'Chuvas do caju' são registradas no Ceará

Elas têm relação com brisa e umidade do mar Segundo Funceme, choveu em Fortaleza, Redenção e Pacatuba

Iguatu. O Ceará vivencia o período de pós-estação chuvosa e entre os meses de agosto e outubro é comum ocorrer precipitações que popularmente são denominadas de 'chuva do caju'. Na manhã de ontem, a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) registrou chuva em Fortaleza (4.0mm), Redenção (3.6mm) e Pacatuba (1,5mm).

Desde o início desse mês até ontem não havia registro de precipitações na faixa litorânea e nem no sertão cearense. De acordo com o meteorologista da Funceme, Raul Fritz, a chuva ocorrida ontem em Fortaleza foi decorrente de uma instabilidade local associada à umidade do Oceano Atlântico e formação de nuvens não muito desenvolvidas, as denominadas 'tipo quente' que provocam apenas chuviscos.

Estação

Segundo ele, as precipitações ocorridas nos meses de agosto, setembro e outubro não têm relação direta com as chuvas da estação chuvosa (fevereiro a maio). "São decorrentes de outros sistemas e processo meteorológicos. É uma chuva que mal aparece nas imagens do satélite. São de difícil previsão, porque não estão associadas a um fenômeno expressivo, apenas à brisa e à umidade que vem do mar e convergem na formação de nuvens de pouco crescimento", frisa.

O meteorologista adianta que não há previsão para as chuvas desse período, pois são decorrentes de fenômenos isolados e de reduzida escala. "Os modelos de previsão meteorológica não trabalham com esse tipo de chuvas tropicais, que ocorrem próximo à linha do Equador", explicou.

No Ceará, o ar está mais seco com baixa umidade relativa. Apesar de não haver uma relação direta entre os sistemas meteorológicos verificados entre a estação chuvosa e a pós-estação, quando há um bom inverno, o solo permanece mais úmido e pode facilitar a formação de nuvens, por meio da evaporação, que associada à brisa litorânea contribui para ocorrência de precipitações.

Desde 2012 que o Ceará registra chuvas abaixo da média. A estiagem permanente vem provocando no período perda das reservas hídricas nos reservatórios localizados no Interior. Segundo dados da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), a média acumulada nos 153 açudes monitorados é de apenas 11,2%.

Há 125 açudes com volume inferior a 30%. A redução desse volume, indica, deve ser intensificada a partir deste mês por meio da evaporação e maior consumo de água.

A situação mais crítica ocorre no Baixo Jaguaribe que acumula apenas 0,25% das reservas de água, seguida da Bacia do Curu com 2,49%, do Banabuiú com 2,68% e do Sertões de Crateús com 3,15%.

Mais informações:

Funceme

Fone: (85) 3101. 1117

Cogerh

Fone: (85) 3195. 0756

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