Oscar Schmidt

À frente da equipe brasileira, Oscar Schmidt (1958-2026) entusiasmava-se a cada cesta alcançada, a cada dois ou três pontos para a seleção que tinha, além dele, como titulares, Marcel, Israel, Gerson e Guerrinha

Escrito por
Gilson Barbosa producaodiario@svm.com.br
Jornalista
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Era o final da noite de 23 de agosto de 1987. Como milhões de brasileiros, eu acompanhava a final do basquetebol masculino nos Jogos Pan-Americanos, acontecidos na cidade norte-americana de Indianapolis, no Estado de Indiana. A partida, vibrantemente narrada pelo falecido narrador esportivo brasileiro Luciano do Valle (1947-2014), através da Rede Bandeirantes de Televisão, envolvia as equipes do Brasil e dos Estados Unidos – esta última, até então invencível dentro de seus domínios. Foi um jogo memorável, cheio de emoção e suspense até o apoteótico final, com a vitória brasileira, dentro da Market Square Arena (hoje transformada em estacionamento) e diante de estimadas 16 mil pessoas. O placar final, de apertados 120 pontos verde-amarelos contra os 115 dos favoritos estadunidenses, encheu-nos de empolgação e orgulho.

À frente da equipe brasileira, Oscar Schmidt (1958-2026) entusiasmava-se a cada cesta alcançada, a cada dois ou três pontos para a seleção que tinha, além dele, como titulares, Marcel, Israel, Gerson e Guerrinha. Sob sua liderança, impusemos uma derrota inimaginável aos orgulhosos adversários e mostramos garra diante de tamanho desafio. Saímos vencedores, com todo o mérito, e uma frase, exatamente de Marcel, resumiu bem aquele evento esportivo: “Nós lutamos contra o impossível e vencemos o invencível”. Assim foi, realmente.

Aquela foi a primeira vez em que uma equipe norte-americana de basquete masculino perdeu um jogo em casa e em finais, além de também ter sofrido mais de cem pontos diante de seus torcedores. A seleção nacional, sob o comando do técnico Ary Ventura Vidal (1935-2013), mostrou competência e foco naquela ocasião. Em quadra, Oscar foi o grande comandante que contribuiu decisivamente para o feito inesquecível. Foi o momento mais icônico e histórico de sua carreira profissional de 26 anos, durante a qual atuou por clubes da Itália e Espanha. No Brasil, atuou pelo América (RJ), Palmeiras, Corínthians, Flamengo e o Esporte Clube Sírio (SP), pelo qual também foi campeão ao vencer o então Campeonato Mundial Interclubes de Basquete (hoje Copa Intercontinental), em 1979, ao superar a equipe do Bosna, da antiga Iugoslávia, em São Paulo.

Com 1.093 pontos registrados oficialmente, Oscar é o maior cestinha da história dos Jogos Olímpicos. Além disso, está incluído no Hall da Fama da Federação Internacional de Basquete (FIBA), entre outros registros de reconhecimento mundial. Seu recente desaparecimento, em consequência de um câncer cerebral, entristeceu o Brasil e o mundo. Apelidado de “Mão Santa”, Oscar dizia que na verdade tudo resultava de muito treinamento, nas quadras e até mesmo em sua própria casa. Sua dedicação, aplicação e amor ao que fazia são exemplos para os atletas brasileiros. Viva Oscar Schmidt!

Nicolas Diógenes é empresário
Nicolas Diógenes
21 de Abril de 2026