Pazuello depõe à PF em inquérito que apura se Bolsonaro cometeu prevaricação no caso Covaxin

O caso é conduzido pelo Serviço de Inquéritos Especiais (Sinq) da PF, e o prazo inicial das investigações é de 90 dias

Eduardo Pazuello na CPI da Covid
Legenda: O ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, presta depoimento nesta quinta-feira (29) na Polícia Federal (PF) no inquérito do caso Covaxin
Foto: Agência Senado

O ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, presta depoimento nesta quinta-feira (29) à Polícia Federal (PF), no inquérito que investiga se o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) cometeu crime de prevaricação no caso Covaxin. A informação é do G1.

As suspeitas da prática surgiram após depoimento à CPI da Covid-19 dos irmãos Luís Miranda, deputado federal pelo DEM, e Luís Ricardo Miranda, servidor público do Ministério da Saúde, no dia 25 de junho. 

Os irmãos afirmaram ter levado ao conhecimento do presidente irregularidades na compra da vacina Covaxin, e o chefe do Executivo teria dito que acionaria a PF acerca do caso. No entanto, nenhum inquérito havia sido encontrado até o dia anterior ao depoimento deles. 

Bolsonaro confirmou o encontro com os Mirandas, mas disse não ter sido informado sobre as suspeitas. Depois, passou a dizer que acionou Pazuello ao ouvir o relato dos irmãos.

Para a cúpula da CPI, houve indícios de que o presidente cometeu crime de prevaricação, os quais foram enviados em notícia-crime ao Supremo Tribunal Federal (STF) no dia 28 de junho. A ministra Rosa Weber foi escolhida como relatora do processo na Corte após sorteio.

Em razão do foro privilegiado de Bolsonaro, o caso é conduzido pelo Serviço de Inquéritos Especiais (Sinq) da PF. O prazo inicial para conclusão das investigações é de 90 dias, mas pode ser prorrogado. 

Compra irregular da vacina

O Ministério Público Federal (MPF) identificou indícios de irregularidades na compra de 20 milhões de doses da vacina indiana Covaxin feita pelo MS. Em relação à investigação, o jornal Folha de S. Paulo teve acesso a um depoimento de Luís Ricardo Miranda mantido em sigilo pelo MPF. Nele, o servidor público afirmou ter sido pressionado de forma atípica para garantir a compra do imunizante.