Fim de ano, tempo de atenção: aumentam as fraudes contra aposentados

Escrito por
Luana Gomes producaodiario@svm.com.br
Luana Gomes é advogada
Legenda: Luana Gomes é advogada
Enquanto aposentados e pensionistas esperam com alívio o pagamento do 13º salário, surge uma onda de reclamações. É justamente nesse período que muitos idosos descobrem descontos estranhos no benefício, cobranças de associações desconhecidas, seguros nunca contratados, serviços misteriosos e, o mais comum, empréstimos consignados feitos sem autorização. Os golpistas sabem que o dinheiro entra na conta das vítimas e tentam levar a sua parte, agindo de forma rápida e silenciosa. Caso não haja devolução imediata dos valores ou se os descontos persistirem, é fundamental buscar orientação jurídica especializada para garantir a restituição e impedir novas irregularidades.
 
A verdade é que boa parte desses casos não é simples “engano”. Em várias decisões, como a condenação de um banco por permitir um empréstimo consignado fraudulento no nome de um aposentado, a Justiça reconheceu a inexistência de contrato válido, anulou o desconto e determinou a restituição dos valores descontados, além de indenização por danos morais.
 
A base legal está no Código de Defesa do Consumidor, em especial no artigo que responsabiliza o fornecedor de serviços por “falha na prestação de serviço”, quando não comprovada a autorização expressa do consumidor, o que torna o desconto sem anuência do aposentado absolutamente ilegítimo.  
 
Recentemente, a 1ª Vara Federal de Lajeado (RS) decidiu anular um empréstimo consignado realizado em benefício de uma aposentada sem sua anuência, determinando a devolução dos valores descontados e pagamento de indenização por danos morais. E em outro caso, a 4ª Vara Cível da Comarca de Barueri (SP), no ano corrente, reconheceu a fraude e anulou o contrato, apontando que não havia prova de que o idoso havia autorizado a operação, e determinou a restituição dos valores.  
 
A boa notícia é que identificar e barrar esse tipo de golpe é mais fácil do que muita gente imagina. A primeira medida é consultar mensalmente o extrato no aplicativo Meu INSS, onde aparece tudo que está sendo descontado. Encontrou algo suspeito? A orientação é agir rápido. No próprio aplicativo, é possível bloquear novos empréstimos, impedir novas operações e solicitar a revisão de cobranças já existentes. Também é importante registrar reclamação formal contra a empresa responsável pela fraude e guardar todos os documentos, protocolos e prints. Esse material faz toda a diferença quando o caso chega à Justiça.
 
Em síntese, o fim do ano deveria ser sinônimo de descanso, celebração e tranquilidade — não de prejuízo. Por isso, mais do que nunca, informação é proteção. Nenhum aposentado precisa aceitar descontos indevidos. O benefício é resultado de uma vida inteira de trabalho, e é direito de cada um recebê-lo integralmente, livre de golpes, abusos e armadilhas criadas por quem age de má-fé.
 
Luana Gomes é advogada
Felipe Meira Marques é psicólogo
Felipe Meira Marques
01 de Março de 2026
Ana Paula De Raeffray é advogada
Ana Paula De Raeffray
01 de Março de 2026
Williane Pontes é professora
Williane Pontes
28 de Fevereiro de 2026
Professor aposentado da UFC
Gonzaga Mota
27 de Fevereiro de 2026
Tatiana Feitosa é enfermeira
Tatiana Feitosa
27 de Fevereiro de 2026
Lucíola Maria de Aquino Cabral é procuradora do Município de Fortaleza
Lucíola Maria de Aquino Cabral
26 de Fevereiro de 2026
Larissa Silveira e Ivens Medeiros são advogados
Larissa Silveira e Ivens Medeiros
26 de Fevereiro de 2026
Danda Coelho é professora
Danda Coelho
25 de Fevereiro de 2026
Ricardo dos Santos Vianna é especialista em operações portuárias
Ricardo dos Santos Vianna
24 de Fevereiro de 2026
Manoel de Sousa Aires Junior é advogado
Manoel de Sousa Aires Junior
22 de Fevereiro de 2026