Mauro Sampaio: uma legenda
Com a morte de Mauro Sampaio, o Cariri ficou mais pobre. Desde que chegou a Juazeiro do Norte, no início da década de 50, só lembro de Mauro e Dayse, sua mulher, morando na Rua Santa Rosa, 207, nas proximidades da Igreja do Socorro. Eles foram vizinhos, a vida toda, de José Camilo e dona Heloísa, a família de Expedito Cornélio, Souzinha e Mariinha, meus pais, Aurino Mendonça e dona Maria Luíza. Eram de uma simplicidade fora do comum. Mauro Sampaio foi o grande prefeito de Juazeiro, em dois mandatos, e cinco vezes deputado federal, sucedendo ao seu genitor, Dr. Leão Sampaio. Nunca saiu da modesta casa durante essa trajetória. Poderia ter, como tantos outros, construído mansões na Lagoa Seca, bairro elegante de Juazeiro.
Como médico, foi um verdadeiro sacerdote, receitando e operando de graça a vida toda. Salvou muitas vidas. Como político, foi sempre o mesmo. Dinheiro era secundário. Morreu pobre como viveu franciscanamente. Mauro Sampaio deu enorme contribuição a Juazeiro. No começo de sua vida pública, em 1962, era candidato a prefeito quando surgiu a candidatura de Humberto Bezerra. Nós da UDN e Juazeiro precisávamos derrotar o candidato Dr. Conservo Feitosa, do PSD. Formei uma comissão com José Machado e Gumercindo Ferreira e fomos fazer um apelo a Mauro para que abrisse mão de sua candidatura, naquele momento difícil, em favor de Humberto.
Ele seria o próximo candidato da UDN. Mauro, com todo desprendimento, acatou o pedido prontamente. De fato, Mauro foi o sucessor de Humberto nas eleições de 1966. Mauro seguiu a política desenvolvimentista com destaques para a Estátua do Horto, o Estádio Romeirão e a rede de educação e saúde, contribuindo para a vinda da Faculdade de Medicina de Juazeiro. Depois de muitos anos, já residindo no Crato, nos anos 70, recebi a visita de Mauro Sampaio e Doro Germano, em nome do prefeito Pedro Felício Cavalcante, me convidando para ser candidato a deputado estadual, numa dobradinha com ele, então candidato a deputado federal. Meu sogro, Antônio Alves, ainda era vivo. Estávamos no auge da crise do algodão, chegando à conclusão de que, naquele momento, a minha candidatura era inviável. Hoje, vejo Mauro Sampaio morrer pobre de dinheiro, mas rico de bondade e honestidade, deixando muita saudade e exemplo de uma vida digna.
Humberto Mendonça é empresário