Quando a lei incentiva a saúde, toda a sociedade ganha

Escrito por
Lilian Serio producaodiario@svm.com.br
Lilian Serio é médica
Legenda: Lilian Serio é médica

A Lei 15.377, em vigor desde 6 de abril, passa a obrigar as empresas a informarem seus colaboradores sobre o direito à realização de exames preventivos e, além disso, garante até três dias de afastamento remunerado por ano para esse fim, representando um avanço importante na construção de uma cultura de cuidado com a saúde no Brasil.


A medida reforça algo que a medicina já sabe há décadas: diagnosticar cedo salva vidas. Ao ampliar o acesso e, principalmente, ao reduzir barreiras, como a dificuldade de conciliar trabalho e consultas médicas, a nova lei contribui diretamente para aumentar as chances de tratamento eficaz de doenças como câncer de mama, colo do útero e próstata, além de incentivar a vacinação contra o HPV. 

Vivemos uma realidade em que muitos brasileiros ainda deixam de realizar exames por falta de tempo, informação ou até receio. Nesse contexto, a obrigação das empresas de disseminar informações sobre campanhas de saúde cumpre um papel essencial: o de educar e conscientizar. Informação também é prevenção.

No campo da saúde feminina, o impacto é ainda mais significativo. Exames como o papanicolau e a mamografia são fundamentais para o diagnóstico precoce, mas ainda enfrentam baixa adesão em algumas regiões. Ao garantir tempo e incentivo para que as mulheres cuidem de si, a lei contribui para reduzir desigualdades e promover mais qualidade de vida.

Os homens procuram menos os serviços de saúde e, muitas vezes, chegam tardiamente ao diagnóstico de doenças. Ao incluir também a prevenção do câncer de próstata e ampliar o debate sobre o autocuidado, a legislação ajuda a quebrar estigmas e a incentivar uma mudança cultural necessária.

A prevenção reduz custos com tratamentos complexos e afastamentos prolongados do trabalho, beneficiando não apenas o indivíduo, mas também as empresas e o sistema de saúde como um todo. É um investimento que gera retorno coletivo.

Ao estimular o cuidado preventivo, essa lei dá um passo importante rumo a uma sociedade mais consciente, saudável e responsável com o próprio bem-estar. Que ela sirva de inspiração para outras iniciativas que coloquem a saúde, em todas as suas dimensões, como prioridade.

Lilian Serio é médica

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