Conheça os tipos de mangue do CE e como o ecossistema ajuda a mitigar impactos no litoral

As áreas são consideradas berçários naturais e importantes no equilíbrio ambiental.

Legenda: Estima-se que 70% das espécies de importância econômica utilizem os manguezais em pelo menos uma fase da vida.
Foto: Divulgação/Sema

Em 2019, o litoral nordestino sofreu com o derrame de óleo, que acabou chegando, também, às praias cearenses. Rusty Sá Barreto, gestor e educador ambiental no Ceará, explica que, neste cenário, os manguezais tiveram uma função fundamental de diminuir a força das ondas, evitando que mais óleo chegasse às faixas de areia. Segundo um estudo inédito, os ecossistemas estão presentes em pelo menos 22 municípios cearenses, ocupando cerca de 20 mil hectares.

As áreas são consideradas berçários naturais e importantes no equilíbrio ambiental. Apesar da potencialidade de mitigar impactos naturais ou humanos, os manguezais também são ecossistemas sensíveis, o que alerta para os cuidados necessários para mantê-los. 

No caso do desastre ambiental do derrame de óleo, “eles sofrem mais já que é mais difícil retirar o petróleo cru de seu solo”, ressalta Rusty. "O que o mangue faz é diminuir a força da maré. Em áreas que passaram por alguma catástrofe, como tsunamis, esses ecossistemas protegeram na dissipação da energia por conta de suas raízes e vegetação. Ele é um redutor, mas não diminui a situação da catástrofe, já que também é impactado".

O especialista atua no Museu do Mangue, ONG que, há 18 anos, trabalha com a recuperação e preservação do ecossistema manguezal, através de aulas de campo, visitas monitoradas e explicativas sobre os quatro tipos de mangues encontrados na Sabiaguaba, onde o projeto funciona: mangue vermelho, mangue branco, mangue preto e mangue de botão. A iniciativa conta com apoio da rede de farmácias Pague Menos.

“Buscamos, através da educação ambiental, sensibilizar para a importância de cuidar, preservar e recuperar este importante ecossistema. Além das aulas de campo, atuamos também em seminários, exposições e palestras”.

Neste domingo, 26 de julho, é celebrado o Dia Internacional de Conservação dos Manguezais. Para conhecer a importância desse ecossistema, conversamos com especialistas que alinham estratégias para melhor manter os manguezais. Ao longo de três reportagens, o Sistema Verdes Mares traz quais os tipos de mangue presentes no Ceará, qual sua importância e como estratégias de outros estados podem contribuir para formulação de modelos aplicáveis no Ceará.

Tipos de mangue no Ceará:

  • Avicennia schaueriana Stapft & Leechm (mangue preto); 
  • Avicennia germinans (L.) Stearn (mangue preto);
  • Rhizophora mangle L. (mangue vermelho); 
  • Laguncularia racemosa (mangue branco); 
  • Conocarpus erectus L. (mangue de botão).

Legenda: Área de mangue da localidade da Chapada, em Barroquinha.
Foto: Arquivo Pessoal

Preservação

Outra iniciativa de preservação ao ecossistema é encontrada no município de Barroquinha, onde um grupo de jovens se uniu para defender os manguezais. “Essa ação educativa é feita há 25 anos. Eu era criança quando participava da plantação de mudas de mangues, assim como os demais”, lembra Elenilson Carvalho, liderança do projeto Jovens Protetores dos Mangues há seis anos.

O grupo atua principalmente na localidade de Chapada, interior do município de Barroquinha. No último dia 20, os jovens realizaram uma limpeza no local, utilizando máscaras de proteção e mantendo o distanciamento social, assegura Carvalho. 

“O mangue produz as sementes, que nós recolhemos e depois plantamos nos locais onde não existem muitos, já que há muitos espaços onde o mangue está seco. Também realizamos a coleta de lixo”. 

O projeto está, agora, com apoio da Prefeitura, estruturando um local de aprendizagem e preservação, que contará com barracas projetadas. “Serão usadas para atividades recreativas  e um espaço interativo da escola e da comunidade. Sabemos que os manguezais são berçários de reprodução de centenas de espécies marinhas, as quais nos alimentem no dia a dia. Aqui, nunca faltou peixes e crustáceos e essa fartura se deve à proteção nos mangues”, destaca. 

“As barracas nos darão suporte para um trabalho de conscientização no próprio local. Quem produzir lixo terá que retornar com ele. Serão mais de 100 jovens de olho. Faremos um trabalho de Educação Ambiental com distribuição de materiais educativos”.

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