Carne de jumento vira mortadela no mercado

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Foto: Arquivo

A Empresa Equus Agroindustrial S/A, com sede em Santa Quitéria está fornecendo carne de equídeos (jumentos, cavalos e burros) para a Empresa Friboi, que a utiliza na fabricação de mortadela em sua filial, na cidade de Três Rios, no Rio de Janeiro. É o que denuncia a presidente da União Internacional de Proteção dos Animais (UIPA), Geuza Leitão. De acordo com ela, a empresa não está exportando a carne dos equídeos apreendidos (jumentos, burros e cavalos), como havia anunciado, por conta de uma proibição do Ministério da Agricultura, mas já está fornecendo a carne para o mercado nacional.

No termo de declaração à Procuradoria Geral de Justiça, referente à audiência ocorrida no último dia 5 de novembro, o advogado da empresa Equus, José Martins Filho, afirma que os animais são fornecidos pela Escola Técnica de Iguatu, por freteiros da região do Crato e também do Estado do Piauí. Segundo o advogado, os animais são vacinados contra as doenças que atingem a espécie, com exceção da febre aftosa, já que os equídeos não seriam sujeitos à doença.

No entanto, a Fiscal Federal Agropecuária, Rosemary Beserra, contesta a afirmação. Ela diz que os animais são suscetíveis sim à febre aftosa, mas em menor grau que os bovinos, embora não haja campanha de vacinação para esse tipo de animal.

Para a presidente da União Internacional Protetora dos Animais (UIPA), o abate indiscriminado dos animais pode levar à extinção da espécie. Além disso, ela aponta que duas leis estaduais estariam sendo desrespeitadas pela empresa e cita a lei 13.045/2000. Essa legislação estabelece que a carne de animais apreendidos nas estradas não pode ser comercializada, mas somente doada a hospitais públicos, escolas ou entidades filantrópicas, mediante solicitação por escrito, desde que o interessado providencie o transporte e abate, através de abatedouro público.

Outra lei que está sendo desrespeitada, de acordo com Geuza Leitão, é a de número 13.067/2000, que regulamenta que os animais só podem ser transportados para outro Estado mediante a apresentação de atestado de vacinação à uma série de doenças que podem atingir a espécie, entre elas, a febre aftosa.

Para a presidente da UIPA, o abate dos animais não é solução para a diminuição do rebanho no Estado e sugere a esterilização dos machos como uma medida mais eficaz. “Com a castração dos machos, que correspondem a somente 5% do contingente, o rebanho seria diminuído a curto e médio prazos e, dessa forma, não haveria perigo para a extinção da espécie”, explica.

De acordo com o diretor comercial da Friboi, José Luís Medeiros, a compra da carne de equídeos é uma prática comum para a fabricação de embutidos, como mortadela. Ele disse que a empresa recebe esse tipo de carne de vários fornecedores brasileiros, inclusive da Equus, mas declarou que a empresa cearense ainda fornece a carne em pequena quantidade para a Friboi.

Kelly Garcia
especial para o Regional