Artesanato de Palhano se destaca no exterior
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Produtos feitos em Palhano, a partir de palhas de carnaúba e de milho, ganham mercado dentro e fora do Brasil
Palhano Do ofício da matéria-prima para a manufatura do produto. Depois de uma vida inteira de roça, plantando milho, a agricultora Francisca Coelho Barbosa da Silva, de 58 anos, simplesmente largou o milho e ficou só com a casca. Dela faz bolsas, porta-joias, arranjos ornamentais, e vende para Fortaleza, outros Estados e até mesmo países. Direto da "terra da palha", Francisca e centenas de homens e mulheres cultivam, principalmente com folhas de carnaubeira, o artesanato que até hoje dá nome e história ao município de Palhano.
Já dizia padre Antônio Thomaz que "tudo, na carnaubeira, é prestante e amigo. Nenhuma árvore é mais dadivosa e fecunda". Os ribeirinhos de várzea do Rio Jaguaribe fizeram riqueza do pó da cera da carnaúba e das palhas da planta. E para vender mais e melhor, sem sair da moda, o negócio é modernizar e agregar valor. Desde que se entendem por gente e a carnaúba balança suas palhas, levas de artesãos do município de Palhano, no Vale do Jaguaribe, fabricam objetos e utensílios a base de palha para além-fronteiras e ganham espaço inclusive nos nichos de mercado sofisticado.
"Eu cansei de chegar, com minha família, com os milhos da roça, sentar num canto assim, baixinho, e separar o sabugo. Agora o que me interessa são as folhas que ficam". Das artes com a palha de milho e de carnaúba, Francisca Coelho prefere fazer bolsas. "É mais fácil, dá pra fazer em um dia". Tem de todos os tamanhos, umas para supermercado, para feira, mas mulher "chique" também pode desfilar na rua com uma bolsa de palha. "Antes o povo tinha vergonha de andar, agora virou foi moda". Bom para os 22 membros da Associação dos Artesãos Palhanenses, que fabricam bolsas, chapéus, baús, utensílios domésticos, arranjos para os clientes daqui e alhures.
Antes das tarefas só nos últimos anos agregadas (tingimento, aplicação de elementos decorativos), a palha da carnaúba segue o mesmo processo: os donos de terrenos retiram as folhas das carnaúbas para revenda; as palhas passam quatro dias secando sob o sol, depois são selecionadas entre as que ficam com a cor natural, as que serão tingidas, e a parte da palha que ainda sofrerá revestimento antes da pintura, esta feita com corantes naturais.
Francisca e outra colega, Ivonete Barreto, são as mais veteranas da associação. O grupo inteiro já fez cursos de capacitação pelo Sebrae, tem o apoio da Prefeitura Municipal, e a Central de Artesanato (Ceart) como principal cliente. Para vender bem, é preciso vender fora, em outra cidade. Pequeno e afastado dos centros comerciais, o município de Palhano não tem mercado suficiente para atender, de forma considerável, a oferta de produtos. Por isso os próprios artesãos viajam para outras cidades, para as feiras de negócios promovidas pelo Sebrae, em que são expostos produtos da "Artpalhano".
As etiquetas de alguns produtos, além de indicar a origem, a importância da matéria-prima, vêm editadas em inglês e português. As mulheres ex-agricultoras não precisam saber uma palavra de estrangeiro se é a mensagem dela, em forma de objetos, que está chegando ao mundo dos homens, porque até a lua já seria testemunha. Como no século passado, famílias inteiras de artesãos ainda aproveitam as noites enluaradas para fazerem os serões de trança da palha de carnaúba. Começam à tardinha e segue noite a dentro, conversando "de um tudo", enquanto as palhas vão adquirindo outras formas.
CRESCIMENTO ECONÔMICO
Trabalho é Arranjo Produtivo Local
Palhano Não apenas se utiliza a palha de carnaúba para a sobrevivência, como um fim em si. O artesanato de palha é, além de atividade tradicional e histórica no local, visto como um agente eficiente de crescimento econômico. A organização social, e também institucional, em torno do desenvolvimento dessa atividade no município de Palhano, configurou-se em um Arranjo Produtivo Local (APL).
