Acaraú vive crise na pesca
Escrito por
Redação
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Legenda:
Pescadores e pesquisadores atribuem o problema às agressões ao ecossistema manguezal
Foto:
Cid Barbosa
Na localidade de Curral Velho, a comunidade se queixa da recente redução na disponibilidade do pescado
O Rio Acaraú, com um curso de 320 quilômetros, nasce na Serra do Machado, em Itatira, e lança-se ao Atlântico por meio de dois braços, no município de mesmo nome. Lá, comunidades pesqueiras se ressentem da queda da produtividade. Curral Velho, em particular, tem vivido, há alguns anos, em forte conflito com uma recente atividade econômica, a carcinicultura (criação de camarão em cativeiro).
Impactos
Além de dificultar o acesso dos pescadores e marisqueiras aos manguezais, em alguns pontos, a atividades tem provocado impactos no ecossistema durante a despesca, quando seus efluentes (resíduos líqüidos) são lançados nos estuários e gamboas (local, no leito dos rios, onde se remansam as águas, dando a impressão de lagos serenos), sem tratamento adequado, promovendo desequilíbrio no manguezal.
Estes impactos foram explicitados em relatório produzido por Grupo de Trabalho (GT), constituído pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), realizado em todo o Estado do Ceará, em 2004, e publicado em 2005.
Segundo a tesoureira da Associação Comunitária de Marisqueiras e Pescadores de Curral Velho, Maria do Livramento Santos, 43 anos, conhecida na região como Dona Mentinha, a comunidade é constituída por 484 famílias e cerca de 30 foram mais diretamente prejudicadas, com a implantação das fazendas de camarão, pela salinização da água e morte da vegetação.
Na área, segundo suas informações, foram implantadas cinco fazendas maiores e duas menores, uma delas já desativada. ´Só não tem mais porque lutamos muito para a conservação do nosso espaço. No dia 7 de setembro de 2004 teve cinco baleados num conflito´, conta.
Para Dona Mentinha, as principais conseqüências da atividade na área foram o desmatamento e morte do manguezal, salinização da água e redução na pesca.
´Aqui teve conflito dentro da própria comunidade, porque muitos acreditaram que esses empreendimentos seriam bons para nós, porque iam trazer empregos. Realmente trouxeram, mas só na época da implantação´, relata.
Dona Mentinha conta que, em 2003, a Associação recebeu o Prêmio Marina Silva ´Água bem comum gestão local´, como melhor comunidade lutadora em defesa do meio ambiente e contra a carcinicultura, pela Universidade do Vale do Acaraú (UVA). ´Nós nem matamos e nem morremos, mas conseguimos impedir o avanço da carcinicultura´, afirma a marisqueira.
Iniciativas
Uma das iniciativas da Associação para conter, não apenas o avanço da carcinicultura, mas da especulação imobiliária na praia, foi adotar uma norma de ninguém vender terra para pessoas de fora sem o conhecimento da comunidade.
Atualmente, o Centro de Educação Ambiental e Turismo Comunitário Encanto do Mangue, criado através de intercâmbio com uma igreja protestante européia, pretende dar um novo impulso à atividade comunitária.
A idéia é, ao mesmo tempo, garantir uma renda extra para a comunidade e desenvolver um turismo que contribua para o desenvolvimento local sustentável.
Além disso, está garantido o processo de inclusão digital dos jovens da comunidade, com acesso à Rede Mundial de Computadores (Internet), o que antes ficava caro e distante. Rafael dos Santos Honório, 17 anos, futuro instrutor, já está empolgado com as possibilidades descortinadas com a nova atividade.
O Rio Acaraú, com um curso de 320 quilômetros, nasce na Serra do Machado, em Itatira, e lança-se ao Atlântico por meio de dois braços, no município de mesmo nome. Lá, comunidades pesqueiras se ressentem da queda da produtividade. Curral Velho, em particular, tem vivido, há alguns anos, em forte conflito com uma recente atividade econômica, a carcinicultura (criação de camarão em cativeiro).
Impactos
Além de dificultar o acesso dos pescadores e marisqueiras aos manguezais, em alguns pontos, a atividades tem provocado impactos no ecossistema durante a despesca, quando seus efluentes (resíduos líqüidos) são lançados nos estuários e gamboas (local, no leito dos rios, onde se remansam as águas, dando a impressão de lagos serenos), sem tratamento adequado, promovendo desequilíbrio no manguezal.
Estes impactos foram explicitados em relatório produzido por Grupo de Trabalho (GT), constituído pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), realizado em todo o Estado do Ceará, em 2004, e publicado em 2005.
Segundo a tesoureira da Associação Comunitária de Marisqueiras e Pescadores de Curral Velho, Maria do Livramento Santos, 43 anos, conhecida na região como Dona Mentinha, a comunidade é constituída por 484 famílias e cerca de 30 foram mais diretamente prejudicadas, com a implantação das fazendas de camarão, pela salinização da água e morte da vegetação.
Na área, segundo suas informações, foram implantadas cinco fazendas maiores e duas menores, uma delas já desativada. ´Só não tem mais porque lutamos muito para a conservação do nosso espaço. No dia 7 de setembro de 2004 teve cinco baleados num conflito´, conta.
Para Dona Mentinha, as principais conseqüências da atividade na área foram o desmatamento e morte do manguezal, salinização da água e redução na pesca.
´Aqui teve conflito dentro da própria comunidade, porque muitos acreditaram que esses empreendimentos seriam bons para nós, porque iam trazer empregos. Realmente trouxeram, mas só na época da implantação´, relata.
Dona Mentinha conta que, em 2003, a Associação recebeu o Prêmio Marina Silva ´Água bem comum gestão local´, como melhor comunidade lutadora em defesa do meio ambiente e contra a carcinicultura, pela Universidade do Vale do Acaraú (UVA). ´Nós nem matamos e nem morremos, mas conseguimos impedir o avanço da carcinicultura´, afirma a marisqueira.
Iniciativas
Uma das iniciativas da Associação para conter, não apenas o avanço da carcinicultura, mas da especulação imobiliária na praia, foi adotar uma norma de ninguém vender terra para pessoas de fora sem o conhecimento da comunidade.
Atualmente, o Centro de Educação Ambiental e Turismo Comunitário Encanto do Mangue, criado através de intercâmbio com uma igreja protestante européia, pretende dar um novo impulso à atividade comunitária.
A idéia é, ao mesmo tempo, garantir uma renda extra para a comunidade e desenvolver um turismo que contribua para o desenvolvimento local sustentável.
Além disso, está garantido o processo de inclusão digital dos jovens da comunidade, com acesso à Rede Mundial de Computadores (Internet), o que antes ficava caro e distante. Rafael dos Santos Honório, 17 anos, futuro instrutor, já está empolgado com as possibilidades descortinadas com a nova atividade.