Dados divergentes sugerem número maior de casos e óbitos por Covid

A demora na atualização mostra que o número de casos confirmados da doença é maior do que o informado pela plataforma oficial do Estado. Em 10 municípios do interior, a discrepância chega a 1.298 confirmações

Foto do mercado público de Juazeiro do Norte, no Cariri
Legenda: Mercado público de Juazeiro do Norte é higienizado para tentar conter a disseminação pelo novo coronavírus na cidade
Foto: Lorena Tavares

O Ceará já registra mais de 109 mil casos confirmados da Covid-19 e mais de 6 mil óbitos, segundo o IntegraSUS, plataforma oficial da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa). O número, no entanto, tende a ser maior.

Há uma discrepância entre os boletins diários divulgados pelas prefeituras e o número atualizado pela plataforma da Sesa. O total de casos confirmados e divulgados, neste domingo (28), pelas prefeituras dos 10 municípios do interior com mais pessoas infectados é 6,85% superior ao registrado pela Sesa, no mesma dataa. Segundo representantes e gestores, apesar da melhora, o descompasso ocorre desde o início da pandemia.

Enquanto nos boletins municipais das 10 cidades o acúmulo é de 20.246, no IntegraSUS a soma chega a 18.948 casos confirmados. Com relação aos registros de óbitos, a divergência é menos acentuada. Enquanto as prefeituras indicam um total de 647 óbitos nos 10 municípios, a Sesa informa que 637 perderam a vida por conta da doença.

Destes municípios, Juazeiro do Norte, no Cariri, é o que apresenta maior diferença. Enquanto a gestão municipal notifica 2.609 casos confirmados da doença, a plataforma da Sesa apresenta um total de 1.462 - são 1.147 casos a menos. Em relação ao número de óbitos, a Prefeitura aponta para 77 óbitos, enquanto a Sesa marca 81. Quatro falecimentos a menos do que o IntegraSUS em 28 de junho.

Arte sobre a situação da Covid-19 no Interior do Ceará

A secretária da Saúde de Juazeiro do Norte, Glauciane Torres, afirma, no entanto, que a diferença não impacta, necessariamente, nos repasses de insumos da Sesa para o Município. "Estamos em constante diálogo, secretarias do Município e do Estado, e os insumos são baseados nas nossas informações", aponta.

Segundo ela, esta realidade não é exclusiva de Juazeiro do Norte. "Todos os municípios apresentam inconsistências em seus sistemas por conta do tempo de digitação dos dados", aponta. "As informações que são repassadas no nosso boletim são as reais, que são dadas em tempo oportuno e vão para os sistemas para ser digitalizadas".

Região Norte

Em Sobral, Município do interior do Estado com mais casos da doença, a alta testagem e o tempo reduzido para processamento são apontados como fatores que podem contribuir para a diferença, que chegou, neste domingo (28), a ser de quase 300 casos. "É um número considerável porque Sobral faz muitos testes, diariamente, e não há tempo hábil para notificar nos sistemas", explica a superintende de Saúde da Macrorregião Norte, Mônica Souza Lima. "O prejuízo que vejo é que os dados que o Estado apresenta ficam um pouco defasados. Mas, os superintendentes regionais fazem um censo diário avaliando e fazendo uma tabela comparativa entre os dados".

Segundo ela, o IntegraSUS compila as informações de outros sistemas nacionais: o e-SUS-VE, para casos ambulatoriais, e o SIVEP-Gripe para casos hospitalares. "O IntegraSUS lê o que os municípios digitam nesses sistemas e as informações só entram quando eles fecham o caso, confirmando ou descartando a doença", pontua. "Quando uma pessoa procura uma unidade de saúde, é notificado no sistema, realizado o exame e, durante esse tempo, o caso fica aberto. Quando o resultado chega, o profissional tem que voltar ao sistema e encerrar o caso, confirmando ou descartando a doença".

O Ministério da Saúde recomenda que seja feita a "notificação imediata" dos casos de Síndrome Gripal leve no e-SUS VE, desenvolvido exclusivamente para atender a alta demanda devido à Covid-19, e Síndrome Respiratória Aguda Grave no Sistema de Informação de Vigilância da Gripe (SIVEP-Gripe). A partir destes sistemas, atualizados pelos municípios, o IntegraSUS compila os dados, até as 17 horas do dia em questão, e divulga.

Conforme a representante, o que está acontecendo é que as prefeituras recebem os resultados dos exames, divulgam em seus boletins e depois colocam nos sistemas. "Na hora que o gestor municipal contabiliza os resultados dos exames ele informa no boletim diário, porque está com isso em mãos", ressalta, pontuando que não existe um prazo, segundo ele, para as secretarias municipais informarem que receberam o resultado.

"Isso fica da possibilidade de cada administração. Por um atraso no fechamento dos dados por parte dos municípios, o IntegraSUS não consegue ler os casos confirmados em tempo hábil. Isso gera a diferença", diz Mônica Souza.

Resposta ao problema

Na plataforma da Sesa é explicado que os dados são processados até às 17 horas do dia em questão e que, portanto, atendem dentro deste limite. A Pasta informa que os dados são registrados pelos próprios municípios nos sistemas oficiais, os quais automaticamente chegam ao IntegaSUS.

Para a presidente do Conselho das Secretarias Municipais de Saúde (Cosems), Sayonara Moura, após a Sesa reconhecer a limitação no sistema de processamento de dados e realizar uma série de encontros e treinamentos com os municípios, por meio das macrorregiões, houve uma melhoria no envio dos dados. "A diferença agora é de um, dois dias", pontuou.

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