Esse termo mais técnico para conceituar a aglomeração em atividades como essa veio de evidências como a existência de capital social, de estratégia coletiva de organização da produção, de acesso aos mercados e articulação político-institucional, essa mais fraca para os artesãos de Palhano, que são os principais mantenedores da própria atividade. Ainda assim, foi com a capacitação de Ceart, Sebrae e Ceará Empreendedor, que os artesãos agregaram valor às peças, criando novos designers e incluindo produtos com a palha colorida. Um baú pequeno custa, em média, R$ 18, um porta-joias R$ 15, e os preços aumentam ou diminuem, dependendo do tamanho e da complexidade da peça.
Existem aproximadamente 500 artesãos em Palhano - cerca de 5% da população - fabricando cerca de 2.400 peças por mês. Transmitido de geração em geração, o artesanato de palha é exercido principalmente por mulheres da comunidade. A produção artesanal, inicialmente voltada para a fabricação de chapéus de palha, teve início há mais de um século, com venda direcionada para os trabalhadores da agricultura. Atualmente, a palha de Palhano também é exibida nas vitrines das lojas de shoppings centers.
Na Internet, numa rápida busca pela Rede Mundial de Computadores, a reportagem encontrou sites que promovem os produtos de palha diretamente de Palhano: "Ecobolsas de palha de carnaúba, para feiras, supermercados e praia, biodegradável, artesanal, um produto tradicional do Nordeste que gera renda a milhares de artesãos, é um produto ecologicamente correto e sustentável, ao se decompor vira adubo orgânico, e não emite dióxido de carbono (poluente) na sua produção", descreve o site, que publicou, no dia 2 de novembro do ano passado, a mensagem da empresária Telma Revoredo, do Rio de Janeiro, pedindo informações sobre preços de atacado e custos de envio das peças. Quer revender os objetos.
Melquíades Júnior
Colaborador
MAIS INFORMAÇÕES
Associação dos Artesãos Palhanenses, município de Palhano
Vale do Jaguaribe
(88) 3415.1030/1015
Palhano Do ofício da matéria-prima para a manufatura do produto. Depois de uma vida inteira de roça, plantando milho, a agricultora Francisca Coelho Barbosa da Silva, de 58 anos, simplesmente largou o milho e ficou só com a casca. Dela faz bolsas, porta-joias, arranjos ornamentais, e vende para Fortaleza, outros Estados e até mesmo países. Direto da "terra da palha", Francisca e centenas de homens e mulheres cultivam, principalmente com folhas de carnaubeira, o artesanato que até hoje dá nome e história ao município de Palhano.
Já dizia padre Antônio Thomaz que "tudo, na carnaubeira, é prestante e amigo. Nenhuma árvore é mais dadivosa e fecunda". Os ribeirinhos de várzea do Rio Jaguaribe fizeram riqueza do pó da cera da carnaúba e das palhas da planta. E para vender mais e melhor, sem sair da moda, o negócio é modernizar e agregar valor. Desde que se entendem por gente e a carnaúba balança suas palhas, levas de artesãos do município de Palhano, no Vale do Jaguaribe, fabricam objetos e utensílios a base de palha para além-fronteiras e ganham espaço inclusive nos nichos de mercado sofisticado.
"Eu cansei de chegar, com minha família, com os milhos da roça, sentar num canto assim, baixinho, e separar o sabugo. Agora o que me interessa são as folhas que ficam". Das artes com a palha de milho e de carnaúba, Francisca Coelho prefere fazer bolsas. "É mais fácil, dá pra fazer em um dia". Tem de todos os tamanhos, umas para supermercado, para feira, mas mulher "chique" também pode desfilar na rua com uma bolsa de palha. "Antes o povo tinha vergonha de andar, agora virou foi moda". Bom para os 22 membros da Associação dos Artesãos Palhanenses, que fabricam bolsas, chapéus, baús, utensílios domésticos, arranjos para os clientes daqui e alhures.
