Juntos contra a solidão

Escrito por
Rosette Nunes Correia Lopes producaodiario@svm.com.br
Rosette Nunes Correia Lopes é advogada
Legenda: Rosette Nunes Correia Lopes é advogada

O dia 21 de março, celebrado como Dia Internacional da síndrome de Down, não é apenas uma data simbólica no calendário. Para mim, é também um encontro com a minha própria história. É impossível não enxergar ali um pouco da trajetória do meu filho Pedro, que tem T21.

Mas este dia não se resume à celebração. Ele é, sobretudo, um chamado à reflexão.

A campanha de 2026 traz como tema “Juntos contra a solidão”, convidando cada um de nós a compreender que a pior forma de exclusão não é aquela que impede a entrada, mas a que permite a presença sem garantir pertencimento.

Não basta estar na escola se a criança está sozinha no recreio. Não basta estar no mercado de trabalho se não há respeito e integração.

Esse tema nos provoca a pensar sobre o impacto silencioso da solidão na vida das pessoas com T21. E hoje eu não quero falar apenas de leis ou estatísticas, embora elas sejam importantes. Quero falar de algo mais profundo: aquela solidão que muitas vezes não aparece, mas é profundamente sentida.

Ela surge no momento do reconhecimento. Quando a pessoa com T21 percebe sua diferença, quantos conflitos internos podem emergir? Quantas inseguranças vêm à tona? O receio de não ser aceita, o medo de ser vista apenas pelo diagnóstico.

Por isso, o fortalecimento da identidade é essencial. Reconhecer-se não deve ser motivo de dor, mas de afirmação. É esse reconhecimento que sustenta a autoestima e a segurança para viver com dignidade.

Como advogada, eu sei que essa solidão não é inevitável. Ela é fruto da omissão. A legislação brasileira é clara ao assegurar o direito à inclusão, à educação em igualdade de condições, ao trabalho e à acessibilidade. O desafio não é criar novos direitos, mas garantir o cumprimento dos que já existem.

Por isso, é importante afirmar: não é sobre superação, é sobre oportunidade.

Não se trata de transformar pessoas com síndrome de Down em histórias inspiradoras para emocionar plateias. Trata-se de assegurar acesso e participação plena na sociedade.

Pedro não precisa ser símbolo. Precisa ser respeitado.

Estar juntos contra a solidão significa transformar empatia em ação concreta.

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