Com reabertura do comércio, CDLs de Sobral e Juazeiro do Norte enxergam crescimento

No maior município da região Norte, estima-se um crescimento de 15% em agosto e setembro, em relação ao ano passado. Já na terra do Padre Cícero, quase 70% dos empresários viram agosto superar o mesmo mês em 2019

Legenda: Rua São Pedro, principal via comercial de Juazeiro do Norte
Foto: Antônio Rodrigues

Após o delicado período de isolamento social mais rígido, interdição aos centros comerciais e restrição de funcionamento da maioria dos estabelecimentos comerciais, as lojas de Juazeiro do Norte e Sobral, maiores cidades do interior do Estado, já apresentam um crescimento, segundo a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de cada uma delas. Os números em agosto, por exemplo, chegam a ser melhores que o mesmo período do ano passado.  

Em Juazeiro do Norte, a CDL realizou uma pesquisa online com os empresários locais, que apontou que 68,7% tiveram um aumento de vendas em agosto, se comparado ao acumulado de 2019. Ao todo, foram cerca de 170 participantes.  

"Pelo que a gente vem percebendo, o comércio está tendo venda. Com incentivo do Governo, o auxílio emergencial, o dinheiro está circulando no comércio”, conta a presidente da CDL de Juazeiro do Norte, Zenilda Sena.

O aumento se deu, principalmente, logo após o avanço à fase 4 do Plano de Retomada Responsável das Atividades Econômicas, na primeira metade de agosto. “Teve aquela se todo mundo querer sair de casa e houve uma grande movimentação. Hoje está próximo do normal”, completa.  

Empresário do ramo de malas, mochilas e bolsas, Júnior Cardoso acredita que, em sua loja específica, o fim do lockdown ajudou a aquecer sua loja. “Muita gente que ficava em casa voltou a sair, viajar. Acaba que isso fez a gente superar em 30% as vendas de agosto e setembro do ano passado”, estima.

Contudo, ele admite que ainda será difícil se recuperar em relação ao período que fechou as portas. “O impacto foi grande para todo mundo, mas até o fim do ano tende a crescer”.  

No maior município da região Norte, a CDL de Sobral estima um crescimento de 15%. “A partir de agosto, com a flexibilização, retirada das barreiras, houve um acréscimo constante, começando numa curva ascendente em agosto, seguindo em setembro e outubro. Acredito que vá até dezembro. Mas isso pelo que conversamos com os empresários”, explicou o presidente da entidade, Zezinho Cavalcante.  

Mesmo na pandemia, as lojas funcionavam em formato virtual. “O delivery foi uma saída, mas não ficou 100%”, lembra. Por isso, foi surpreendente o comércio cheio novamente. “A gente achava que ia enfrentar um vazio enorme nas vendas. Para surpresa nossa o consumo estava reprimido. A gente nota um mercado aquecido. Povo com condições de ir às compras. O auxílio emergencial foi fundamental. O povo está com bala na agulha para gastar”, brinca Zezinho.

Dificuldades

Por outro lado, tanto Sobral como Juazeiro do Norte tem enfrentado dificuldades para atender a demanda pela falta de produtos entregues pelas fábricas. “Nós temos pedidos desde março que não atendem”, conta Zezinho. “Muitos lojistas reclamam da demora para chegar”, completa Zenilda.

Este problema é, sobretudo, pela dificuldade de encontrar matéria-prima, enfrentada pela indústria. “Acumulou pedidos e falta insumos. Não tem para atender tanto pedido do comércio. Nossa preocupação é a médio prazo, a partir de janeiro. Isso compromete a curva em ascendência e fica à mercê da indústria. No caso da minha empresa, móveis e eletrodomésticos, falta tudo, desde a madeira até o metal. A parte do aço é o insumo mais faltoso”, descreve o presidente da CDL de Sobral.

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