quando foram plantados 168 hectares de melão. A média de produção foi de 35 toneladas/ha. “O projeto estava em implantação. Os produtores não tinham conhecimento desta cultura, sendo assessorados por uma equipe técnica da empresa Hydros. Dentro do contrato, a empresa ficou responsável pela assessoria, capacitação, comercialização de todas as culturas”. Marconi acrescenta que foi tudo mal planejado: “produzimos o melão, por exemplo, numa época de exportação em que o mercado de exportação já estava comprometido. Tiramos um financiamento no Banco do Nordeste de R$ 1 milhão 640 mil e tivemos um prejuízo de R$ 1 milhão e 600 mil. Perdemos todo o dinheiro”.
Marconi enfatiza que a partir de 2002 para 2003, a própria APA ficou responsável por toda a logística, planejamento da safra e comercialização. Na época, os produtores fizeram o plantio com o crédito dos fornecedores, envolvendo recursos de R$ 1 milhão 200 mil. Houve uma perda de 56 hectares devido ao excesso de chuvas, importando em novo prejuízo. Desta vez, entre R$ 800 mil a R$ 1 milhão.
F. Edilson Silva
sucursal de Sobral