Saneamento básico: urgência pública

Escrito por
Álvaro Madeira Neto producaodiario@svm.com.br
Álvaro Madeira Neto é médico
Legenda: Álvaro Madeira Neto é médico

O Brasil convive, em pleno século XXI, com a chaga persistente da falta de saneamento básico. Quase 35 milhões de brasileiros ainda vivem sem acesso à água tratada e cerca de 100 milhões não dispõem de coleta de esgoto.

Embora historicamente mais grave no Norte e Nordeste, a precariedade do saneamento atinge bolsões urbanos periféricos em todo o país, perpetuando desigualdades regionais e sociais. Nos extremos dessa disparidade, enquanto municípios líderes do Sudeste ostentam cobertura praticamente universal, capitais amazônicas exibem índices alarmantes. 

As consequências sanitárias são devastadoras. Doenças hídricas e vetoriais florescem onde falta saneamento: diarreias de repetição, hepatites, leptospirose, parasitoses e arboviroses continuam a acometer milhares. Além das tragédias humanas, o sistema público de saúde é sobrecarregado de internações por ano decorrentes de doenças ligadas ao saneamento inadequado. Em 2024, registraram-se 344 mil internações por essas causas.

Estima-se que cerca de 300 mil trabalhadores brasileiros afastam-se anualmente por enfermidades diarréicas, acumulando quase 900 mil dias de trabalho perdidos, o que equivale a mais de R$ 1 bilhão em horas pagas e não trabalhadas. A própria Organização Mundial da Saúde estima que cada dólar investido em água e esgoto gera mais de US$ 4 em economia de gastos com saúde, fora os ganhos indiretos em capital humano. Adiar a expansão de redes de água e esgoto apenas transfere a conta para os hospitais, para a previdência e para o baixo desempenho escolar e laboral.
No panorama internacional, as carências do Brasil configuram um contraste com sua relevância econômica. Figuramos muito aquém do esperado.

Um Brasil verdadeiramente desenvolvido e justo se mede, antes de tudo, pelo direito de cada cidadão à água limpa e ao ambiente saneado. Somente quando nenhuma criança beber água contaminada e nenhuma comunidade conviver com esgoto a céu aberto poderemos dizer que honramos a nossa responsabilidade sanitária e civilizatória.

Álvaro Madeira Neto é médico

Felipe Meira Marques é psicólogo
Felipe Meira Marques
01 de Março de 2026
Ana Paula De Raeffray é advogada
Ana Paula De Raeffray
01 de Março de 2026
Williane Pontes é professora
Williane Pontes
28 de Fevereiro de 2026
Professor aposentado da UFC
Gonzaga Mota
27 de Fevereiro de 2026
Tatiana Feitosa é enfermeira
Tatiana Feitosa
27 de Fevereiro de 2026
Lucíola Maria de Aquino Cabral é procuradora do Município de Fortaleza
Lucíola Maria de Aquino Cabral
26 de Fevereiro de 2026
Larissa Silveira e Ivens Medeiros são advogados
Larissa Silveira e Ivens Medeiros
26 de Fevereiro de 2026
Danda Coelho é professora
Danda Coelho
25 de Fevereiro de 2026
Ricardo dos Santos Vianna é especialista em operações portuárias
Ricardo dos Santos Vianna
24 de Fevereiro de 2026
Manoel de Sousa Aires Junior é advogado
Manoel de Sousa Aires Junior
22 de Fevereiro de 2026