Petróleo: tempos de paz exigem nova visão internacional

Escrito por
Blesser Moreno producaodiario@svm.com.br
Blesser Moreno é sociólogo
Legenda: Blesser Moreno é sociólogo
É razoável a previsão de que a humanidade esteja prestes a encerrar o ciclo do petróleo como item estratégico. Não será hoje ou amanhã, mas haverá - em breve - um dia em que outras alternativas passarão a ser prioritárias para a economia mundial.
 
Até que essa mudança seja efetivada, porém, o planeta ainda tem que enfrentar os problemas originados a partir do mapa atual de concentração e de exploração desse bem.
 
Uma nova visão internacional sobre o petróleo é necessária para que se estabeleçam tempos de paz e de desenvolvimento humano até a consolidação de outras matrizes energéticas.
 
Vivemos num mesmo mundo. Portanto, a convivência pacífica entre povos e nações é de interesse coletivo. Do mesmo modo, interessa a todos nós que as riquezas oferecidas pela Terra não sejam restritas a poucas sociedades.
 
Com clareza, é preciso avançar em termos ideológicos para que se obtenha a compreensão de que todos os países têm suas demandas relacionadas a petróleo. Há países com reservas maiores e menores. Há países com refinarias melhores e piores. 
 
E há países que, mesmo possuindo reservas e/ou refinarias, não foram capazes de produzir derivados para o abastecimento mundial - tampouco tiveram competência para tratar com sucesso as próprias desigualdades sociais.
 
De que adianta a Venezuela ter as maiores reservas se não consegue explorá-las? De que adianta a Venezuela vender gasolina a preços módicos se não oferece prosperidade à população em forma de segurança alimentar ou projetos habitacionais?
 
Não se trata de ignorar a soberania ou o interesse de uma ou outra nação. Trata-se de um passo à frente na busca por estratégias mais efetivas de desenvolvimento e de justiça social.
 
Cada país que possui reservas tem o direito legítimo de propriedade sobre esse petróleo. É e sempre será ilegítimo ignorar a autoridade dessas nações, mas também deve ser reconhecida a legitimidade nas transações para a venda de barris e de concessão dos direitos de exploração. 
 
A matemática é simples: mais petróleo em refinaria significa mais gasolina e outros derivados à disposição das maiores e menores economias mundiais.
 
De que adianta encher o peito e exclamar ufanismo em nome da manutenção do petróleo sob o poder de um estado inapto no sentido de combater a fome, de enfrentar a violência, de eliminar as burocracias na educação e na saúde? 
 
É possível que a próxima commodity do interesse mundial seja a água. Nós sabemos o caminho para a boa convivência. 
 
Nunca negamos um copo de água a ninguém, mas também não deixamos de vender um garrafão ou de explorar fontes - o que gera emprego e renda dentro e fora do nosso estado.
 
Blesser Moreno é sociólogo
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