Às vésperas do 7 de Setembro, presidentes da AL-CE e da Câmara de Fortaleza defendem democracia

Deputado Evandro Leitão (PDT) e vereador Antônio Henrique (PDT) alertaram sobre os riscos de uma ruptura democrática

Evandro e Antônio Henrique
Legenda: Presidentes da Assembleia, Evandro Leitão, e da Câmara, Antônio Henrique
Foto: Paulo Rocha/Érika Fonseca

A tensão gerada em torno dos protestos de 7 de Setembro, convocados pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e por seus aliados, fizeram os presidentes da Assembleia Legislativa do Ceará, Evandro Leitão (PDT), e da Câmara Municipal de Fortaleza, Antônio Henrique (PDT), discursarem em defesa da democracia e alertando sobre os riscos de uma ruptura democrática no País.

Na sessão desta quinta-feira (2), o deputado Evandro Leitão questionou manifestações de apelo autoritário. Ele pediu uma reflexão da sociedade sobre a importância do Estado Democrático de Direito. 

"Até aqueles que atacam a democracia podem ir às ruas se manifestar graças a ela (democracia). A liberdade de expressão, no entanto, termina quando atacamos as instituições brasileiras. Sem elas, deixamos de existir enquanto sociedade. Nenhum arroubo autoritário deve ressoar, pois a democracia é a voz que legitima o nosso povo”, disse. 

Ele também fez críticas aos que atacam o processo eleitoral, incluindo a urna eletrônica, como o presidente Jair Bolsonaro, que passou a ser investigado após uma "live" na qual, usando informações falsas, questionou a segurança dos equipamentos. 

“Não nos enganemos com aqueles que querem fazer um levante para golpear todas as representatividades dos cidadãos. Seja o Congresso Nacional, o Supremo Tribunal Federal e o sistema eleitoral, que garantiu a integridade do processo de votação daqueles que hoje estão no poder e agora se voltam contra este mesmo sistema", afirmou Leitão. 

Em Fortaleza

Na Câmara Municipal, o vereador Antônio Henrique seguiu a mesma linha do correligionário. “A democracia se faz a partir do diálogo e da articulação de pensamentos divergentes em busca de um consenso. Um bem-estar da maioria. Pensar diferente não nos faz inimigos: sem dialogar, nós fazemos uma escolha pela ruptura. Apenas a partir do diálogo e da boa convivência podemos construir uma sociedade melhor e um País mais justo, igualitário e livre", argumentou.

"Como presidente desta casa, sempre prezei pelo diálogo e pelos consensos. Aqui os pensamentos divergentes sempre foram respeitados e continuarão sendo. Qualquer ação de silenciamento ou de violência não pode ser considerada democracia e, por isso, devemos repudiar. Temos que enaltecer aqueles que fazem a escolha pela construção de pontes", acrescentou o parlamentar nesta quinta-feira. 

Confira a cobertura do PontoPoder sobre os movimentos políticos pré-manifestações:

Desde o último dia 15 de agosto, quando o presidente Jair Bolsonaro encaminou uma mensagem em que menciona a necessidade de "contragolpe" e convoca apoiadores para participar das manifestações, um sinal de alerta foi aceso por meio de declarações de outras autoridades no País. 

As duas principais preocupações, especialmente de governadores, é que os atos enveredem para a defesa de medidas antidemocráticas e que agentes das polícias militares participem das manifestações, o que é constitucionalmente vedado. 

Em São Paulo, o coronel Aleksander Lacerda, da Polícia Militar, chegou a incitar colegas de farda a participarem de atos bolsonaristas no feriado. O oficial foi punido, a pedido do governador João Dória (PSDB).

No Ceará, conforme o Diário do Nordeste revelou na semana passada, o setor de Inteligência da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) já monitora possíveis atos de indisciplina de agentes da Polícia Militar em apoio a pautas antidemocráticas, como o fechamento do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Congresso Nacional.

Na última quinta-feira (26), o Ministério Público Militar emitiu recomendação aos comandantes para que contenham eventual adesão dos agentes às manifestações de 7 de Setembro.