A cadeira do Poder e o peso que ela carrega
Muitos dizem querer assumir um cargo; poucos topam assumir o que ele exige. A cadeira tem nome bonito; verniz recém passado; foto boa para a parede da sala. O que não aparece na moldura é o peso que puxa os ombros para baixo; o telefone que toca tarde; a ausência que vira rotina.
Há quem confunda status com destino. Quer o crachá; não quer o custo. Quer o palco; foge do ensaio. O aplauso é curto; a conta é longa. A responsabilidade cobra juros diários; e não aceita parcelamento emocional.
O mundo anda cheio de histórias assim; líderes que trocaram o jantar em família por reuniões intermináveis; gestores que viram o casamento escorrer pelo ralo da agenda; profissionais que venceram por fora e perderam por dentro. Não faltam casos de gente que honrou a função e pagou caro; filhos criados por mensagens; amores sustentados por promessas. Em contrapartida; sobram pretendentes ao título que recuam diante do primeiro boletim de consequências.
Existe uma honestidade rara em admitir limites. Dizer não também é um cargo; talvez o mais difícil. Porque assumir responsabilidade não é sobre carreira apenas; é sobre caráter. É aceitar que toda decisão pede renúncia; e que renúncia não rende medalha.
O humor da vida gosta de ironia; o cargo promete elevação e entrega gravidade. Quem entra achando que vai flutuar descobre cedo que o chão puxa. A pergunta que sobra não é quem manda; é quem aguenta. E aguentar; convenhamos; nunca foi sinônimo de glamour.
No fim; a cadeira continua ali; silenciosa. Bonita? sim. Leve? Jamais! Quem senta em cadeiras de Poder ou Chefia precisa saber que o assento cobra presença; e que presença custa tempo; afeto; sono. O resto é fotografia; e fotografia não cria ninguém.