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Novo MCMV tira classe média do limbo e deve aquecer mercado imobiliário de Fortaleza em até 10%

Mudanças no programa elevaram limites de renda e teto dos imóveis financiados.

Escrito por
Letícia do Vale leticia.dovale@svm.com.br
Cidade de Fortaleza. Predios, Condominios, vista de cima
Legenda: MCMV Classe Média oferece taxas de juros menores que o mercado tradicional.
Foto: Thiago Gadelha.

Com aumento nos limites de renda familiar e no teto do valor dos imóveis abarcados, a ampliação no programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) deve impulsionar o mercado imobiliário para a classe média em Fortaleza, apontam especialistas. 

Segundo o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Ceará (Sinduscon-CE), Patriolino Dias de Sousa, as mudanças na iniciativa contribuem para uma projeção de crescimento do setor entre 5% a 10% no Ceará este ano.

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No programa, o público da classe média é contemplado pelas faixas 3 e 4. Na faixa 3, a renda familiar máxima passou de R$ 8.600 para até R$ 9.600, enquanto o valor máximo de imóvel financiado saiu de até R$ 350 mil para até R$ 400 mil.

Já na faixa 4, a renda mínima aumentou de R$ 12.000 para até R$ 13.000, e o valor máximo de imóvel financiado passou de até R$ 500 mil para até R$ 600 mil.

De acordo com o sindicato, o MCMV Classe Média oferece taxas de juros mais competitivas em comparação às do mercado tradicional (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo - SBPE), cujos índices vão até 12,5% ao ano, informa a entidade. 

Segundo o site oficial da Caixa Econômica, as taxas variam entre 4% e 10% ao ano, conforme a renda familiar mensal bruta e o ano orçamentário da contratação.​ 

Assim, aponta Patriolino, o programa "torna a prestação mais barata que o aluguel em muitos casos, o que é o principal gatilho de compra para o cearense".

"Isso impacta diretamente a classe média, que antes ficava em um limbo: ganhava demais para o subsídio popular, mas não o suficiente para arcar com as taxas de juros do mercado livre em um cenário de Selic ainda elevada",frisa.

Taxa de juros aplicada em cada faixa do MCMV

Fonte: Ministério das Cidades
Faixa Intervalo de renda mensal Taxa de juros (a.a.)
Faixa 1 Até R$ 2.160 4,00%
Faixa 1 de R$ 2.160,01 a R$ 2.850 4,25%
Faixa 1
de R$ 2.850,01 a R$ 3.200 4,50%
Faixa 2 de R$ 3.200,01 a R$ 3.500 4,75%
Faixa 2 de R$ 3.500,01 a R$ 4.000 5,50%
Faixa 2 de R$ 3.500,01 a R$ 4.000 6,50%
Faixa 3 de R$ 5.000,01 a R$ 9.600 7,66%
Faixa 4 de R$ 5.000,01 a R$ 9.600 10,00%

Novas oportunidades imobiliárias para a classe média 

Para o presidente do Sinduscon-CE, a Zona Sul de Fortaleza se destaca com oportunidades de novos empreendimentos voltados para a classe média, englobando bairros como Messejana e a região limítrofe com o Eusébio.

Ele também menciona o Eixo Oeste, especialmente na região do Presidente Kennedy e arredores. 

“Outras áreas estratégicas são a Maraponga e a Parangaba, bairros com forte tradição de classe média que possuem infraestrutura e terrenos que comportam perfeitamente os novos lançamentos dentro desse novo teto de financiamento”, acrescenta. 

A diretora do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Ceará (Creci), Hisnia Larissa Araújo, cita, ainda, bairros como Passaré, José Walter, Lagoa Redonda, Cambeba, Luciano Cavalcante e Sapiranga

“Inclusive, a Praia do Futuro é uma área que está chamando bastante atenção e está surgindo muita coisa bacana ali, dentro do Minha Casa Minha Vida”, indica. 

Em relação ao perfil de imóvel que deve ser mais procurado pela classe média, Patriolino indica apartamentos entre 50m² e 70m², bem localizados em "clubes condomínios" com áreas de lazer completas, sendo compactos ou com até três quartos.

Nesse sentido, Hisnia explica que os imóveis verticalizados se destacam por apresentarem maior aproveitamento do terreno em relação à quantidade de unidades ofertadas para o público. Assim, conseguem agregar benefícios como conforto, lazer e segurança dentro do teto do MCMV. 

“Porém, em toda região metropolitana de Fortaleza ainda é possível a gente encontrar casas em condomínio, casas soltas, com terreno amplo, dentro do programa”, salienta. 

Com o aumento da demanda, preço do m² vai subir?

Em vigência desde a última quarta-feira (22), as mudanças devem ter efeito gradual, reflete Patriolino. Conforme aponta o especialista, as construtoras já estavam adaptando projetos, e a expectativa é que os resultados do segundo semestre deste ano superem os do primeiro. 

"O mercado imobiliário é extremamente sensível à disponibilidade de crédito e, com o custo do SBPE mais elevado, o setor direciona sua expertise para o uso do FGTS, que é a base do programa. O que observamos agora é um planejamento de lançamentos muito mais assertivo e direcionado para atender a essa nova Faixa 4", indica. 

Apesar da alta na demanda e da valorização constante dos imóveis, os preços das unidades não devem subir repentinamente. É o que defende a diretora do Creci.  

“Se a gente for reajustar os preços dos imóveis agora, acaba não fazendo sentido essa adaptação que foi feita, a gente não vai conseguir atender o objetivo do projeto. Acho que as incorporadoras vão segurar um pouquinho os preços, até para poder atingir esse público”, sugere Hisnia Araújo.

Déficit habitacional em Fortaleza atrai grandes construtoras, dizem especialistas

Na visão dos especialistas, as mudanças no MCMV impulsionam o potencial imobiliário de Fortaleza. De acordo com Hisnia, a Capital recebe, cada vez mais, investimentos de grandes construtoras nacionais.

Para Patriolino, isso ocorre porque o déficit habitacional na cidade não é apenas de pessoas de baixa renda, mas de famílias que buscam o primeiro imóvel ou desejam o "upgrade" de moradia. Segundo ele, Fortaleza já é, hoje, um dos maiores mercados imobiliários do Nordeste em Valor Geral de Vendas (VGV). 

“No primeiro trimestre de 2026, batemos recordes de vendas. Temos uma característica de verticalização forte e terrenos disponíveis em eixos de expansão que se encaixam perfeitamente no novo teto de R$ 500 mil a R$ 600 mil”, ressalta. 

Saiba o que mudou no MCMV

Segundo o Ministério das Cidades (MCID), a atualização das faixas deve beneficiar, pelo menos, 87,5 mil famílias brasileiras. Além disso, cerca de 31,3 mil famílias serão incluídas na Faixa 3 do programa, e outras 8,2 mil entrarão na Faixa 4. Confira as principais mudanças:

Faixa 1: renda mínima passou de R$ 2.850 para até R$ 3.200. Valor máximo de imóvel financiado passou de R$ 210 mil para R$ 275 mil.

Faixa 2: renda mínima passou de R$ 4.700 para até R$ 5.000. Valor máximo de imóvel financiado passou de R$ 210 mil para R$ 275 mil.

Faixa 3: renda mínima passou de R$ 8.600 para até R$ 9.600. Valor máximo de imóvel financiado passou de até R$ 350 mil para até R$ 400 mil. 

Faixa 4: renda mínima passou de R$ 12.000 para até R$ 13.000. Valor máximo de imóvel financiado passou de até R$ 500 mil para até R$ 600 mil.

 

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