Araticum enfrenta dificuldades

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Redação producaodiario@svm.com.br
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Foto: Eduardo Queiroz
A despeito de alguns bons desempenhos, avalia a mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente, Vilma Terezinha de Araújo, “o distrito padece de vulnerabilidades, constituídas por fragilidades de natureza geoambiental, econômica, social, tecnológica, política e institucional”.

Algumas dessas fragilidades se manifestam há muito tempo, como é o caso da pouca habilidade dessas pessoas em manterem seu nível de vida nos períodos de estiagem. Isso porque, devido ao ritmo e formas de ocupação demográfica e produtiva da região, ocorrem sérias sobrecargas ao meio ambiente e às bases de fornecimento de recursos naturais. Araticum é visto pela maioria dos moradores como um lugar de carências, dificuldades e abandono por parte do poder público. A pesquisa constata que a pobreza aflinge boa parte da comunidade devido à falta de opções de trabalho. E que “os padrões de saúde e as condições de habitação de grande parcela da população são precários, e os níveis de educação básica e de qualificação são insuficientes”.

A queixa dos moradores reflete a insatisfação com relação à qualidade de vida e de produção locais. “Aqui só se vive da roça. É uma safra engolindo a outra”, afirma um dos entrevistados.

O estudo buscou identificar as condições de vida da população urbana de Araticum. Também foi orientado para a discussão sobre um novo relacionamento da comunidade com a natureza, e sobre a utilização racional dos recursos naturais, que assegurem sua conservação e renovação.

Durante o estudo foram visitadas 60 residências que correspondem a 10% dos domicílios ocupados da localidade. O questionário aplicado constitui-se de 40 itens que incluíam dados sobre identificação, ocupação, renda dos habitantes, bem como dados sobre saúde, abastecimento dágua, educação, destino do lixo, lazer, habitação, migração, relações com o Parque Nacional, organização social entre outros.

Dentre os entrevistados, 49,2% eram do sexo masculino e 50,8% do sexo feminino. As crianças e jovens de até 19 anos corresponderam a 38% do total. Foi observado que um elevado percentual de jovens após atingirem a maioridade, saem de casa à procura de emprego em outras localidades. “A migração modifica as relações sociais do grupo e altera a organização da família”, diz ela. (LG)