Antes das tarefas só nos últimos anos agregadas (tingimento, aplicação de elementos decorativos), a palha da carnaúba segue o mesmo processo: os donos de terrenos retiram as folhas das carnaúbas para revenda; as palhas passam quatro dias secando sob o sol, depois são selecionadas entre as que ficam com a cor natural, as que serão tingidas, e a parte da palha que ainda sofrerá revestimento antes da pintura, esta feita com corantes naturais.
Francisca e outra colega, Ivonete Barreto, são as mais veteranas da associação. O grupo inteiro já fez cursos de capacitação pelo Sebrae, tem o apoio da Prefeitura Municipal, e a Central de Artesanato (Ceart) como principal cliente. Para vender bem, é preciso vender fora, em outra cidade. Pequeno e afastado dos centros comerciais, o município de Palhano não tem mercado suficiente para atender, de forma considerável, a oferta de produtos. Por isso os próprios artesãos viajam para outras cidades, para as feiras de negócios promovidas pelo Sebrae, em que são expostos produtos da "Artpalhano".
As etiquetas de alguns produtos, além de indicar a origem, a importância da matéria-prima, vêm editadas em inglês e português. As mulheres ex-agricultoras não precisam saber uma palavra de estrangeiro se é a mensagem dela, em forma de objetos, que está chegando ao mundo dos homens, porque até a lua já seria testemunha. Como no século passado, famílias inteiras de artesãos ainda aproveitam as noites enluaradas para fazerem os serões de trança da palha de carnaúba. Começam à tardinha e segue noite a dentro, conversando "de um tudo", enquanto as palhas vão adquirindo outras formas.
CRESCIMENTO ECONÔMICO
Trabalho é Arranjo Produtivo Local
Palhano Não apenas se utiliza a palha de carnaúba para a sobrevivência, como um fim em si. O artesanato de palha é, além de atividade tradicional e histórica no local, visto como um agente eficiente de crescimento econômico. A organização social, e também institucional, em torno do desenvolvimento dessa atividade no município de Palhano, configurou-se em um Arranjo Produtivo Local (APL).
Esse termo mais técnico para conceituar a aglomeração em atividades como essa veio de evidências como a existência de capital social, de estratégia coletiva de organização da produção, de acesso aos mercados e articulação político-institucional, essa mais fraca para os artesãos de Palhano, que são os principais mantenedores da própria atividade. Ainda assim, foi com a capacitação de Ceart, Sebrae e Ceará Empreendedor, que os artesãos agregaram valor às peças, criando novos designers e incluindo produtos com a palha colorida. Um baú pequeno custa, em média, R$ 18, um porta-joias R$ 15, e os preços aumentam ou diminuem, dependendo do tamanho e da complexidade da peça.
Existem aproximadamente 500 artesãos em Palhano - cerca de 5% da população - fabricando cerca de 2.400 peças por mês. Transmitido de geração em geração, o artesanato de palha é exercido principalmente por mulheres da comunidade. A produção artesanal, inicialmente voltada para a fabricação de chapéus de palha, teve início há mais de um século, com venda direcionada para os trabalhadores da agricultura. Atualmente, a palha de Palhano também é exibida nas vitrines das lojas de shoppings centers.
Na Internet, numa rápida busca pela Rede Mundial de Computadores, a reportagem encontrou sites que promovem os produtos de palha diretamente de Palhano: "Ecobolsas de palha de carnaúba, para feiras, supermercados e praia, biodegradável, artesanal, um produto tradicional do Nordeste que gera renda a milhares de artesãos, é um produto ecologicamente correto e sustentável, ao se decompor vira adubo orgânico, e não emite dióxido de carbono (poluente) na sua produção", descreve o site, que publicou, no dia 2 de novembro do ano passado, a mensagem da empresária Telma Revoredo, do Rio de Janeiro, pedindo informações sobre preços de atacado e custos de envio das peças. Quer revender os objetos.
Melquíades Júnior
Colaborador
MAIS INFORMAÇÕES
Associação dos Artesãos Palhanenses, município de Palhano
Vale do Jaguaribe
(88) 3415.1030/1015