Empreendedorismo feminino: uma agenda econômica que o Brasil não pode ignorar

Escrito por
Carolina Tavares producaodiario@svm.com.br
Carolina Tavares é advogada
Legenda: Carolina Tavares é advogada

O mês de março tradicionalmente convida à reflexão sobre a condição das mulheres na sociedade. Mais do que homenagens pelo Dia Internacional da Mulher, o período deve suscitar um debate estrutural: o papel das mulheres na dinâmica econômica brasileira, especialmente no empreendedorismo.

Nas últimas décadas, o empreendedorismo feminino deixou de ser fenômeno marginal para tornar-se parte relevante da atividade produtiva nacional. Dados do Sebrae, com base na PNAD Contínua do IBGE, indicam que o Brasil possui mais de 10 milhões de mulheres à frente de negócios próprios. São empreendedoras que geram empregos, movimentam a economia e contribuem diretamente para a circulação de renda em suas comunidades.

Ainda assim, persiste um paradoxo: as mulheres empreendem cada vez mais, mas em condições estruturalmente mais desfavoráveis. Estudos indicam maiores dificuldades de acesso ao crédito produtivo, menor volume de investimento e concentração em atividades de menor capitalização e menor potencial de crescimento.

Essas desigualdades não decorrem de circunstâncias isoladas. Elas refletem um processo histórico de exclusão feminina dos espaços de decisão econômica. Durante décadas, o acesso das mulheres à propriedade, ao crédito e à liderança empresarial foi limitado por barreiras jurídicas e culturais cujos efeitos ainda permanecem na estrutura produtiva.

Nesse contexto, o empreendedorismo feminino assume papel que ultrapassa a dimensão individual. Para inúmeras brasileiras, abrir um negócio representa não apenas geração de renda, mas também afirmação de autonomia econômica.

A Constituição de 1988 consagrou a igualdade entre homens e mulheres como princípio fundamental. Contudo, a igualdade formal não elimina desigualdades materiais profundas. Promover o empreendedorismo feminino significa, portanto, fortalecer um dos pilares do desenvolvimento econômico e dar concretude ao compromisso constitucional com a igualdade.

Carolina Tavares é advogada

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