Barbalha tem 1ª área urbana do Estado tombada

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Elizângela Santos
enviada a Barbalha

Barbalha será o primeiro Município do Ceará a ter sua área urbana tombada pelo Patrimônio Histórico Estadual. Ontem pela manhã, na Câmara Municipal da cidade, representantes do Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural do Estado do Ceará (Coepa), composto por 21 membros, fizeram a apresentação formal da votação para criação do sítio histórico, que corresponde a 5,5 hectares. Foram feitos levantamentos de 46 edificações, sendo que dentro da área estão 43. A etapa final já está acontecendo, que é a notificação do patrimônio junto aos proprietários dos prédios. Em um mês haverá a oficialização do tombamento.

As outras cidades do Estado que já têm prédios históricos tombados são Icó, Sobral, Viçosa, Aracati e os monólitos de Quixadá. O superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Romeu Duarte, destacou o Cariri, no seu conjunto, como uma região de material fantástico, rico e diverso, que, mais tarde poderá ser reconhecido como Patrimônio da Unesco.

O sítio histórico de Barbalha já se encontra tombado provisoriamente pelo Estado. A vinda dos conselheiros, segundo Romeu Duarte, teve o objetivo de apresentar aos proprietários dos imóveis, aos vereadores e à Prefeitura, além dos moradores da cidade, o processo de tombamento, que, nesse caso, passa pela notificação dos proprietários. O reconhecimento do sítio histórico pelo Conselho foi unânime, sem contestação do valor patrimonial que representa para o Estado.

Segundo o superintendente do Iphan, a área tombada compreende também outras edificações, muitas delas sem valor arquitetônico, mas em áreas próximas aos prédios de grande qualidade. “Há uma preocupação, no caso da área urbana, com a preservação do ambiente, do gabarito, dos materiais, da dimensão dos prédios existentes e os que vão passar a existir na área do sítio histórico”, diz.

A coordenadora de Patrimônio Histórico da Secretaria de Cultura do Estado, Eveline Vasconcelos, integrante do Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural do Estado do Ceará (Coepa), afirma que o tombamento é um reconhecimento do valor dos prédios históricos de Barbalha, para que a população fique consciente de que é detentora de um bem importante para o Estado do Ceará. Foram mais de dois anos de levantamentos dos prédios, feitos através do Iphan, Universidade Regional do Cariri (Urca) e Faculdade de Arquitetura. Segundo ela, um trabalho de levantamento substancial dos prédios, com detalhes.

A presidente do Coepa, Cláudia Leitão, secretária de Cultura do Estado, afirma que a apresentação faz parte de um longo processo de instrução. “Essa é uma marca desse governo, porque, até então, os tombamentos eram feitos por decreto”, diz, ao acrescentar que o Conselho, que representa a sociedade civil, deve ser ouvido, além dos habitantes das casas. “Se tomba com muita qualidade e reflexão acerca do tombamento”, enfatiza.

O prefeito de Barbalha, Rommel Feijó, lembra que a luta pelo tombamento foi iniciada em 1991, período em que era prefeito da cidade. O superintendente do Iphan agradeceu a contribuição do médico e historiador, Napoleão Tavares Neves. Ele forneceu informações importantes para os levantamentos feitos sobre as edificações.

O Coepa é representado por órgãos e entidades de reconhecida idoneidade e competência, sendo presidido pela secretária da Cultura do Estado do Ceará, Cláudia Leitão. Entre os conselheiros do Coepa, figura o professor José Nilton de Figueiredo, vice-reitor da Urca, que tem como suplente o professor Carlos Rafael Dias. Das três cidades do Vale do Cariri, Barbalha é a que mais preserva edificações antigas. Ao todo, são mais de 50 construções de valor histórico, catalogadas pelo Patrimônio Histórico. Entre elas, destaca-se o Engenho Tupinambá, uma construção de 1830, considerada o último exemplar do Nordeste com “casa grande e engenho conjugado”. Outro exemplo típico da Arquitetura colonial é o Casarão Hotel (1859). A construção abrigava senzalas no subsolo, armazéns no térreo e residência no primeiro andar.

A informação é da diretora técnica do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, (Iphan) Olga Paiva, acrescentando que, nas ruas da cidade, encontram-se várias edificações residenciais e comerciais — datadas dos séculos XVIII e XIX — em estilos coloniais, ou curiosos chalés coloniais com influências do estilo alemão/ suíço — como um de 1869, na Rua da Matriz. Nesta mesma via existe outro chalé do final do século XIX. Ainda pelas ruas, observa-se casas com fachadas em azulejos portugueses e pisos de mosaicos antigos.

A Festa do Pau da Bandeira de Santo Antônio, do Município de Barbalha, também foi inventariada e documentada. O evento religioso, com a apresentação de cerca de 40 grupos folclóricos, atrai à cidade milhares de visitantes, que participam da procissão do Pau da Bandeira. O ponto alto da festa é o hasteamento da bandeira, num mastro de até 30 metros, plantado em frente à Igreja Matriz, em meio a grandes folguedos.