Tasso defende convocação de especialistas e ministros após início da CPI da Covid-19

Em entrevista, o senador apontou prioridades, mas ponderou: “não chamaríamos Bolsonaro agora"

Tasso Jereissati
Legenda: Tasso Jereissati foi um dos primeiros a defender a criação da CPI no Senado
Foto: Agência Senado

O plano de trabalho da CPI da Covid-19 está em processo de elaboração, segundo o senador cearense Tasso Jereissati (PSDB), membro da comissão. Ele projeta, contudo, que especialistas e ex-auxiliares do presidente Jair Bolsonaro (sem partido)  devem estar entre os primeiros ouvidos.

Ao Sistema Verdes Mares, o tucano também afirmou que uma "certeza" é a convocação do atual ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. Sobre o chefe do Palácio do Planalto, disse: "o Bolsonaro eu acho que não chamaríamos agora".

"Existe um grupo, hoje, coordenado pelo senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), que está fazendo um plano de trabalho junto com técnicos de várias áreas. Ele vai submeter esse plano de trabalho à Comissão e esse plano de trabalho é que vai definir quais serão as prioridades", ressaltou.

Ainda assim, Tasso defendeu ser importante ouvir "todos os cientistas que têm dados sobre o que e por que (a crise sanitária) poderia ter sido evitada; todos os envolvidos nessa questão, do ministro da Saúde ao ministro das Relações Exteriores, por exemplo; e também o lado jurídico, para saber se existiram ou não situações que possam ser consideradas crimes de qualquer natureza - por omissão ou por ação".

Já o atual ministro da Saúde deve comparecer à CPI, segundo o senador, para "dar um retrato de onde nós estamos".

Entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) defendem a tese de conduta criminosa de Bolsonaro durante a pandemia. Resultado disso é o pedido feito à Procuradoria Geral da República (PGR) para apresentação de denúncia contra o  mandatário ao Supremo Tribunal Federal (STF) por atos na crise sanitária, com base no Código Penal.

Criação de CPI

Tasso deu entrevista para o CETV 2ª Edição, da TV Verdes Mares, na quinta-feira (22), sobre a Comissão. Ele foi, ainda em fevereiro, um dos primeiros defensores da instalação da CPI da Covid-19 no Senado. Após visita de Bolsonaro ao Ceará, em que o presidente promoveu eventos com aglomeração e uso errado de máscaras, o senador intensificou movimentação para que houvesse uma investigação.

"O presidente Bolsonaro assumiu uma posição de desprezo, não acreditou na pandemia como uma coisa séria, apesar de alertado já pelo que estava acontecendo na Europa, nas organizações mundiais. O seu (primeiro) ministro da Saúde (Luiz Henrique Mandetta) o alertou e foi demitido porque pediu que tivesse isolamento social. E daí por diante, ele começou sistematicamente a desmoralizar o afastamento e não comprou a vacina quando o mundo inteiro estava comprando", argumentou.

O senador lembrou ainda que "quando o Instituto Butantan começou a desenvolver a vacina (CoronaVac, em parceria com o laboratório chinês SInovac), ele começou a boicotar, menosprezar e até dificultar o desenvolvimento da vacina que hoje está, de uma maneira ou de outra, praticamente nos salvando".

Esses são alguns dos motivos apontados não só por Tasso, mas por outros colegas de Legislativo para a criação da CPI. A magnitude da crise sanitária no Amazonas também impulsionou a investigação. O estado chegou a ter desabastecimento de oxigênio hospitalar. Este fato levou o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) a requerer a instalação da Comissão que hoje se discute em Brasília.

Covid-19 no Brasil

O Brasil superou a marca de 380 mil mortes por Covid-19, nesta semana. Apenas na quinta-feira (22), a doença causou mais de 2 mil óbitos registrados. 

Com isso, o País já vive 92 dias seguidos com a média móvel de mortes acima da marca de mil e 37 dias com a média acima dos 2 mil mortos por dia.

Quero receber conteúdos exclusivos sobre política