Associativismo entre produtores de mel impulsiona produção no Ceará

Experiência colaborativa já está presente em Tabuleiro do Norte, Alto Santo, Quixeré, Limoeiro do Norte, São João do Jaguaribe. Duas cidades do Rio Grande do Norte também implantaram a ideia

Legenda: O Estado vive a expectativa de crescimento de cerca de 30% na atual safra em relação a 2019, que colheu 2.700 toneladas
Foto: Isanelle Nascimento

Uma experiência de associativismo entre apicultores na região do Baixo Jaguaribe para compras coletivas e venda de mel colheu bons frutos e passou a ser exemplo para produtores de outras regiões do Estado. A ação pioneira contou com a articulação da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará (Ematerce).   

Inicialmente, a experiência foi implantada em Tabuleiro do Norte. A ideia era apoiar os apicultores para vencer os desafios e dificuldades do mercado em tempos de pandemia. O projeto uniu e organizou agricultores familiares ligados à apicultura para otimizar o armazenamento do mel produzido, fazer compras conjuntas de insumos e equipamentos, além da comercialização coletiva.

Após bons resultado em Tabuleiro, o projeto colaborativo chegou aos apicultores dos municípios de Alto Santo, Quixeré, Limoeiro do Norte, São João do Jaguaribe. Diante do bom cenário verificado em todas as cidades implantadas, o projeto extrapolou a fronteira do Ceará e foi desenvolvido também em Severiano Melo e Apodi, no Rio Grande do Norte.

Crescimento

Neste mês de julho, 150 apicultores adquiriram, em conjunto, 600 tambores para armazenar a produção. A união confere ao grupo preços mais baratos. Com o crescimento, o setor projeta um faturamento de cerca de R$ 1,6 milhão para a primeira safra de 2020.

Antônio Maia é apicultor em Limoeiro do Norte há oito anos e ressalta que a região do Vale do Baixo Jaguaribe vem a cada ano ampliando a produção. “Existem dificuldades, e se a gente estiver só, o desafio é maior”, observou.

“Vejo que com a união a gente se fortalece para trocar ideias, comprar equipamentos e vender em bloco, buscando o melhor preço”.

Na safra deste ano, que deve ser concluída ao fim de agosto próximo, Maia pretende colher 800 quilos de mel, 20% a mais do que na safra anterior (2019). “O preço neste ano também melhorou e é quase o dobro do ano passado”.  

Outro fator que anima o setor é o aumento do preço do quilo do produto que em maio passado tinha cotação de R$ 4,50 e agora varia entre R$ 8 e R$ 9. Há um ano, o quilo do produto foi comercializado em média por R$ 6.

Engajamento

O presidente da Federação da Apicultura do Ceará (Face), Irineu Fonseca, ressaltou que o trabalho associativo é um bom caminho alternativo. “Estamos divulgando essa experiência para todos os apicultores. O setor precisa de organização, associativismo, qualidade, legalização e conhecimento técnico”, disse. 

O presidente da Ematerce, Antônio Amorim, destacou a iniciativa dos apicultores de Tabuleiro do Norte e frisou que projetos realizados por agricultores de base familiar a partir de um trabalho de assistência técnica da empresa vão além da apicultura.

“Foi o Município que mais evoluiu nesses últimos anos de seca nos trabalhos realizados pela Ematerce. Houve aumento de produção de milho, banana, feijão, camarão e de mel de abelha”.

Amorim acrescenta que Tabuleiro do Norte tem sido o município mais organizado na produção e comercialização de mel de abelha com mercado direto para São Paulo. “Os apicultores têm uma dinâmica interessante para armazenar o produto em tambores”, explicou. “Eles se cooperaram para comprar os recipientes. Quem tem condições de encher mais de um comprou dois e quem só tem produção para a metade se uniu a outro”.

O resultado foi uma melhora de quase 30% na comercialização do produto. A alternativa encontrada em Tabuleiro do Norte foi uma busca por manter o mercado abastecido com um produto de qualidade, com preço justo e que mantenha aquecido o mercado para os agricultores familiares.

O sucesso da compra coletiva dos tambores foi tanto, que apicultores de outros municípios também formaram uma espécie de consórcio, para realizar a compra coletiva dos tambores, visando ao armazenamento e à comercialização do mel.

Safra

Depois de um período de longa estiagem entre 2012 e 2018, que provocou significativa queda na produção de mel de abelha no semiárido cearense, o Estado vive a expectativa de crescimento de cerca de 30% na atual safra em relação a 2019, que colheu 2.700 toneladas.

Os dados são da Federação da Apicultura do Ceará (Face) e da Câmara Setorial do Mel (CS Mel), vinculada à Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (Adece). No campo, a colheita segue até outubro próximo e até o fim deste mês cerca de 80% devem estar concluídas no Ceará. 

 

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