Bolsonaro fala em fechamento parcial da fronteira com a Venezuela

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, criticou o presidente por não ter posições mais restritivas com relação ao coronavírus

Legenda: Bolsonaro se pronunciou nesta tarde, em entrevista na área externa do Palácio da Alvorada
Foto: Foto: Agência Brasil

O presidente Jair Bolsonaro confirmou que o governo federal vai fechar parcialmente a fronteira do Brasil com a Venezuela, no estado de Roraima, a partir de amanhã (18), por causa da pandemia do novo coronavírus (Covid-19). Segundo o presidente, a restrição valerá apenas para o trânsito de pessoas e não afetará a circulação de mercadorias. A Venezuela tem 33 casos da doença.

"Não é um fechamento total. O tráfego de mercadorias vai continuar acontecendo. Porque separa Roraima. Se você fecha o tráfego com a Venezuela, a economia de Roraima desanca", anunciou. 

Em entrevista para a imprensa na portaria do Palácio da Alvorada, o presidente voltou a falar que "não se pode ter histeria" com relação ao vírus. 

"Não pode ter histeria, é isso o que sempre preguei. Se for para a histeria, fica todo mundo maluco. As consequências serão as piores possíveis. Em alguns países já têm saques acontecendo, isso pode vir para o Brasil. Pode ter aproveitamento político disso, mas a gente não quer pensar nisso daí, mas tem que ter calma. Vai passar. Desculpa aqui. É como uma gravidez, um dia vai nascer a criança. O vírus ia chegar aqui um dia e acabou chegando", disse. 

O presidente disse que a posição será publicada oficialmente amanhã no Diário Oficial da União (DOU). 


Rodrigo Maia critica Bolsonaro
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), defendeu nesta terça-feira que Bolsonaro deveria seguir exemplo de outros países e fechar fronteiras, restringindo ainda voos internacionais e a circulação de pessoas.

"Se fosse a minha opinião pessoal, pelo que eu vejo dos melhores exemplos no resto do mundo, acho que já deveria ter fechado as fronteiras, acho que já deveria ter restringido os voos internacionais e já deveria ter criado um plano de contingencia no Rio [de Janeiro] e em São Paulo para que a circulação ficasse restrita àqueles que, de fato, precisem garantir o abastecimento de alimentos e outras questões que são urgentes", disse.

Maia ainda criticou o governo afirmando que o temor de um impacto econômico pelo novo coronavírus não pode se sobrepôr ao risco de ter um problema maior na saúde pública. A economia será afetada de qualquer jeito. Você achar que manter a circulação para que a economia continue funcionando vai garantir algum crescimento, do meu ponto de vista está errado", disse. 

Durante a entrevista no Palácio, o presidente Bolsonaro se referiu a economia, mas disse estar preocupado com a questão humanitária também. "Nós estamos preocupados com a questão humanitária, de vidas, mas também com a questão econômica", alegou.